Técnico novato ganhar a Libertadores? Veja por que isso é quase impossível

Osmar Loss, 42, passou de auxiliar de Fábio Carille para técnico efetivo do Corinthians repentinamente e já estreará na noite desta quinta-feira, em Itaquera, contra o Millonarios, da Colômbia, no encerramento da fase de grupos da Copa Libertadores. Contudo, a missão que terá pela frente na competição sul-americana é bem complicada para treinadores brasileiros.

Até hoje, dos 14 técnicos brasileiros campeões do torneio, apenas um era novato.

Isso ocorreu em 1981 com Paulo César Carpegiani. Na época, ele tinha 32 anos e acabara de pendurar as chuteiras como um excelente volante e foi escolhido pela diretoria do Flamengo para assumir o cargo de técnico na vaga de Dino Sani, que vinha mal.

Carpegiani estreou em 24 de julho daquele ano, contra o Olimpia-PAR, no terceiro jogo do time rubro-negro pela Copa Libertadores. Não tinha qualquer experiência como técnico, embora carregasse um currículo super vitorioso como jogador, com um título brasileiro pelo Flamengo e dois pelo Internacional, além de três estaduais no Rio e sete no Sul.

Conduziu de maneira brilhante até a final e levou o clube da Gávea à conquista inédita. Ainda faturou o Mundial de Clubes contra o Liverpool, da Inglaterra. No ano seguinte, novamente no comando do Flamengo, parou nas semifinais da Libertadores.

Antes de Carpegiani, Lula e Zezé Moreira foram campeões da competição continental com clubes brasileiros.

Lula conduziu o Santos ao bicampeonato em 1962/1963, com um grupo que tinha o ataque mais genial do mundo: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. Antes da Libertadores, o treinador tinha outras conquistas no currículo, entre estaduais, regionais e nacionais.

Zezé Moreira foi campeão com o Cruzeiro em 1976, mas também não era nenhum novato. Tinha títulos estaduais no Rio, em São Paulo, em Minas. Além disso, havia comandando o Nacional em duas conquistas do Campeonato Uruguaio.

Logo depois do Flamengo ser campeão em 1981, o Grêmio conseguiu levantar a taça e foi com Valdir Espinosa. Natural de Porto Alegre, o treinador estava à frente de um grande clube pela primeira vez, mas já tinha passagens por Esportivo-RS, Ceará e Londrina, em uma carreira iniciada em 1979, e com alguns títulos. Além disso, ele comandava o time gremista desde 1982.

O Brasil passou a ter clubes campeões da Libertadores com mais frequência nos anos 1990.

O São Paulo foi bicampeão em 1992/1993 com Telê Santana, técnico que comandou a seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986 e acumulava taças importantes. Depois, o Grêmio foi vencedor em 1995 com Luiz Felipe Scolari, técnico que estava na ativa desde 1982. Felipão voltaria a ser vencedor do continental em 1999, mas com o Palmeiras.

O Cruzeiro faturou a taça em 1997 com Paulo Autuori, que tinha sido campeão brasileiro com o Botafogo em 1995 e que voltaria a ganhar a Libertadores em 2005, mas com o São Paulo.

Antônio Lopes, técnico que iniciou a carreira em 1980, levou o Vasco ao título em 1998.

O Internacional foi bicampeão da Copa Libertadores com técnicos diferentes. Nenhum deles novato. Primeiro Abel Braga, em 2006, e depois Celso Roth, em 2010. Ambos tinham mais de uma década de experiência trabalhando no futebol.

Muricy Ramalho, que iniciou a carreira nos anos 1990, ganhou a Libertadores com o Santos, em 2011. Tite, hoje na seleção brasileira, foi vencedor com o Corinthians, em 2012. Cuca conduziu o Atlético-MG até o título, em 2013. Todos bem experientes.

Por fim, Renato Gaúcho ganhou com o Grêmio no ano passado.

Pois é, o incentivo para Loss terá de ser Carpegiani para quebrar uma escrita complicada no torneio continental.