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Sensação do Paulista, São Bernardo é cobrado por calote em hospital na conta de Marcelo Veiga, técnico que iniciou projeto e morreu de COVID-19

Jogadores do São Bernardo prestam homenagem a Marcelo Veiga antes do duelo com a Portuguesa Ale Vianna/W9 PRESS/Gazeta Press

Sensação do Campeonato Paulista, o São Bernardo é cobrado na Justiça por uma dívida de mais de R$ 500 mil referente à internação de Marcelo Veiga na Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista, em 2020. O treinador, que participou do projeto de reconstrução do clube, ficou internado por COVID-19 por 30 dias até morrer.

O caso está na Justiça desde 18 de maio de 2021 com réplicas, tréplicas e uma tentativa de conciliação, em 9 de fevereiro de 2022, mas ainda não tem data de julgamento marcada. Além do São Bernardo, o Grupo Magnum, de Roberto Graziano, proprietário da equipe ABC, e Thamires Veiga, única filha de Marcelo, também são cobrados na ação.

O início dessa história remete a 14 de novembro de 2020, precisamente às 19h23, quando Veiga deu entrada na Santa Casa de Misericórdia, de Bragança Paulista, com COVID-19.

Internado para tratamento, ele foi transferido para a UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] dois dias depois em estado grave. Ficou até 14 de dezembro de 2020, data do óbito.

A conta final calculada pela Santa Casa era de R$ 394.322,64, da qual o hospital subtraiu R$ 58.000,00 (soma de R$ 3 mil e R$ 10 mil pagos pelo São Bernardo mais R$ 45 mil pagos por Roberto Graziano durante a internação de Veiga), restando R$ 336.322,65.

A Santa Casa não recebeu até hoje, mesmo tendo cobrado o São Bernardo e negociado formas de pagamento (veja mais abaixo) antes de ingressar na Justiça.

Entendendo o caso: Marcelo Veiga e o São Bernardo

Marcelo Veiga foi contratado pelo São Bernardo de novembro de 2019, no início do projeto de reconstrução do clube sob a gestão de Roberto Graziano, do Grupo Magnum.

"Nós partimos do zero. Só tínhamos um CNPJ e uma vaga na Série A2. Tivemos de alavancar tudo. Veiga foi crucial desde o adubo até a montagem do elenco para 2020", disse Lucas Andrino, diretor da GoldSports, braço esportivo da Magnum, à ESPN em 2021.

O clube também não tinha local para treinos e jogos, uma vez que não podia usar o estádio 1º de Maio, em São Bernardo do Campo. Foi Veiga quem indicou o Seven Resort, em Atibaia, usado até hoje como centro de treinamento pelo time.

"Nós começamos a recuperação do campo, e o Marcelo participou de tudo: a escolha do adubo, a definição da medida do campo, a seleção das 'tias' da cozinha", disse Andrino.

Veiga dirigiu o São Bernardo na Série A2 de 2020, na qual a equipe foi eliminada pelo São Bento na semifinal. Já na Copa Paulista daquele ano comandou os jogos da primeira fase até ser afastado por COVID-19 após um surto que acometeu o clube.

Foram 30 dias internado e, dois dias depois da morte dele, o clube entrou em campo contra a Portuguesa pela semifinal da Copa Paulista. Os jogadores apareceram com uma faixa "Para sempre Veiga". A filha do treinador também esteve em campo. Mas o time acabou derrotado por 3 a 0 e foi eliminado, mas o projeto do São Bernardo prosseguiu.

De lá para cá, o clube conquistou a Série A2 e a Copa Paulista de 2021. No Paulistão deste ano terminou a primeira fase como sensação com campanha inferior apenas ao Palmeiras, seu algoz nas quartas de final. Pelo quinto lugar foi premiado pela Federação Paulista com R$ 500 mil. Depois, como campeão da Taça Independência, recebeu mais R$ 400 mil.

Em 2021, a ESPN produziu uma reportagem sobre a morte de Marcelo Veiga e o último trabalho dele. Alguns jogadores, o auxiliar técnico Sérgio Ricardo e Lucas Andrino contaram como foi e como o São Bernardo sofreu um surto, com quase todo o elenco infectado.

