Nicholas David Pope pode dizer que viveu, na última quarta-feira, um dos melhores dias - se não o melhor - da sua vida no futebol. Afinal, o goleiro de 26 anos foi uma das surpresas do técnico Gareth Southgate entre os convocados da seleção inglesa para a Copa do Mundo da Rússia, a partir de junho.
Contudo, para chegar à lista dos 23 do treinador do English Team, ele teve que passar por algumas dificuldades e momentos de nem tanta felicidade durante sua carreira.
Nascido no pequeno vilarejo de Wicken, em Cambridgeshire, Pope morava longe, mas gostava de acompanhar de perto o Ipswich Town, time que atualmente disputa a segunda divisão do Campeonato Inglês. Torcedor fanático, ele inclusive fazia questão de comprar os chamados Season Tickets, que valem entradas para todos os jogos do clube em casa na temporada.
Foi aí que lhe surgiu a chance de atuar pelo próprio Ipswich. Há exatos dez anos, porém, quando tinha apenas 16, ele viu o sonho virar pesadelo quando os treinadores lhe disseram que não era bom o bastante para estar ali.
Nick Pope, entretanto, não desistiu e seguiu buscando atuar profissionalmente no futebol. No mesmo ano em que foi dispensado, o goleiro chegou ao pequenino Bury Town, clube do condado de Suffolk, que disputava - e ainda disputa - a Isthmian League North Division, referente à sétima e oitava divisões do país.
Congratulations to @Popey1992 on his call up to the @England World Cup 2018 squad, from Ram Meadow to Russia. pic.twitter.com/mpGWMyXB2v
— Bury Town F.C. (@BuryTownFC) 16 de maio de 2018
Foram três temporadas jogando para, no máximo, 3.500 pessoas no Estádio de Ram Meadow, quando veio a oportunidade de assinar com o tradicional Charlton Athletic, então na terceira divisão. Passeou ainda por diversos clubes menores emprestado, como Harrow Borough, Welling United, Cambridge United, Aldershot Town, York City e, mais recentemente, o Bury, onde conquistou como goleiro titular o acesso da quarta para a terceirona.
Seu destaque foi tamanho que conseguiu chamar atenção do Burnley, que voltaria a disputar a Premier League em 2016. Claro, sabia que teria de esperar e ser reserva, já que a camisa 1 já era do ídolo e experiente Tom Heaton.
Na atual temporada, Pope aproveitou uma lesão do titular para defender a meta dos Clarets. E como defendeu!
Das 38 partidas que atuou na temporada, contando todas as competições, o goleiro obteve 13 clean sheets - jogos em que não sofreu gols. Na Premier League, ele jogou 35 dos 38 duelos do Burnley e levou uma média de um tento por jogo.
Toda sua desenvoltura no gol ajudou com que o time comandado por Sean Dyche alcançasse o altamente inesperado sétimo lugar - posição mais alta desde a temporada 1965/66, quando terminou em terceiro - e a ainda mais surpreendente vaga na Europa League da próxima temporada. Ao lado do brilhante De Gea, aliás, foi um dos arqueiros escolhidos como melhores da temporada, entrando na seleção do campeonato.
Mas, na seleção que realmente importa a ele, as chances de atuar são realmente pequenas, é verdade. A tendência é que ele vá à Rússia como terceira opção para a meta, atrás de Jack Butland e Jordan Pickford, porém nada mal para quem sequer vislumbrava uma passagem pelos mais altos escalões nacionais.
