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'Espião' do Brasil em Copa e 'cérebro' por trás de título olímpico em 2016 inicia carreira como técnico na Arábia Saudita

Mauricio Dulac Al-Riyadh/Divulgação

Destino de centenas de profissionais estrangeiros e grandes estrelas do futebol mundial nos últimos anos, a Arábia Saudita tem sido casa de Mauricio Dulac, ex-auxiliar-técnico de Odair Hellmann, e que iniciou recentemente sua carreira como treinador.

Desde fevereiro, o profissional comanda o Al Riyadh, que hoje briga contra o rebaixamento na Liga Saudita. A equipe teve um grande respiro ao vencer o Al Ittihad, por 3 a 1. Porém, o caminho pela permanência na primeira divisão ainda é longo.

Mas a carreira de Dulac vai muito além da permanência na lateral do campo. Há mais de dez anos envolvido no futebol profissional, Mauricio começou a carreira como analista chefe da seleção brasileira, cargo que ocupou entre 2015 e 2017.

À ESPN, o profissional explicou como era o seu trabalho e como atuou até mesmo como uma espécie de “espião” do Brasil em Copa do Mundo.

“Eu fui o responsável por montar o setor de análise de desempenho na CBF. Foi batizado em 2016 pelo Tite como CPA (Centro de Pesquisa e Análise). Neste modelo eu atuava como coordenador de análise de desempenho e fui o responsável por na época montar todo um processo de planejamento, execução e controle nas ações da análise de desempenho da CBF”, iniciou.

“Tive o prazer de coordenar o setor nas Olimpíadas de 2016 (título do Brasil) e também montar um software de acompanhamento nas convocações de todas as seleções da época. Também participei no projeto da arbitragem com a utilização da análise de desempenho para árbitros e auxiliares”.

“Meu papel, além da parte esportiva, também foi na parte de gestão e desenvolvimento. Na Copa de 2018, fui o responsável pela observação dos adversários diretos da seleção. Fiquei no mesmo local da seleção e fazia as observações técnicas para o Tite e comissão”, contou Mauricio.

Em seguida, o profissional se juntou a Odair Hellmann e esteve ao lado do treinador em clubes como Fluminense, Al-Wasl, Santos e Al-Riyadh. Mas, em 2025, em um breve retorno ao Brasil, Mauricio voltou a ser analista do Fluminense e trabalhou com técnicos como Marcão, Mano Menezes e Renato Gaúcho.

À reportagem, o técnico explicou se carrega algum estilo dos nomes citados e quais são as suas prioridades como treinador. “Eu sempre busco o equilíbrio. Estes dois treinadores me ajudaram muito no processo de entendimento da gestão. São dois grandes treinadores que por onde passaram fizeram ótimos trabalhos”.

“Não posso fazer alguma coisa que meu grupo não esteja pronto para executar. A ideia base existe, mas não posso ser engessado e esquecer do contexto do clube e do grupo de atletas que tenho a disposição”, explicou Mauricio, que fez questão de chamar Odair de “amigo” e apontar o que aprendeu com o antigo “mestre”.

“No meu modelo, busco trabalhar os aspectos de gerenciamento de pessoas quase em simultaneamente com os aspectos técnicos e táticos. A geração de jogadores de hoje é completamente diferente da geração de jogadores quando comecei a trabalhar no futebol há mais de 20 anos".

À ESPN, Mauricio também falou sobre um possível retorno ao Brasil, revelou que teve duas sondagens e o que pensa para o futuro próximo na carreira.

“No momento meu foco é terminar a liga da melhor forma possível. Eu sinto que tenho muito a desenvolver por aqui ainda. Claro que o Brasil é casa, é família e não nego que o coração bate forte sempre que surge uma sondagem. Mas acima de tudo, tem de ser um projeto com o qual me identifique”.

“Tive duas sondagens de clubes do Brasil, mas não chegamos a um acordo. O mercado aqui também está agitado. Vamos ver o que o futuro nos reserva, mas para já, como digo, o meu foco é no Al Riyadh e terminar a liga no melhor lugar possível”, encerrou.