O interesse na seleção no México na Copa do Mundo 2018 aumentou notavelmente (e naturalmente) após a vitória por 1 a 0 sobre a atual campeã Alemanha, em Moscou. A maneira como os mexicanos encararam o jgoo, criaram chances e superaram fisicamente e taticamente os favoritos ao título transformaram El Tri em um favorito neutro neste Mundial. E a grande atmosfera criada pelos fãs mexicanos em cidades como Moscou e Rostov, onde os aztecas encaram a Coreia do Sul, no próximo sábado, pela 2ª rodada da fase de grupos, até agora só aumentaram a simpatia pela seleção.
Mas a pergunta que as pessoas mais fazem no momento é: "Quem é esse Hirving Lozano?", se referindo ao jovem atacante que marcou o gol da vitória no estádio Luzhniki e jogou o time de Joachim Low em uma pequena e inesperada crise.
O tento do atacante de 22 anos do PSV Eindhoven já é um dos grandes (se não o maior) momento da história do futebol mexicano. Ele também marcou Lozano como o jogador que é "o presente e o futuro do México", como o técnico Juan Carlos Osorio não cansa de dizer.
Os 17 gols em 29 partidas em sua primeira temporada no Campeonato Holandês já deixaram times das grandes ligas europeias em alerta, mas a bola na rede contra a Alemanha, no maior palco do futebol mundial, colocaram de vez o atleta na vitrine para os gigantes do continente olharem com cobiça. Já há rumores do interesse de Barcelona, Juventus, Arsenal, Liverpool, Manchester United...
E não é por acaso que Lozano assinou recentemente com o megaempresário Mino Raiola, o mesmo de craques como Zlatan Ibrahimovic e Paul Pogba. No México, o garoto já é apontado como a próxima estrela global e como o homem que irá tirar de Javier Hernández, o Chicharito, a posição de atleta mais conhecido do futebol e da seleção mexicana.
O GAROTO TÍMIDO
Mas nem tudo foram flores para Lozano até hoje...
Volte no tempo dois anos e o atacante, conhecido como "Chucky" (o "Boneco Assassino" dos filmes de terror) por seu hábito de se esconder debaixo da cama e assustar os colegas de equipes na concentração, mostrou que ainda não estava pronto para pisar nos grandes palcos antes e durante a dura derrota por 7 a 0 sofrida pelo México para o Chile na Copa América Centenário, em 18 de junho de 2016.
Antes daquele jogo, Osorio escolheu Lozano, então com 20 anos, para se sentar ao lado dele na coletive de imprensa pré-jogo. Pouco acostumado a falar em público e claramente nervoso, Lozano sofreu para encontrar palavras.
Ao ser questionado pela ESPN se o estilo ofensivo do Chile poderia abrir espaços para um winger velocista como ele aproveitar os contra-ataques, ele deu uma resposta bizarra.
"Será um jogo de ataque e defesa. O oponente será muito difícil de enfrentar por causa de seu estilo, mas nós vamos tentar nosso melhor para jogar bem. Eles vão tentar fazer gols, e nós vamos também", analisou.
Osorio apertou a mão de Lozano e abriu um largo sorriso.
"O que ele disse é a melhor explicação possível sobre o jogo de amanhã. Será uma partida de ataque e defesa, em que um time tentará fazer gols e o outro também", disse o treinador colombiano.
Foi um momento hilário.
No entanto, quando Lozano foi completamente dominado pelo lateral Jean Beausejour, de La Roja, no dia seguinte, ficou mais do que claro que aquele ponta atrevido ainda não estava pronto para uma partida daquela magnitude.
ROBBEN MEXICANO
Mas Osorio sabia perfeitamente o que estava fazendo ao jogar Lozano aos leões tanto naquela coletiva de imprensa quanto no jogo: ele queria dar ao menino a maior experiência possível em um grande palco, tendo a Copa do Mundo como objetivo final.
Dois anos se passaram e Lozano, agora no PSV, está muito mais confortável em campo e nas entrevistas. Tanto é que foi o grande destaque e Man of the match to jogo contra a Alemanha, eclipsando Chicharito.
"Agora, quando vejo Lozano jogando, é uma enorme recompensa para mim. Eu me lembro que, há dois anos, quando eu o convoquei pela primeira vez e o coloquei para jogar, tive que aguentar muitas críticas", disse Osorio à ESPN.
"Muitas pessoas diziam que ele só sabia correr, mas na verdade ele é um atleta muito direto. Eu sempre disse que ele tem um potencial enorme", afirmou.
"Junto com a velocidade, ele tem outras características, outras coisas que pode melhorar e coisas que já estamos trabalhando para melhorar. Pouco a pouco, ele fica cada vez melhor. Lozano adicionou os gols ao seu leque de opções. A finalização dele fica cada vez melhor, e ele também aprendeu a desacelerar o jogo quando necessário. Agora, ele consegue segurar o jogo e é capaz de fintar, driblar ou acertar um bom passe diagonal. Então, acho que está ficando mais completo", prosseguiu.
"E se fizer uma boa Copa do Mundo, acho que Hirving irá para uma liga maior e um clube grande. Não tenho nada contra o Campeonato Holandês e o PSV [...], mas acho que Hirving pode estar nas quatro grandes ligas mundiais e ser um dos jogadores dos times de top 4 nessas ligas", exaltou.
Com suas incisões e jogadas de penetração, além dos gols criados a partir da posição de ponta, Lozano é um atleta descrito como winger moderno, e não muito diferente de atletas que arrebentam atualmente na Europa, como Mohamed Salah, do Liverpool, e Leroy Sané, do Manchester City. Ele pode jogar dos dois lados do campo, mas é mestre em atuar pela esquerda, cortando para dentro e marcando, justamente como ele fez contra a Alemanha.
Casado e pai de dois filhos, Lozano parece assentado fora d campo e tem tudo para se tornar o "Robben mexicano", se mantiver sua constante evolução.
A grande questão é até que ponto o sarrafo deve ser levantado.
Segundo Marco Garcés, diretor esportivo do Pachuca, time que revelou Lozano, não há limites para o ponta.
"Ele parece que gosta de pressão, do desafio de ir para o alto e avante. Então, a única coisa que posso dizer é que é muito difícil saber qual é o teto desse garoto", opinou Garcés à ESPN.
"Quanto maior o desafio, melhor ele desempenha", completou.
A Alemanha que o diga...
