OPINIÃO: França mostra força do elenco, mas precisa de ajuste na frente

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Mbappé pedalou para cima da marcação, cruzou, Maximilian Wöber cabeceou contra o próprio gol e fez 1 a 0 para a França (0:34)

Mbappé, Griezmann, Dembélé, Thuram, Coman, Giroud, Kolo Muani, Barcola, Nkunku, Ben Yedder, Diaby… A lista de bons atacantes franceses é enorme, maior do que a de qualquer outra seleção do mundo. Não falta opção para montar o ataque da França, mas a estreia na Eurocopa, nesta segunda contra a Áustria, mostrou que o técnico Didier Deschamps ainda terá trabalho para encontrar a melhor maneira de aproveitar todo esse potencial ofensivo.

A seleção francesa entrou com um ataque formado por Dembélé pela direita, Marcus Thuram pela direita, Mbappé pelo centro e Griezmann como meia centralizado que chega na frente como quarto atacante. Nessa configuração, Thuram muitas vezes fechava pelo meio para abrir o corredor esquerdo para o lateral Lucas Hernández ou mesmo para Mbappé cair por lá.

É uma formação muito móvel, com potencial para confundir a defesa adversária pela quantidade de jogadores que podem decidir em qualquer lado. No entanto, o jogo contra os austríacos mostrou que o setor ofensivo parecia esperar a referência de um centroavante na construção das jogadas. Como Giroud foi por muitos anos.

Nos primeiros minutos, a França conseguiu impor velocidade e criar boas chances de abrir o marcador pelo lado esquerdo. Após 15 minutos, a Áustria acertou a marcação e, apesar de o domínio continuar do lado azul, não havia mais tanta pressão. Os franceses não conseguiam uma finalização limpa diante da boa defesa austríaca.

Com dificuldade de abrir espaço em movimentação coletiva, o jeito foi contar com a individualidade. E aí a França também tem talento sobrando. Em uma estocada pelo lado direito, Mbappé fez o trabalho de ponta, chegou à linha de fundo e cruzou. O zagueiro Wöber se precipitou e acabou desviando a bola para o próprio gol.

O segundo tempo continuou na mesma toada. A França até teve um pouco mais de espaço, e Mbappé chega a perder um gol cara a cara com o goleiro Pentz, mas em vários momentos a jogada chegava ao meio da área chamando um centroavante que não existia. Giroud entrou apenas nos acréscimos, no lugar de Mbappé (que sofreu uma pancada forte no nariz em uma jogada aérea).

Se, na frente, a França mostrou ao mesmo tempo que tem muita força e que precisa afinar melhor seu mecanismo, atrás teve uma ótima notícia: Kanté. Deschamps surpreendeu ao colocá-lo como volante titular, mesmo após uma temporada na Arábia Saudita e tendo Camavinga como opção. O jogo deixou evidente que não foi uma escolha apenas pela experiência ou por alguma mística do titular do título mundial de 2018. Kanté esteve em forma física e técnica impecáveis, dominando o meio-campo com a capacidade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

O saldo final foi positivo, pois o jogo não escondeu a necessidade de ainda se trabalhar no time, mas a vitória veio e as estrelas tiveram bom desempenho individual. Para uma estreia, está bom.

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