<
>

Sabia? A história do cantor de funk que jogou com Endrick na base do Palmeiras e se assustou quando o viu pela primeira vez: 'Roubava a atenção'

play
Ex-parceiro de Endrick na base do Palmeiras, cantor de funk lembra surpresa com joia: 'Chamava atenção desde pequeno' (1:29)

Nilo concedeu entrevista exclusiva ao ESPN.com.br (1:29)

Antes de assinar contrato na música e estourar nas plataformas digitais, Nilo viveu a rotina pesada da base de dois gigantes paulistas. Em entrevista exclusiva à ESPN, o ex-companheiro de treinos de Endrick no Palmeiras e com passagem pelo São Paulo, onde conviveu com Antony, relembrou os bastidores do futebol.

O hoje cantor de funk explicou por que decidiu parar ainda no sub-15 e detalhou como levou a disciplina dos gramados para os palcos. De quebra, opinou sem rodeios sobre o futuro de Endrick na seleção brasileira e na Copa do Mundo.

Nilo começou cedo no futebol. Aos 10 anos, foi para o Audax e logo se destacou. "Joguei a Associação Paulista e fui artilheiro do sub-11", lembra. Depois, fez teste no São Paulo e passou. "Fui jogador comum, sem negociação. Passei no teste. Joguei o sub-12 e o sub-13 lá, era titular, tinha um espaço bom."

Foi nesse período no CT de Cotia que ele conviveu com nomes que mais tarde ganhariam o mundo. "O Antony era um pouco mais velho. Eu convivia muito com ele no CT. Também tinha o David Neres. A gente estava sempre junto”, recordou.

Aos 14 anos, porém, veio o primeiro grande dilema: a obrigatoriedade do alojamento. "Minha mãe não queria que eu fosse morar no CT. Eu também, sinceramente, não queria tanto. Fiquei naquela dúvida se devia dedicar 100% da minha vida ao futebol", conta. Ele decidiu sair. Ficou quatro meses parado, até que a saudade da bola falou mais alto. Foi fazer teste no Palmeiras e passou novamente.

No Palmeiras, Nilo viveu nova fase de destaque na base. Mas foi ali também que conheceu de perto um garoto que já chamava atenção muito antes dos holofotes: Endrick.

"Desde a base, sempre foi muito forte. A gente ficava: 'Cara, esse moleque é muito forte'. Muito acima da média pra categoria", afirmou. "Ele sempre se destacou por essa potência física. Desde moleque já chamava muita atenção. Sempre roubava a atenção." Segundo Nilo, a força e a explosão do atacante eram diferenciais evidentes ainda na infância. "Até hoje, o principal que chama atenção nele é a potência física. Desde pequeno era assim."

A relação ultrapassou o campo. Quando decidiu largar o futebol para investir na música, Nilo sentiu o distanciamento de parte dos antigos companheiros. Mas não de Endrick.

"Quando eu parei de jogar e comecei a postar meus vídeos cantando, os moleques ficaram meio 'pá' comigo. Tipo, 'abandonou nós'. E eu comecei a cantar, totalmente o oposto do futebol. O Endrick sempre fortalecia, sempre divulgava meus vídeos, dava incentivo. Tenho muita gratidão por ele”, revelou. "Torço muito para que ele se torne uma estrela para o Brasil."

"Eu estava com uma lesão no quadril que ninguém descobriu o que era. Ia e voltava do departamento médico. Fui desanimando", disse. "Já estava meio infeliz com algumas coisas que eu vivia na base. Convívio, politicagem… quem entende do futebol sabe como funciona."

O conflito entre o amor pelo jogo e outros interesses também pesava. "Eu sempre gostei de cantar, de surfar. Pensava: será que devo dedicar toda a minha energia só ao futebol? Porque se você não se dedica 100%, não vira. E mesmo se se dedicar, pode não dar certo". Aos 15 anos, tomou a decisão definitiva: "Decidi parar mesmo no sub-15. Parei de vez."

Se deixou o futebol, Nilo não abandonou a mentalidade de atleta. Pelo contrário. "Quando eu parei de jogar futebol, eu já comecei a levar a música a sério porque vi como uma forma de fazer carreira mesmo”, explicou. "Eu trouxe a disciplina do futebol para a música. Sempre vi de forma muito objetiva o que eu queria."

Ele conta que, desde os 15 anos, tratou a nova profissão com rigor. "Postar vídeo, fazer música, todo dia eu me dedicava muito. Assinei meu primeiro contrato com 16 para 17 anos. No meu primeiro ano de GR6, acertei minha primeira música. Já estava ganhando dinheiro, me sustentando."

Nilo também conta que a rotina segue parecida com a de um jogador. “Eu tenho praticamente uma vida de atleta. Não fumo, não bebo. Treino, faço musculação, jiu-jitsu, nado. A base é muito pesada, treino todo dia, dois períodos. Eu não consegui me desvincular desse estilo de vida."

Nilo também conta que a rotina segue parecida com a de um jogador. "Eu tenho praticamente uma vida de atleta. Não fumo, não bebo. Treino, faço musculação, jiu-jitsu, nado. A base é muito pesada, treino todo dia, dois períodos. Eu não consegui me desvincular desse estilo de vida."

Endrick na Copa e o sonho do Hexa

Fã declarado do antigo companheiro Endrick, Nilo não esconde a opinião quando o assunto é seleção brasileira.

"Eu quero muito que ele vá para a Copa. Se não for, eu vou ficar bravo", disparou. "O moleque é decisivo. As oportunidades que teve pela seleção, deitou. Fez gol na Espanha, fez gol na Inglaterra. Não tem como não levar."

Para ele, Endrick pode ser diferencial no ataque. "Quem hoje tem mais futebol que ele ali? Vai colocar ele, o João Pedro… Quem vai bater de frente? Não tem."

Sobre o hexa, Nilo mantém a fé, mas pede continuidade no trabalho. Ele elogia o técnico Carlo Ancelotti e defende um projeto duradouro na Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

"O Ancelotti é muito competente. A CBF tem que ver como projeto a longo prazo. Mesmo que não ganhe a Copa, tem que manter para construir uma seleção”, analisou.

"O Brasil peca nisso, troca muito de técnico. Jogador de qualidade a gente sempre teve e sempre vai ter", finalizou.