25 de maio de 2005. Temos aí uma data que o torcedor do Liverpool não se esquecerá jamais. Neste dia, no Estádio Atatürku de Istambul, o time de Anfield conquistou sua quinta Champions League em uma partida lendária, tirando uma diferença de 3 a 0 apenas no segundo tempo, contra o gigante Milan, e conseguindo um dos mais improváveis de seus títulos.
Sob liderança de Rafa Benítez e com jogadores do tamanho de Steven Gerrard, Xabi Alonso, Sammi Hyypia e Jamie Carrragher, os Reds reinaram na Europa.
Neste histórico time estava o lateral espanhol Josemi, contratado do Málaga no verão anterior e que na temporada disputou 23 partidas, sete deles na Champions - cinco como titular.
Em entrevista para a EFE, o lateral-direito nascido em Torremolinos (1979) conta suas recordações desta “noite de filme” em Istambul, compara o Liverpool de Benitez e o de Klopp e prevê como será a final deste sábado: “Muitos gols. Mas em partida única, o Liverpool é favorito”.
13 anos depois, o que ele lembra do jogo e daquele dia?
Cada vez que penso me lembro de muitas coisas; parece que foi ontem. Tudo o que vivemos nesse dia tenho gravado em minha cabeça. Primeiro de tudo pelo ambiente, pelos torcedores, que não paravam de cantar e chegaram ao estádio horas antes da partida.
Depois do primeiro tempo, que perdíamos por 3 a 0 - mas que poderiam ter sido quatro ou cinco -, nossos torcedores seguiam cantando, não deixaram de nos incentivar. Não sei se era o destino ou não, o que aconteceu pareceu coisa de filme. Isso é o bonito do futebol, que acontecem coisas que às vezes não se entende. Perdes de 3 a 0 no intervalo, mas sabe que enquanto o árbitro não apitar, não acabou. Esse tipo de jogo prova que essas coisas acontecem de verdade.
Vê alguma similaridade entre o Liverpool no qual jogou e este?
Os dois uniram jovens com experientes e tinham, ou tem, muitos líderes no vestiário, jogadores que incentivam o grupo. De qualquer forma, existem mais diferenças que semelhanças; por exemplo, os treinadores são totalmente diferentes, a mentalidade é diferente.
Cara a cara, posição por posição: qual Liverpool é melhor, 2005 ou 2018?
Nós éramos muito mais táticos, mais defensivos e saímos mais no contra-ataque. Tínhamos gente muito nova e jogadores como experiência, como Smicer, Hyppia, Carragher, Hamman e Dudek. Este Liverpool de hoje marca muito em cima: ou três da frente são os primeiros que defendem e os laterais são muito envolvidos no jogo de equipe. É um Liverpool muito versátil.
Falando nisso, esse Liverpool é o time com mais gols na competição. Salah explodiu, junto com Firmino e Mané.
Os três são vitais (para o time). O Liverpool de Klopp se moldou nesse sistema justamente pelos jogadores; encontrou um modelo totalmente adequado, totalmente trabalhado para estes atletas. E está dando seus frutos.
E o trabalho de Klopp? Nem os mais otimistas acreditavam em final de Champions!
No Borussia Dortmund já se viu que ele teria um potencial enorme. Eu me surpreendi de que tenha se dado tão bem na Premier League. E não é fácil porque você joga contra Chelsea, City, United, Tottenham, times que investem muito. O Liverpool fizeram um projeto de longo prazo, com um comandante que tem confiança e está dando resultado. O que fez no Dortmund não foi sorte e ele se confirmou como um doe melhores treinadores do mundo.
Desde 2007, quando perdeu para o Milan, o Liverpool vai tão bem na Champions. Porque demorou tanto para voltar a uma final?
Foi uma mudança de ciclo. Saíram jogadores com muita experiência, como Gerrard ou Carrager, e isso cria um grande vácuo. Começar do zero, sem esses caras, não é fácil. Com o passar dos anos, perderam peças chave, como Luis Suárez. Em clubes como City e United, com mais dinheiro, isso se repõe rápido, mas no Liverpool demora mais.
Liverpool é o terceiro clube com mais títulos europeus. O que esse torneio significa para vocês?
As pessoas de lá se identificam muito com a Champions, é o desejo de consumo. Em Anfield, por exemplo, quando há uma partida europeia se cria um ambiente diferente, algo que não é visto em nenhum outro estádio. As pessoas vivem isso.
Mas em Kiev, os Reds vão conseguir recriar essa atmosfera de Anfield?
Os torcedores seguem a equipe onde quer que ela vá, Em Kiev ou onde seja. As pessoas vão porque é uma paixão fiel e apoiarão como sempre. Vemos isso a cada final de semana na Inglaterra; na Premier League existe muito mais paixão que a Espanha, por exemplo.
Em 2005, vocês não tinham o melhor elenco. Neste ano, tampouco. Pode isso ser bom?
As pessoas colocam o Real como favorito por ter ganhado as últimas duas Champions, mas o Liverpool pode se impor em campo. Individualmente, o Madrid pode ser melhor. Mas, enquanto coletivo, os de Klopp são melhores.
Acredito que não ser favorito pode ajudar o Liverpool porque diminui a pressão. Jogando diante do Real, você sabe que pode perder. E mesmo assim, não se chega a uma final todo dia, mesmo que percam para o Real, perde ‘por pouco’, digamos assim, mas se ganha, aí se ganha muito!
Então, quem é o favorito?
O Liverpool. Em partida única, vejo o Liverpool como favorito, é mais competitivo, sobretudo nos últimos encontros com o Real.
E o resultado?
Vão ter muitos gols, isso é certo. Eu diria 2 a 2 ou 3 a 2. São equipes ofensivas, alegres, que vão ao ataque para tentar agredir o rival e não ficam atrás.
