Neymar está a mínimos detalhes de encerrar a passagem pelo futebol europeu justamente dez anos depois de desembarcar como o próximo grande craque brasileiro que conquistaria o Velho Continente com talento e habilidade de sobra, gols em abundância e títulos para invejar qualquer um.
Prestes a ser anunciado como reforço do Al Hilal, o atacante de 31 anos vive uma situação completamente diferente da que quando chegou. Se antes era disputado por todos os grandes do continente, Neymar viu suas opções na elite se restringirem por questões financeiras basicamente e viu a mudança para a Arábia Saudita como a mais, ou até única, viável.
E, se está de saída no momento, como foram os dez anos de Neymar atuando na Europa? O ESPN.com.br relembra abaixo, em dez tópicos, a trajetória do maior craque brasileiro dos últimos tempos com as camisas de Barcelona e PSG, as únicas que vestiu desde que deixou o Santos, em 2013.
Temporada de adaptação
Contratado pelo Barcelona em maio de 2013 por 35 milhões de euros anunciados na época, valores depois contestados e revelados anos depois, Neymar viveu uma temporada de altos e baixos no clube catalão.
Fez gol do único título do clube na temporada, o da Supercopa da Espanha, mas, como seria natural, oscilou bastante para se adaptar ao modelo de jogo catalão e, principalmente, a atuar lado a lado com Lionel Messi.
Foram "apenas" 17 gols e 13 assistências em 40 jogos oficiais, números que certamente poderiam ser maiores se o Barça não vivesse uma época de reformulação sob o comando de Gerardo "Tatá" Martino, que, aliás, durou apenas um ano no Camp Nou.
Artilheiro e decisivo na Champions
O segundo ato de Neymar na Europa foi simplesmente mágico e mostrou todo o potencial que todos esperavam que ele atingisse. Completamente recuperado da lesão que o tirou da Copa do Mundo, o craque ganhou um novo técnico (Luis Enrique), mais um companheiro de ataque (Luis Suárez) e deslanchou.
Com 39 gols e seis assistências em 52 atuações, Neymar foi decisivo nos títulos de LALIGA, da Copa do Rei e, especialmente da Uefa Champions League, deixando pelo caminho no mata-mata Manchester City, PSG, Bayern de Munique e a Juventus, na final.
O brasileiro foi o único da equipe a marcar em todos os jogos a partir das quartas de final e terminou como artilheiro da Liga dos Campeões, com dez gols. O último deles, aliás, decretou a vitória por 3 a 1 sobre a Juventus e deu a Neymar o título que ele tanto sonhava.
Auge do trio MSN
A parceria entre Messi, Suárez e Neymar garantiu o título europeu logo em sua primeira temporada, mas, em números, conseguiu ser ainda melhor na campanha seguinte, em 2015/16.
Os três, juntos, foram responsáveis por 131 gols ao longo do ano, com 66 assistências e quatro títulos ganhos (Supercopa da Uefa, Mundial de Clubes, LaLiga e Copa do Rei). Para completar o sextete, faltaram a Supercopa da Espanha e a cobiçada Liga dos Campeões, em que o Barça parou nas quartas de final para o Atlético de Madrid.
Para Neymar, a temporada foi repleta de sucesso, com 31 gols e 21 assistências em 49 jogos, o que fez o brasileiro participar, em média, de mais de um gol por partida. O trio parecia inquebrável, mas o futuro não foi assim.
Último ato no Barça
A temporada final de Neymar na Catalunha aconteceu em 2016/17, um período em que o trio MSN continuou empilhando gols (111, somando os 54 de Messi, os 37 de Suárez e os 20 do brasileiro), mas que as taças importantes não apareceram. LALIGA acabou nas mãos do Real Madrid, que também faturou a Champions League.
Ao Barça, sobrou apenas a Copa do Rei e a Supercopa da Espanha, troféus menores e que pouco agradaram a torcida. Tanto que a temporada ficou marcada por um jogo que não valeu título algum.
Nas oitavas de final da Liga dos Campeões, o Barcelona levou 4 a 0 do PSG na primeira partida e voltou para casa "eliminado". Eis que, com uma atuação gigantesca de Neymar, somada a uma arbitragem polêmica, o time catalão conseguiu a remontada com um placar incrível de 6 a 1. Mas o favoritismo acabou na fase seguinte, quando a Juventus eliminou o MSN.
Jogador mais caro da história
A quinta temporada na Europa foi também a que colocou Neymar como o jogador mais caro de todos os tempos, em posto que continua até hoje. Em busca de uma experiência nova, que até hoje não ficou 100% claro se por uma vontade de ser a grande estrela de um clube e não mais dividir o protagonismo no Barcelona, o atacante custou 222 milhões de euros ao PSG, que o apresentou com direito a nome na icônica Torre Eiffel.
Em números, a primeira campanha de Neymar no PSG foi a melhor dele em campos franceses. O astro anotou 28 gols e deu 17 assistências em 30 jogos, desempenho que ajudou o clube a conquistar os quatro títulos locais (Campeonato Francês, Copa da França, Copa da Liga e Troféu dos Campeões). Faltou a Champions, que, após uma primeira fase espetacular, acabou nas oitavas, com eliminação para o Real Madrid e Neymar machucado.
