Fábio Santos diz como salvou Róger Guedes de dispensa: 'Não pode abrir mão de um talento porque é rebelde'

Multicampeão por onde passou, o agora ex-jogador Fábio Santos, que encerrou a carreira no final do Brasileirão, ergueu muitas taças, conheceu muita gente e, até certo ponto, "salvou a carreira" de alguns antigos companheiros. Um deles é Róger Guedes, ex-Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG e que atualmente está no Al Rayyan, do Qatar.

Em entrevista ao Resenha ESPN, que será transmitido pela ESPN no Star+ às 22h (de Brasília) desta sexta-feira (22), o ex-lateral-esquerdo lembrou de histórias complicadas que viveu ao lado do atacante, principalmente quando ele estava no início da carreira. Os dois atuaram juntos no Galo antes de se reencontrarem no Timão.

"Esse aí eu falo: todo dia que acorda, reza para Deus e põe meu nome na oração (risos). No Corinthians ele estava bem mais tranquilo, tanto que eu vendo a imagem dele para o pessoal assim: 'Tudo que falam dele você esquece, depois vocês vão conhecer ele aqui'. E todo mundo amava no dia a dia. Mas essa mudança do Palmeiras para o Galo...", iniciou, lembrando quando atuaram juntos no time mineiro em 2018 e fazendo comparações com ninguém menos do que Adriano Imperador.

"Ele (Guedes) acabou perdendo a bola, era o Thiago Larghi o treinador da época. Deu uma bronca nele, que saiu chorando do vestiário. Lembro que era a primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Quando a gente volta de viagem, o Thiago me chama para falar: olha, 'Fábio, o Róger realmente não está dentro do nosso planejamento no sentido profissional'", contou Fábio Santos.

"Falou uma série de coisas, mas eu falei: 'Thiago, desculpa, mas eu tenho um negócio dentro de mim que carrego até hoje, que foi com o Adriano em 2011, que a gente perdeu um baita jogador daquele por besteira, por não saber lidar'. Óbvio que teve muita culpa dele, mas de repente se a gente soubesse lidar no dia a dia com ele de outra forma, talvez pudesse ter aproveitado o Adriano no Corinthians".

"E no outro jogo ele dá outra oportunidade, aí o Róger faz 13 gols em 14 partidas e é vendido para a China. E ele não me deu nada de dinheiro (risos)", se divertiu.

Fábio, que passou os primeiros anos de carreira como reserva de Júnior, no São Paulo, pediu mais paciência com atletas em início de carreira: "A gente não pode abrir mão de um talento de 20 anos porque ele é rebelde, porque ele está reclamando que a bola não vem, porque reclamou que ele foi substituído. Aí a culpa é sua, a culpa é minha, a culpa é do presidente".

E se um dia Róger deu bastante trabalho, atualmente ele vive outra realidade. Tanto é que sua saída foi bastante lamentada pelos torcedores do Corinthians, e muitos deles acreditam que a negociação do camisa 10 foi fundamental para o fracasso da equipe nas fases finais da Copa do Brasil e da CONMEBOL Sul-Americana.

"Hoje tenho o Guedes como um dos meus melhores amigos. Ele realmente entendeu que aquele lado rebelde dele não ia levar para lado nenhum. Tem uma personalidade muito forte, mas é muito mais fácil conviver com ele do que antigamente", encerrou.