Histórico do São Paulo contra argentinos tem rival que fugiu, ídolo consagrado e empate em decisões

O São Paulo encara o Rosario Central, da Argentina, às 21h45 desta quarta-feira, tentando manter-se vivo na Copa Sul-Americana. Após um empate sem gols fora, a equipe depende de um triunfo simples para avançar à segunda fase do torneio.

Como foi eliminado da Copa do Brasil precocemente, a competição continental ganhou importância maior por dar ao campeão vaga na próxima edição da Copa Libertadores. E pela frente o São Paulo terá um adversário de um país que costuma dar trabalho.

Até hoje, foram disputados 90 jogos e o clube do Morumbi acumula um histórico negativo. São 32 vitórias, 24 empates e 34 derrotas. Apesar disso há um empate em decisões/mata-matas.

O São Paulo se deu melhor em oito ocasiões contra argentinos. Ganhou dois títulos (Libertadores e Sul-Americana) e avançou em seis confrontos eliminatórios. Por outro lado, perdeu quatro finais e caiu em quatro duelos de mata-mata para argentinos.

Confira abaixo um pouco do histórico desses confrontos.

RECLAMAÇÃO DO JUIZ NA ESTREIA

Fundado em 1930, o São Paulo encarou uma equipe argentina pela primeira vez em 14 de fevereiro de 1935, quando recebeu o River Plate, no hoje inexistente estádio da Floresta. Com Arthur Friedenreich em campo e já perto do fim da carreira, o time tricolor triunfou por 2 a 1, em uma noite de muita chuva na capital paulista.

Junqueirinha e Luizinho fizeram os gols tricolores, enquanto Telio descontou para os platenses.

Contudo, a história que ficou daquela estreia foi um gol anulado pelo árbitro Miguel Urretaviscaya, que era da delegação do River, além de faltas violentas cometidas pelo rival que foram ignoradas.

CONHECENDO BUENOS AIRES

O São Paulo demorou exatos 30 anos para viajar para a Argentina. E a equipe já tinha se deslocado para locais mais distantes, como Colômbia, Equador e Peru. Até mesmo a Europa já era conhecida pelo clube, tendo viajado por lá em 1951, quando se uniu ao Bangu e fez uma série de amistosos nos seguintes países: Itália, Portugal, Bélgica, Alemanha, Holanda, Áustria, França e Dinamarca.

A estreia em Buenos Aires, que fica a pouco mais de duas horas de voo partindo da capital paulista, foi em 26 de fevereiro de 1960, quando enfrentou o Boca Juniors e foi goleado por 5 a 2, no estádio Tomás Adolfo Ducó, do Huracán. A equipe tinha como técnico Vicente Feola, campeão mundial com o Brasil em 1958, e concluiu ali o 13º jogo de uma turnê internacional.

Começou na Colômbia, passando pelo México e terminando na Argentina.

1º ENCONTRO NA LIBERTADORES E FINAL PERDIDA

O São Paulo estreou na Copa Libertadores em 1972. Chegou até a fase semifinal, que era dividida em dois triangulares, com o melhor colocado em cada um avançando para a decisão. E o algoz tricolor foi um argentino: o Independiente.

O time paulistano empatou duas vezes com o Barcelona, do Equador, e derrotou os argentinos por 1 a no primeiro duelo entre eles. A vaga na final poderia ser conquistada com um simples empate, mas revés por 2 a 0, em Avellaneda, levou à eliminação.

Dois anos depois os dois clubes voltaram a se encontrar. Dessa vez na decisão do torneio. O São Paulo tinha no elenco os uruguaios Pedro Rocha e Pablo Forlán e chegou invicto à decisão. Venceu o primeiro jogo por 2 a 1, no Pacaembu.

Um empate daria o título na segunda partida, mas perdeu em Avellaneda por 2 a 0, o que forçou um terceiro jogo. Ele foi em Santiago, no Chile, e os argentinos triunfaram por 1 a 0, faturando seu quinto título.

TÍTULO E NOVO VICE

O São Paulo só conseguiu se vingar de um argentino na Copa Libertadores em 1992, quando chegou novamente à final e duelou contra o Newell's Old Boys. Sob o comando de Telê Santana, foi derrotado no primeiro jogo em Rosário por 1 a 0. Devolveu o placar na partida de volta, no Morumbi, e ganhou a taça nos pênaltis por 3 a 2.