"Acho que foi o primeiro surto no futebol brasileiro que impactou. Se não me engano, em três testes deu quase 25 positivos. Infelizmente, é muito difícil você controlar. Mesmo que tivesse álcool em gel em todos os quartos, todo mundo usando máscara, chega uma hora, no treinamento e nas refeições, que você acaba tendo contato sem máscara", disse Guilherme Mattis.

"Por incrível que pareça, os três que eu dava carona testaram positivo. Deu dois dias, eu testei positivo. Foi uma bola de neve. Primeiro cinco pessoas, depois sete, depois mais três”, disse Pará. “O que passamos nesse CT foi uma coisa de terror que eu nunca vi. Parecia uma cidade faroeste abandonada. Um cara no quarto mal. Outro isolado. Você não sabe o que vai acontecer", disse Sérgio Ricardo, um dos poucos que não foi infectado.

Na época, havia um um protocolo para os clubes de futebol com diretrizes como exigência de uso de máscara (exceto em atividades físicas, como treinos, jogos), realização de testes antes e depois das partidas, proibição de imprensa em treinos e jogos, ausência de torcida nos estádios, entre outras medidas para fazer do futebol uma "bolha". Mas a do São Bernardo "furou".

Quem assume a conta?

Ao longo da peça processual, a Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista aponta o São Bernardo como "tomador de serviços", ou seja, o responsável pela contratação do tratamento particular oferecido pelo hospital ao técnico Marcelo Veiga.

Incluiu como evidências um comprovante de pagamento feito pelo São Bernardo no valor de R$ 3 mil em 17 de novembro, três dias após a internação de Veiga.

Também anexou troca de e-mails de seus colaboradores com diretores do São Bernardo (Lucas Andrino e Daniel Flumignan) e por WhatsApp com Lucas Andrino.

Em um dos e-mails, Andrino informa ao hospital que "São Bernardo FC será responsável pelo pagamento integral do tratamento Ecmo no paciente Marcelo Castelo Veiga".

Os diálogos de WhatsApp ocorreram entre o setor financeiro da Santa Casa supostamente com Lucas Andrino. Em 21 de dezembro de 2020, sete dias após a morte do treinador, abordaram o valor final, a forma de pagamento e um pedido de desconto do São Bernardo.

Inicialmente, o funcionário questiona se já há algum posicionamento da direção do clube sobre o pagamento da conta, o que Andrino responde da seguinte forma: "Gostaria que passasse para a Adm [administração] nossa proposta de pagamento da internação do Sr. Marcelo Veiga: 3 pagamentos de 50 mil reais". A resposta do hospital está registrada no minuto seguinte: "Bom dia, sr. Lucas, e o valor restante, como iriam fazer?".

O diálogo continua.

Andrino diz: "Essa é uma proposta de quitação", "A Santa Casa de [sic] comprometeu em auxiliar na reanálise do valor". O representante do setor financeiro responde: "Isso mesmo, a conta foi reavaliada e eles concedem o desconto conforme te informei, a vista o desconto foi de R$ 108.322,65 e no caso de parcelamento o valor do desconto foi de R$ 94.322,65".

Trinta e um minutos depois, o representante do hospital informa que fez uma nova consulta à administração, reforça que já havia sido concedido um desconto e diz: "O que podemos aceitar é 3 pagamentos de R$ 76.000”. Andrino só volta a responder no dia seguinte, 22 de dezembro, às 14h48, após ser cobrado algumas vezes pelo hospital. Ele diz: "Quando eu tiver [um retorno] eu vou te avisar – Não adianta ficar me mandando msg [mensagem]".

Ao tentar responsabilizar o São Bernardo, a Santa Casa também se baseou na relação existente entre ela e o São Bernardo até aquele momento. O hospital atendia os jogadores vinculados à equipe de forma particular. As despesas desse atendimento (fossem exames ou procedimentos) eram encaminhadas ao clube para pagamento. Foram incluídos alguns comprovantes ao processo de diferentes períodos de tempo que demonstram isso.

Por exemplo, o goleiro Moisés foi atendido pela Santa Casa em 31 de janeiro de 2020. O valor da despesa pelo atendimento foi de R$ 1.500, pago pelo São Bernardo em 6 de fevereiro. O goleiro Junior Souza foi atendido em 30 de julho daquele ano. A despesa foi de R$ 3.245, com o pagamento realizado na mesma data pelo clube do ABC paulista.

