<
>

Convocados na Bélgica, irmãos Lukaku se amam, mas têm 'rivalidade monstruosa' no videogame

Dificilmente você verá no mundo do futebol irmãos tão inseparáveis quanto Romelu, atacante do Manchester United, e Jordan Lukaku, lateral-esquerdo da Lazio.

Não raro, ao abrir suas respectivas contas oficiais no Instagram, você verá postagens contendo fotos entre os dois, sempre ao lado de mensagens demonstrando todo o amor envolvido na dupla nascida na Antuérpia e que está pré-convocada pelo técnico Roberto Martínez para integrar a seleção da Bélgica na Copa do Mundo da Rússia, a partir de meados de junho.

Contudo, como toda boa irmandade que se preze, há de ter suas divergências. No caso dos irmãos Lukaku, elas são puramente eletrônicas.

Tanto Romelu quanto Jordan, este dois anos mais novo, são simplesmente viciados em videogame. E o jogo favorito deles não poderia ter a ver com outra coisa senão futebol, claro.

"Jordan é viciado em Fifa. Para você ter uma noção, eu nunca venci dele (risos). Ele é aquele cara louco que quebra até controle quando perde (risos). Ele joga demais. O Romelu também é viciado em videogame, um fenômeno", conta o meio-campista Fernando Canesin, que atuou com o defensor no Oostende, da Bélgica, entre 2013 e 2016, e com o centroavante no Anderlecht.

A principal "briga" entre os dois, porém, não é apenas no jogo desenvolvido pela canadense EA Sports, mas também no console em que ambos "atuam" nos tempos livres.

"O Jordan curte Xbox, e o Romelu curte demais Playstation. Na casa deles sempre tem os dois videogames. Acho que eles precisam jogar uma partida em cada videogame (risos). Ali, a rivalidade é monstruosa entre os irmãos", lembra o brasileiro.

"Mas só nisso porque eles se amam", completa.

O vício em Fifa era tamanho, que Jordan, principalmente, não gostava de apenas controlar os jogadores virtuais, como também dar uma de treinador e mexer nas estratégias de sua equipe.

"Jogávamos sempre na pré-temporada. Eu era o cara que ligava o videogame e já queria começar a partida. Já o Jordan é aquele que mexe na escalação e muda toda tática. Põe um plano de jogo mais defensivo ou ofensivo. Demora uns 20 minutos até ele acertar o jogo antes de começar, me dá vontade até de dormir (risos). Quando ele mexe eu fico puto (risos)", gargalha Canesín.

"Os irmãos são muito unidos e amigos. Fechamento total entre eles. Sempre estão conversando e várias vezes o Romelu, quando pegava uma folga, vinha ao Oostende para ver as nossas partidas ou treinos. Ele é humilde demais", diz.

Jordan Lukaku: o dread gente boa

Indubitavelmente mais desconhecido em relação a se primogênito, Jordan Lukaku vai, aos poucos, se apresentando ao mundo do futebol.

Na atual temporada, o lateral-esquerdo que leva estilosos dreads na cabeça - no Instagram, ele diz que eles formam sua identidade -, foi um dos destaques da Lazio, que terminou em quinto no Campeonato Italiano e, por muito pouco conquistou classificação à próxima Uefa Champions League - ficou com o mesmo número de pontos da Internazionale.

Agora, na Rússia, a missão será ajudar sua seleção a chegar longe com a que muitos consideram ser a melhor geração belga da história, com De Bruyne, Hazard, Courtois, Kompany e companhia.

"Eu acho que o Martinez gosta muito do estilo de jogo do Jordan porque ele atua com dois alas mais ofensivos e ele se encaixa muito bem nisso. Ele é bem ofensivo, é o forte dele, apesar e saber marcar. Chega muito fácil no overlaping por muitas vezes. Ele passa mais de 10 vezes na linha fundo e cruza muito bem. Gosta de chutar e faz uns golzinhos. Ele parte pra cima, não tem medo. É bem ousado. Gosta de pedalar e parece um ponta-esquerda. Tem muita qualidade e já está colhendo os frutos do trabalho", analisa Fernando Canesín.

Lukaku e Canesín, aliás, são tão amigos, que compartilharam o momento da primeira convocação do belga, em setembro de 2014, ainda com o então técnico Marc Wilmots.

"O clube fez uma comemoração e a equipe saiu para jantar e comemorar. Ele ficou surpreso e não esperava, mas fazia uma boa temporada. O legal é que ele conseguiu manter o mesmo nível na Lazio e buscar o espaço dele pra não perder a vaga na seleção", rememora.