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Pelé fez seu último gol pelo Brasil contra a Áustria em 1971: 'Saio agora, quando todo mundo quer que eu fique'

No próximo domingo, em Viena, Brasil e Áustria se enfrentam no último teste da seleção pentacampeã antes da Copa do Mundo na Rússia. Um duelo amplamente favorável para a equipe verde-amarela no histórico – seis vitórias e três empates – e que está guardado para sempre no coração do maior jogador de todos os tempos.

Foi em 11 de julho de 1971, no Morumbi lotado com mais de 110 mil pessoas, que Pelé marcou o último de seus 77 gols com a camisa brasileira.

Brasil x Áustria marcava a primeira partida da seleção naquele ano. Já tricampeã mundial, a equipe nacional se reuniu para se despedir do camisa 10, que faria dois jogos em seu tour: em São Paulo e no Rio de Janeiro contra Áustria e Iugoslávia, respectivamente.

“Só resta dizer: obrigado, Pelé!”, estampou em sua manchete A Gazeta Esportiva na prévia da partida.

Em campo, com uma grande festa, o camisa 10 atuou no primeiro tempo e anotou seu derradeiro gol aos 32 minutos: Pelé lançou na direita para Zequinha (Botafogo), que invadiu a área e cruzou rasteiro para trás; Tostão puxou dois marcadores austríacos consigo e deixou a bola livre para o astro da noite, que tocou no canto esquerdo, sem chances para Herbert Rettensteiner.

No intervalo, uma festa foi montada para um “perdido” astro.

Segundo relatou O Estado de S.Paulo, “o primeiro tempo já está acabado, Pelé fizera um grande gol, mostrara o seu futebol brilhante de sempre, mas, agora, fica ser saber direito o que fazer. Ameada das alguns passos, sem rumo certo, até que é cercado por um batalhão de gente – repórteres, fotógrafos, curiosos, dirigentes e, dominando a cena, 10 homens da Polícia Militar”.

“Quase arrastado, lentamente, escondido da torcida pelo bloco de gente à sua volta, Pelé vem para o podium armado à esquerda do portão de entrada”, conta o jornal.

Ele ganhou diversos mimos, como um cetro e uma coroa da seleção tchecoslovaca, e deu uma volta olímpica aos gritos de “Pelé, Pelé” vindo da arquibancada. A Folha de S.Paulo usou uma imagem do eterno Rei ocupando grande parte de sua primeira página e o título: "Pelé diz seu primeiro adeus".

“Saio agora, quando todo mundo quer que eu fique. Seria muito triste sair quando todos acharem que está na hora”, disse o maior de todos os tempos durante sua despedida em São Paulo, tentando espantar os pedidos para que continuasse até 1974.

“Deus foi muito bom para mim. Fiz o gol, ninguém se machucou, e eu fui bem. Nem sei como agradecer ao povo”, falou, antes de deixar o Morumbi (não viu o segundo tempo, quando a Áustria arrancou o empate) e voltar para Santos.

Uma semana depois, no Maracanã (onde estreou pela seleção brasileira em 1957), Pelé se despediu definitivamente da camisa amarela com o empate por 2 a 2 com os iugoslavos, gols de Rivellino e Gérson. Novamente ele atuou apenas na primeira etapa e foi substituído por Claudiomiro (Internacional).

92 jogos, 77 gols e três títulos mundiais depois, Pelé chegou ao Olimpo do esporte.