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Wilfried Zaha brilhou no fim da Premier League, jogou pela Inglaterra e escolheu a Costa do Marfim

Wilfried Zaha poderia ter alcançado o sonho de qualquer inglês no futebol: ouvir ‘Deus Salve a Rainha’ dentro do gramado, a poucos minutos do apito inicial para uma partida de Copa do Mundo.

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Argumentos para uma convocação dele não faltaram, sobretudo nas últimas semanas antes do torneio na Rússia. O atacante do Crystal Palace viu seu time perder as sete primeiras partidas e ter o técnico Frank de Boer demitido rapidamente, mas a recuperação veio ao longo da competição. E, em grande parte, por conta do desempenho do atleta de 25 anos.

Zaha fez 9 gols e deu três assistências, com destaque para abril, quando somou quatro bolas nas redes e passe para um gol, o que lhe rendeu o prêmio de melhor atleta do mês na competição. O desempenho fez o time de Londres ir, naquele mês, da zona de rebaixamento ao 11º lugar - posição que manteria ao fim da competição. Um feito notável para uma equipe que começou a temporada fadada ao rebaixamento.

Coincidentemente ou não, o atacante perdeu nove jogos do Crystal Palace na última edição da Premier League, por conta de lesões diferentes no joelho. Em todos, o clube foi derrotado.

Ou seja, mais uma boa temporada de Zaha na equipe na qual já ocupa um posto de ídolo. Afinal, marfinense de Abdjian, que chegou à Inglaterra com sua família aos 4 anos de idade, chegou ao clube com 12 anos. Fez toda sua formação no futebol no time de Selhurst Park.

O menino promissor logo virou realidade e, com 17 anos, ganhou sua primeira oportunidade entre os profissionais. Com 18, na temporada, 2010-11, já estava consolidado como titular. O auge viria em 2012-13, quando ajudou o Crystal Palace a subir à primeira divisão nacional e conseguiu sua primeira convocação e estreia pela seleção inglesa – entrou nos minutos finais da derrota por 4 a 2 para a Suécia, em novembro de 2012.

Em alta, foi negociado por 11,75 milhões de euros com o Manchester United. Logo de cara nos Red Devills, ganhou a Supercopa da Inglaterra e uma nova chance de estar em campo pela seleção nacional. Desde então, sua carreira tomou rumos diferentes.

Sem espaço em Manchester – onde disputou apenas quatro jogos -, Zaha foi emprestado ao Cardiff City e ao próprio Crystal Palace, que o recontratou em definitivo. Sempre titular, ele viveu uma ótima campanha em 2016-17, quando fez sete gols e nove assistências.

A melhor forma parecia de volta, assim como uma nova chance na seleção. Porém, desta vez não era a inglesa. A Costa do Marfim, sua terra natal, mostrou interesse em contar com o atacante, que, no fim de 2016, acabou realizando a troca, uma vez que ele só havia disputado dois amistosos pela equipe principal da Inglaterra – o último deles em agosto de 2013.

Zaha jogou a Copa Africana de Nações de 2017 e manteve o alto nível em seu clube. Alto o suficiente para ter sido convocado pela Inglaterra para a Copa de 2018? Talvez.

“Foi como se eu fosse rejeitado pela seleção inglesa”, disse o atleta à emissora CNN Sport no começo do mês. “Eu não fui convocado ou sequer observado por quatro anos. Quatro anos no futebol é um longo tempo, então é como se não houvesse arrependimento algum. Ninguém sequer pensou sobre mim. E a Costa do Marfim, ainda que eu tenha dito não a eles, eles continuaram acreditando em mim e seguiram me querendo, porque eles sabiam o que podia fazer para o time”.

“Obviamente, podemos não estar na Copa do Mundo, mais é uma curva de aprendizado. De lá, o que precisamos fazer é ir melhor e, espero, tentar e ir à próxima. Quanto a não jogar pela Inglaterra, eu não tenho arrependimento. Estou feliz com a decisão que tomei.”

Se mantiver a forma, o ainda jovem atacante não tem com o que se preocupar: 2022 está logo ali.