Morreu nesta quinta-feira (4) o ex-meia-atacante João Leiva Campos Filho, mais conhecido como Leivinha, aos 76 anos.
Revelado pelo Linense, ele teve boa passagem pela Portuguesa antes de chegar ao Palmeiras e se tornar um ídolo eterno do clube.
Contratado em 1971 pelo Verdão, o atleta faz parte do famoso time da Segunda Academia, que dominou o Brasil no início daquela década.
Leivinha foi bicampeão do Campeonato Brasileiro e também bicampeão do Paulistão pelo Palestra.
Jogando ao lado dos também emblemáticos Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo, Zeca, Dudu, Ademir da Guia, Edu Bala, César Maluco e Nei, ele registrou 263 partidas pelo Alviverde, com 106 gols marcados (13º maior artilheiro do clube na história). Foram 156 vitórias, 78 empates e apenas 29 derrotas.
O camisa 8 também ficou muito lembrado pelo famoso gol anulado na final do Campeonato Paulista de 1971, contra o São Paulo.
Na ocasião, Leivinha marcou de peixinho, mas o árbitro Armando Marques anulou o tento alegando que ele havia usado a mão, tamanha a força do cabeceio. O Verdão acabou amargando o vice com o cancelamento do gol.
Em entrevista à Revista do Palmeiras, em 2016, o craque disse que o juiz um dia lhe procurou para pedir desculpas.
"Armando Marques queria sempre ser a atração do jogo, chamava todos os atletas pelo nome completo. Em 1973, ele foi acompanhar a Seleção Brasileira em uma excursão e, quando estávamos na Itália, veio falar comigo. Até então, nunca tínhamos conversado depois de 1971. Mas um dia, na hora do jantar, ele sentou ao meu lado e veio me pedir desculpa, admitindo que errou. Eu aceitei, falei que reconhecer o erro é uma virtude", contou.
O meia-atacante também era preciso nas assistências. Foi dele, por exemplo, o passe para o centroavante Ronaldo marcar o gol do título do Paulistão de 1974 em cima do Corinthians, que manteve o rival num jejum de 21 anos sem títulos.
"O título mais importante da nossa geração foi o de 1974. O Corinthians não conquistava um título há muito tempo (desde 1954) e, naquela ocasião, a imprensa ficou toda a favor do time deles. Talvez pelo próprio futebol, já que o Palmeiras estava acostumado a ser campeão e o Corinthians não ganhava nada. Fomos ao Morumbi e, se perdêssemos esse jogo, tudo bem. Quando chegamos lá, 80% da torcida era deles. Mas todos se esqueceram de um detalhe: o nosso time era melhor. E deram tanta responsabilidade aos atletas deles que a gente via que os caras estavam tremendo. Voltando ao Palestra Itália após o jogo, vimos a torcida deles queimando bandeiras do Corinthians. Foi uma loucura", rememorou.
O paulista de Novo Horizonte também se destacou na conquista de dois torneios Ramón de Carranza pelo Palmeiras, em 1974 (contra o Espanyol) e 1975 (contra o Real Madrid, com um gol de Leivinha).
Não à toa, chamou a atenção do Atlético de Madrid, que o contratou em 1975 - levando Luís Pereira junto no "pacote".
Com a camisa colchonera, fez um hat-trick logo na estreia, contra o Salamanca, e se notabilizou na conquista da Copa do Rei de 1975/76 e do Espanhol 1976/77.
Foram 90 partidas e 41 bolas na rede pelo clube espanhol, que o tem como um de seus grandes ídolos.
"Aconteceu tudo muito rápido. Lembro que fomos contratados pelo Atlético já no avião de volta para o Brasil. Assim que chegamos, tivemos que pegar outro voo para a Espanha para assinar o contrato. Eu tinha feito uma promessa ao meu avô, que era espanhol, que um dia eu jogaria na Espanha. Graças a esse título, consegui cumprir minha palavra com ele. Até fui lá na terra dele, tirei fotos e dei para ele depois. Ele ficou muito feliz", relatou.
Jogador acima da média, Leivinha representou a Seleção Brasileira entre 1968 e 1978, fazendo 27 partidas e sete gols.
O meia-atacante fez parte do elenco que disputou a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, e ficou marcado eternamente na história da equipe canarinho por ter feito o 1000º gol da história da Seleção, em 27 de maio de 1973, contra a Bolívia, no Maracanã.
O craque se aposentou no São Paulo, em 1979. Ele acabou jogando pouco pelo Tricolor, já que lesionou o joelho e optou por encerrar a carreira precocemente, com apenas 29 anos.
Depois da aposentadoria, trabalhou como comentarista de futebol na televisão. Nos últimos anos, vinha lutando contra o mal de Alzheimer, que debilitou sua saúde.