Bicampeão em 1993 contra a Universidad Católica, do Chile, o São Paulo poderia ter sido tri em 1994 quando novamente teve um argentino na final. Foi o Vélez Sarsfield. Perdeu por 1 a 0, em Buenos Aires, e devolveu o placar jogando no Morumbi. Mas dessa vez não teve boa sorte na disputa por pênaltis. Foi derrotado por 5 a 3, com Palhinha perdendo a primeira cobrança.

ARMAGANDO OUTROS VICES

Além das Copas Libertadores de 1974 e 1994, o São Paulo perdeu outras duas finais continentais para clubes da Argentina.

Foi superado pelo River Plate em 1997 na decisão da Supercopa da Libertadores, torneio que oficialmente tinha como nome Supercopa João Havelange e reunia os clubes campeões da Copa Libertadores. No primeiro jogo no Morumbi os times empataram sem gols. Na volta, no Monumental de Núñez, vitória dos millonarios por 2 a 1. O São Paulo era treinado por Dário Pereyra e tinha no elenco nomes como Rogério Ceni, Edmílson, Serginho, Sidney, Marcelinho Paraíba, Aristizábal e Dodô.

Já em 2006 perdeu o título da Recopa Sul-Americana para o Boca Juniors. O torneio reunia os campeões da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana. Na Bombonera, perdeu por 2 a 1. Já no Morumbi empatou por 2 a 2. O técnico era Muricy Ramalho.

CONSAGRAÇÃO DO MITO

O adversário desta noite tem um espaço nobre na história do São Paulo. Rivais pelas oitavas de final da Copa Libertadores. Após ter perdido por 1 a 0 na casa do rival, o time tricolor triunfou por 2 a 1, no Morumbi, e ficou com a vaga ao fazer 5 a 4 nos pênaltis.

O que torna aquele confronto especial é a atuação de Rogério Ceni no jogo em São Paulo. O Rosario Central chegou a abrir o placar aos 6 minutos do primeiro tempo. Luis Fabiano perdeu um pênalti logo depois. Mesmo assim o time tricolor empatou na etapa inicial com Grafite e, aproveitando o calor da torcida, nem desceu para o vestiário no intervalo. Permaneceu em campo aguardando os 45 finais. Foi a deixa que faltava para conseguir a virada, novamente com tento de Grafite.

Ceni já havia se destacado com defesas importantes durante o jogo, mas foi nas cobranças de pênaltis que o arqueiro justificou o apelido de Mito que começava a surgir. Até porque a disputa começou com Cicinho perdendo a primeira tentativa. O goleiro foi o último a bater, se perdesse era o fim. Ele foi e converteu o chute. Depois prolongou a série ao defender o que poderia ser a última cobrança da do Rosario. Na série alternada, ainda pegou o chute de Irace e classificou o time e deu a classificação ao São Paulo.

FUGA DE CAMPO

O São Paulo talvez seja o único clube no mundo que possa afirmar que foi campeão contra um time argentino, que "fugiu" de campo no segundo tempo fazendo o jogo terminar antes da hora. Isso ocorreu na final da Copa Sul-Americana de 2012.

O adversário era o Tigre, que até hoje contesta aquela partida. Houve empate sem gols no jogo feito na Bombonera, campo do Boca. Na volta, no Morumbi, o primeiro tempo terminou 2 a 0 para os tricolores. Aí ocorreu todo o problema.

Jogadores do Tigre alegam que foram agredidos por seguranças do São Paulo. Inclusive, no depoimento à polícia, declararam que alguém apontou uma arma para eles. Justificando falta de segurança, eles se recusaram a voltar para o segundo tempo.

O São Paulo não quis saber da polêmica e comemorou a taça, que foi confirmada pela Conmebol poucos dias depois.

OUTRAS DECISÕES

Além dos títulos conquistados e das taças perdidas, o São Paulo tem outros confrontos memoráveis contra argentinos.

Na Libertadores já eliminou o Newell's (oitavas em 1993), o já citado Rosario Central (nas oitavas em 2004), o River Plate (na semifinal em 2005) e o Estudiantes (nas quartas em 2006). Também tirou o Independiente na primeira fase da Supercopa de 1993 e o Boca Juniors nas oitavas da Copa Sul-Americana de 2007.

Por outro lado, foi eliminado quatro vezes. Caiu para o Boca Juniors duas vezes, na Copa Ouro de 1993 e na Supercopa da Libertadores de 1994. As outras duas eliminações foram na Sul-Americana. Para o River, em 2003, e para o Defensa y Justicia, no ano passado, naquela que é considerada uma das mais vexatórias de toda a história tricolor.