Na noite da última segunda-feira, uma votação no CD (Conselho Deliberativo) autorizou mudanças no estatuto do Palmeiras.
A principal delas foi a ampliação do mandato presidencial de dois para três anos (com possibilidade de uma reeleição), valendo já para a próxima eleição.
Isso representou uma vitória de peso enorme para o atual presidente do "Verdão", Maurício Galiotte, e também para Leila Pereira, dona da patrocinadora Crefisa e FAM e atualmente uma das pessoais mais influentes nos bastidores alviverdes.
Também foi uma derrota histórica para o ex-presidente Mustafá Contursi, que formou um bloco contrário às mudanças, mas não conseguiu barrá-las no CD.
Confira a análise:
O LADO VITORIOSO
A reforma do estatuto era uma das bandeiras da campanha de Maurício Galiotte durante sua corrida eleitoral, em 2016. Ele desengavetou a votação do tema, que estava parada no CD desde 2013, e na última segunda-feira conseguiu reunir os conselheiros para votarem.
O triunfo é uma mostra do poder atual de Galiotte, que venceu a queda de braço contra a oposição e mostrou que o atual mandatário tem grandes chances de ser reeleito no final do ano, quando deve concorrer contra Genaro Marino, um de seus vices atuais, no pleito.
Para Leila Pereira, a vitória no CD também foi muito representativa. Afinal, com a mudança, a empresária pode se candidatar à presidência do Palmeiras já em 2021, quando se encerra seu mandato de quatro anos como conselheira eleita.
Pelo estatuto antigo, ela precisaria aguardar até 2022, quando se encerraria o teórico mandato do biênio 2020/22. Com a alteração, porém, ela já poderá lançar sua candidatura em 2021, quando se encerrará a presidência de quem assumir no triênio 2018/2021.
No momento, é interessante para Leila que Galiotte siga na presidência, já que ambos são muito próximos. Com isso, ela continuaria tendo influência nos bastidores alviverdes, e chegaria com muita moral ao pleito de 2021, quando pode sair candidata.
A dona da Crefisa, porém, nega que tenha intenção de assumir a presidência do clube, apesar de, na semana passada, ter organizado um jantar chique para conselheiros, diretores e sócios do Palmeiras em um hotel cinco estrelas em São Paulo, no qual defendeu a alteração do mandato para três anos.
Na condição anterior, como o mandato de conselheiro é de quatro anos, a empresária só poderia concorrer no final de 2022 e assumir em 2023. Mas com a vitória desta segunda, Leila terá que ser reeleita conselheira em fevereiro de 2021 para concorrer no final do mesmo ano à presidência.
Dos 224 conselheiros que compareceram à votação, 143 votaram a favor das mudanças - ou seja, praticamente 64% dos presentes acompanhou o grupo de Galiotte e Leila, que foi reforçado pelo ex-presidente Luiz Gonzaga Belluzzo e também Seraphim Del Grande, presidente do CD.
O LADO DERROTADO
Para Mustafá Contursi, que sempre gozou de enorme influência nos bastidores palestrinos, o revés foi histórico.
Ele formou um bloco forte para tentar barrar as mudanças, montado com apoio de Arnaldo Tirone (ex-presidente), Afonso Della Monica (ex-presidente) e Roberto Frizzo (ex-vice-presidente), e que teve também o suporte do grupo político de Paulo Nobre (que está afastado da política palmeirense e não foi votar).
No entanto, Mustafá só conseguiu 79 votos contrários à alteração, ou 35% do total - houve ainda duas abstenções. Desta forma, as mudanças no estatuto foram aprovadas pelos conselheiros, apesar de ainda terem que ser referendadas pelos sócios, em julho.
Também chamou a atenção o fato de que, antes da reunião, o presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos, que é aliado de Contursi, mas está rachado com Galiotte, pediu a três conselheiros do Palmeiras que também são ligados à Federação para não participarem do pleito.
Apesar da tentativa de esvaziamento, o CD contou com grande presença de conselheiros (224 de 284 aptos a voto compareceram) e a votação foi conduzida normalmente.
Vale lembrar, inclusive, que Leila Pereira contou com apoio de Mustafá para ser eleita conselheira do "Verdão" em 2017, inclusive com a maior votação da história do clube.
No entanto, dali em diante as partes divergiram, e hoje a empresária e o ex-presidente estão em lados separados da política alviverde.