No processo a Santa Casa afirma que também cobrando do Grupo Magnum pelo fato de o dono da empresa ser também o proprietário do São Bernardo. E cobra Thamires Veiga por “legitimidade passiva” como única herdeira de Marcelo Veiga, segundo o Código Civil.

O que dizem São Bernardo e Magnum

As defesas de São Bernardo e Magnum foram apresentadas de forma separada no processo. Há réplicas, tréplicas e até um pedido de perícia médica para verificar se a conta final do hospital é condizente com os procedimentos e com o contexto do tratamento.

Entre os pontos principais da defesa, a Magnum argumenta que foi Marcelo Veiga quem contratou o atendimento particular do hospital; afirma não estar vinculada ao São Bernardo administrativamente, mas sim como patrocinadora, embora reconheça que o proprietário é o mesmo; e também nega qualquer vínculo com Lucas Andrino.

"[Ele] não perfaz a diretoria da Magnum, sequer possui qualquer ligação para com esta, não podendo ele falar em nome da empresa em qualquer esfera, quanto menos assumir obrigações em nome da Magnum”, diz trecho da defesa.

Mesmo com contraprovas posteriores, entre as quais o hospital utiliza reportagens que expõem vínculo entre Graziano (Magnum) e Andrino no Palmas-TO, em 2013, e depois no Guarani, de 2014 a 2020, a empresa manteve a mesma argumentação inicial.

Sobre o pagamento de R$ 45 mil feito por Roberto Graziano, a defesa da Magnum diz que "o pagamento foi realizado à título de auxílio ao Sr. Marcelo Veiga, mas isto é uma questão que surgiu do âmago pessoal do Sr. Roberto, não havendo nada que traduza a intenção da Ré em se obrigar ao tratamento do Sr. Marcelo como tenta fazer crer a Autora".

O São Bernardo também contesta a cobrança. A começar o valor cobrado pelos 30 dias de internação, o que fez o clube solicitar uma perícia médica para avaliação do procedimento adotado pelo hospital, assim como os valores faturados em nota pelos serviços de UTI.

O clube contesta ser o responsável pela dívida, colocando que foi uma consulta particular. Também alega que o treinador não contraiu COVID-19 nas dependências do São Bernardo, o que desobrigaria a agremiação a arcar com o tratamento. Ainda afirma que os pagamentos efetuados (que somam R$ 13 mil) "foram no sentido de que o melhor fosse possibilitado [a Marcelo Veiga], sem que isto abarque obrigações ao Réu".

Mesmo com acesso ao processo, portanto, às defesas de São Bernardo e Magnum, a reportagem entrou em contato com a assessoria do clube/empresa para ouví-los.

Em nota, eles dão a versão deles para o não pagamento da conta no hospital. Veja um trecho abaixo, mas a íntegra do documento está no final da reportagem.

"Quando o São Bernardo FC soube que o Veiga testou positivo para o COVID, tratou de o afastar das suas atividades para que ele pudesse cuidar da sua recuperação. Houve um acompanhamento e foi prestada toda a assistência, notadamente quando o Veiga se internou ante a evolução da doença. Inclusive, em dado momento da internação, o hospital comunicou a necessidade da contratação de um equipamento que seria imprescindível para o tratamento do Veiga, que o aparelho custava em torno de cem mil reais e a família não tinha condições de custear o tratamento. O SBFC buscou junto aos patrocinadores meios para contratar o equipamento e ajudar no tratamento do profissional e amigo Veiga".

"Não obstante, o quadro de saúde dele se agravou, vindo a nos deixar em 14/12/2020. Após isso, o hospital Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista, moveu uma ação judicial contra a filha do Veiga, do SBFC e um patrocinador, com o objetivo de cobrar pelo tratamento médico enquanto Veiga permaneceu internado. Este processo está em tramitação pois discute-se uma cobrança exorbitante nas despesas apresentadas".

O que diz a filha de Veiga

Thamires Veiga recebeu a reportagem da ESPN para falar da cobrança. Ainda bastante abalada sem o pai e tentando seguir em frente, ela disse que o processo a surpreendeu.