Outro ponto marcante de seu primeiro ano em Paris foi a desavença com Edinson Cavani e a disputa nos bastidores sobre quem bateria os pênaltis. A queda de braço acabou com vitória do brasileiro, ao menos até a grave lesão no tornozelo que atrapalhou, inclusive, o desempenho de Neymar na Copa do Mundo de 2018.
Fim precoce de temporada
Se já havia atuado pouco no primeiro ano, por causa de uma lesão no quinto metatarso, o fantasma dos problemas físicos voltou a atingir Neymar em sua segunda temporada com a camisa do PSG, em 2018/19. O atacante chgou a ficar três meses sem atuar, de janeiro a abril, quando novamente perdeu a fase decisiva da Liga dos Campeões.
No torneio europeu que até hoje é obsessão, o PSG caiu nas oitavas de final para o Manchester United, perdendo a partida decisiva por 3 a 1 em casa, com o brasileiro das tribunas de imprensa. Em títulos, só dois chegaram para a equipe de Thiago Silva, Marquinhos e Daniel Alves: a Ligue 1 e o Troféu dos Campeões.
Individualmente, Neymar manteve a alta média de gols, com 23 tentos e dez assistências em apenas 28 jogos, um número que, até hoje, é o mais baixo da carreira do atacante desde quando subiu ao time principal do Santos, em 2009.
Vontade de sair e ruptura com a torcida
O terceiro ano de Neymar em Paris, em 2019/20, quase não aconteceu por vontade do ataque, que deixou clara a intenção de voltar ao Barcelona e abdicar do restante do contrato que tinha com o PSG. "Quando tomei a decisão que queria sair do PSG, foi porque vi que me sentia melhor em outro lugar do que aqui", chegou a declarar o jogador.
O Paris Saint-Germain bateu o pé e segurou Neymar, mesmo contra a vontade do atleta e até mesmo da torcida, que rompeu completamente com o atacante ao ver que ele não gostaria mais de vestir a camisa do clube.
Mas os fãs tiveram que "engolir" o camisa 10 logo em sua reestreia. Pela 5ª rodada do Campeonato Francês, Neymar fez de bicicleta o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Strasbourg. Depois deste, o craque marcou mais 18 vezes em apenas 26 atuações, numa temporada completamente prejudicada pela pandemia de COVID-19.
Faltou a cereja do bolo
Em 2019/20, o PSG venceu os quatro títulos locais mais uma vez e ficou a detalhes de levar para casa também a cobiçada Liga dos Campeões. Muito graças ao desempenho da dupla Mbappé e Neymar.
Dessa vez em forma durante toda a competição, o brasileiro ajudou o Paris a romper a maldição das oitavas de final, eliminando o Borussia Dortmund de Erling Haaland. Já em Lisboa, cidade escolhida pela Uefa para receber a fase decisiva da Champions em meio à pandemia, o PSG venceu Atalanta e RB Leipzig para chegar à primeira final de sua história.
O problema estava do outro lado: um Bayern com 100% de aproveitamento e em estado de graça. Os alemães venceram a decisão por 1 a 0, gol de Kingsley Coman, e fizeram Neymar ser flagrado aos prantos pouco depois do apito final. Acabava ali a maior chance de conquistar a Europa fora do Barcelona
Reencontro com Messi
Depois de uma temporada decepcionante em 2020/21, em que parou nas semifinais da Champions e até o título francês escapou das mãos, o PSG investiu pesado e fez um mercado repleto de contratações pesadas para 2021/22. Gianluigi Donnarumma, Achraf Hakimi, Sergio Ramos, Georgínio Wijnaldum e, sobretudo, Lionel Messi, desembarcaram no Parque dos Príncipes para formar uma seleção ao lado de Neymar, Mbappé, Marquinhos e outros.
O supertime no papel não teve o sucesso que todos imaginavam em campo. No reencontro com o amigo Messi, Neymar anotou apenas 13 gols e oito assistências, no pior desempenho individual que ele teve em uma década de Europa, enquanto o argentino, visivelmente desconfortável sem a camisa do Barcelona, também pouco fez.
O balanço da temporada foi apenas o título francês, ganho com 15 pontos de vantagem sobre o Olympique de Marselha, mas eliminações nas oitavas de final da Copa da França e da Liga dos Campeões, esta para o Real Madrid, e o vice-campeonato do Troféu dos Campeões.
Adeus fora dos campos
Neymar seguiu em Paris para 2022/23 e, de quebra, ativou a cláusula de renovação automática de seu contrato, até 2027. Novamente ao lado de Messi e Mbappé, o brasileiro viu o PSG mudar de técnico (Christophe Galtier assumiu a vaga de Mauricio Pochettino), embora o rendimento em tempo praticamente não tenha se alterado.
A Champions acabou de novo nas oitavas de final, assim como a Copa da França. De novidade, apenas o título do Troféu dos Campeões, lado a lado com o da Ligue 1, embora este tenha sido conquistado sem a contribuição de Neymar na reta final.
Com 18 gols e 16 assistências até fevereiro, Neymar vivia uma boa temporada quando sofreu uma grave lesão no tornozelo, que o obrigou a passar por cirurgia e o tirou dos meses finais da campanha. A partida contra o Lille foi a última oficial que o brasileiro fez com a camisa do PSG. Ele retornou aos campos em 3 de agosto, para amistoso de pré-temporada com o Jeonbuk Motors, da Coreia do Sul, e brilhou com dois gols no último ato como atleta do clube francês.
