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Goleiro de R$ 200 mi do United não vê bem à noite, e ex-Palmeiras deu conselho: 'Não opera, vai que piora'

Dizem que nunca se deve confiar num barbeiro careca, num cardiologista fumante e num goleiro com problema de visão. No caso de David De Gea, arqueiro do Manchester United desde 2011, porém, dá para confiar "de olhos fechados".

O jogador da seleção espanhola, avaliado em 50 milhões de euros (R$ 200 milhões) pelo site especializado Transfermarkt, convive com a hipermetropia, condição do olho em que a luz é focada na parte posterior da retina, em vez de na própria retina. Com isto, a pessoa vê objetos próximos desfocados, enquanto enxerga normalmente objetos distantes.

Por causa disso, o atleta, considerado um dos melhores do mundo em sua posição, usa óculos fora de campo, e atua usando lentes de contato para corrigir a condição.

De Gea, de 27 anos, convive com esse problema desde que ingressou nas categorias de base do Atlético de Madri, em 2003. A hipermetropia, porém, jamais atrapalhou o atleta, que foi subindo degrau a degrau até alcançar a titularidade da equipe colchonera e explodir para o cenário mundial.

Entre amigos, inclusive, o próprio goleiro admitia que não enxergava bem.

"Ele me disse uma vez que tinha um problema grande de visão e que não enxergava muito, mas ainda assim defendia as bolas. Era impressionante (risos)", lembra à ESPN o ex-volante Paulo Assunção, revelado pelo Palmeiras e que foi companheiro de De Gea no Atlético entre 2009 e 2011.

"O maior problema dele era jogar de noite, mas ele chegava em todas as bolas e eu até brincava: 'Não opera esse olho não, desse jeito está bom. Vai que piora!' (risos). Se as coisas estavam dando certo, era melhor não mexer. Falei pra ele: 'Opera depois que você aposentar'", conta.

Assunção, aliás, viu todo o crescimento do arqueiro, desde a promoção do time B até a titularidade.

"Quando eu cheguei, ele era o 3º goleiro e só treinava. O que mais me impressionou foi o jeito que ele falou que queria ser jogador. Numa pré-temporada, ele viu que não ia ter chances, pois havia outros na frente dele. A diretoria queria emprestá-lo para um time menor, mas ele não quis. Disse que amava o Atlético e não ia sair", recorda.

"Mostrou muita personalidade. O sonho dele era jogar no Atlético e ele falou para mim: 'Paulo, prefiro ser reserva aqui e buscar meu espaço'", rememora.

O brasileiro lembra perfeitamente o dia em que De Gea tornou-se o nº 1 da equipe, em setembro de 2009.

"Ele sempre foi um goleiro muito rápido, que usava os pés para tirar o espaço dos atacantes. Aí teve um jogo contra o Porto, pela Champions League, que o titular (Asenjo) machucou e o reserva (Roberto) foi para o campo, mas se lesionou ainda no primeiro tempo. Aí entrou o David (De Gea) e foi um momento histórico", relata.

"Ele era só um moleque, e o estádio deles estava lotado com 40 mil pessoas. Achei que ele ia sentir e ficar nervoso, mas segurou tudo e não deixou pasar nada. Saía para jogar como se estivesse com os amigos dele no bairro. Parecia que estava em casa, e no final do jogo foi escolhido o melhor em campo", acrescenta.

"No final do jogo, dei um abraço nele e falei: 'David, isso que aconteceu hoje estava escrito. Que Deus te abençoe! Você será um grande jogador, garoto'. Depois disso, ele virou titular e nunca mais saiu do time", finalizou Paulo Assunção.

Após virar titular, De Gea foi campeão da Liga Europa em 2009/10 e da Supercopa da Uefa em 2010 antes de ser vendido ao Manchester United, em 1º de julho de 2011, por 25 milhões de libras (R$ 113,72 milhões, na cotação atual).

Na época, inclusive, os Red Devils sabiam que ele sofria com a hipermetropia e não havia realizado cirurgia a laser para corrigir. Isso foi inclusive usado como explicação pela imprensa inglesa quando o jovem espanhol cometeu muitas falhas em sua temporada de estreia, chegando a ir parar até no banco.

No entanto, depois ele se encontrou e hoje é dono absoluto da meta dos britânicos, além de ter conquistado a posição de titular da seleção espanhola após o ídolo Iker Casillas deixar de ser convocado - ele tem tudo para ser o camisa 1 da "Fúria" na próxima Copa do Mundo.

Quem o conhece desde os tempos de juvenil, aliás, garante que ele sempre esteve destinado ao sucesso.

"Quando eu vim para o Atlético, o David estava no juvenil. Ele se destacou e foi promovido ao time B, tendo um desempenho excelente. Dali já fez o salto para o time principal, primeiro treinando com o principal e jogando com o B, e depois assumindo a titularidade do principal", lembra o ex-zagueiro Luís Pereira, ídolo do Palmeiras e hoje scout dos madrilenhos.

"Ele é alto, ágil e um goleiro espetacular. Sempre pareceu ter uma experiência maior por causa disso. Hoje está vivendo um momento fora de série no Manchester United. Além disso, tem uma personalidade muito boa. Quando você fala alguma coisa, ele sempre acolhe seus conselhos", ressalta.

"E além de ser um ótimo goleiro, ele também joga muito bem com os pés. David se destacava em todas as partidas conosco. Ele é completo", encerra.

De Gea estará em campo nesta quarta-feira, às 16h45 (de Brasília), quando o Manchester United enfrenta o Sevilla, pelo jogo de ida das oitavas de final da Uefa Champions League. E mesmo que ele não enxergue tão bem, os torcedores dos "Diabos Vermelhos" têm plena confiança que ele irá fechar o gol na Espanha.