"Chegou uma notificação que a conta do hospital não tinha sido paga. Como assim eu não paguei o hospital? O São Bernardo falou que ia cuidar de tudo. Foi quando eu descobri, no mesmo dia que eu internei minha avó [mãe de Marcelo Veiga], e ela faleceu uma semana depois, que o São Bernardo não tinha pago as contas do hospital, que estava basicamente tudo nas minhas costas, de certa forma. As coisas pra mim já não estavam fáceis e a partir dali ficaram ainda mais difíceis", disse Thamires, que tem 28 anos.

Durante a entrevista, ela recordou que o primeiro o ano de pandemia, quando ela e a avó, mãe de Marcelo Veiga, foram morar com ele em Bragança Paulista. Naqueles dias em que ninguém podia sair de casa, com os jogos de futebol suspensos no mundo, eles se isolaram juntos. Quando começou a haver uma flexibilização, ela voltou para São Paulo, e o pai voltou à rotina de trabalho no São Bernardo. Segundo ela, frequentando apenas o ambiente do clube. Isto é, os jogos em São Bernardo do Campo, e os treinos, em Atibaia.

Mesmo assim, Marcelo Veiga acabou pegando COVID-19. Thamires descreveu para a reportagem como foi que o pai dela chegou ao hospital para ser internado e que ele só aceitou a consulta particular após receber a aval do São Bernardo.

"O doutor Alexandre [Moreira], que era médico do clube, levou ele com minha avó pra Santa Casa em Bragança para que ele fosse internado. Meu pai não tinha plano de saúde. Ele ia entrar no SUS até que o Lucas [Andrino] liga e fala: 'Não interna no SUS. Pode internar no particular que a gente vai cuidar de tudo'”, disse Thamires.

Tanto na entrevista como na peça processual de defesa, ela diz que sempre recebeu apoio do São Bernardo, inclusive ouvindo de diretores que eles cuidariam das despesas.

Sobre o período do pai na UTI, quando ela recebeu autorização do hospital para fazer visitas presencials, Thamires recorda dois episódios com muita tristeza.

"Lembro que o Lucas [Andrino] me ligou quando meu pai estava para ser entubado e perguntou se eu queria que meu pai fosse transferido para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde o Roberto [Graziano], da Magnum, tinha sido tratado. O médico chefe da Santa Casa foi muito sincero: ‘Acho que seu pai não aguenta o transporte. Ele não chega vivo em São Paulo’. Aí o Lucas me assegurou que eles tinham conversado com o médico do Albert Einstein para consultar a equipe da Santa Casa e ver se todos protocolos batiam. E todos protocolos batiam. A única coisa que eles poderiam sugerir é que ele [Marcelo Veiga] fosse colocado em Ecmo [oxigenação por membrana extracorpórea] para dar um descanso para o pulmão. Acho que dali uns dois dias a máquina chegou. Tudo custeado pelo São Bernardo. O Lucas intermediando tudo. Não tinha essa máquina em Bragança. Eles levaram só para o meu pai", disse Thamires à reportagem da ESPN.

A outra lembrança ocorreu alguns dias depois.

"Teve um dia no hospital que uma moça da Santa Casa me recebeu e disse: ‘Preciso que você vá até o financeiro comigo’. Eu cheguei lá e o moço falou: ‘Você está ciente dessa conta?’. Eu disse que sim e que o São Bernardo tinha se prontificado a pagar. A resposta foi: ‘Sim, eu já recebi o e-mail, mas o rapaz não está respondendo a gente'. Era o Lucas [Andrino]. Eu mandei mensagem para ele no dia, e ele falou: ‘Nossa, que chato que te procuraram dessa maneira. Pode deixar que eu vou responder sim e vou falar com eles. Fica tranquila’. Eu fiquei tranquila até seis meses depois do meu pai morrer. Aí chegou um processo no meu nome. Quando chegou esse processo em nenhum momento eles me procuraram. Meu único contato foi com os advogados deles na primeira audiência de conciliação [que foi online, no ano passado]. Tentaram fazer um acordo entre eu, São Bernardo e Santa Casa. Eles recusaram o acordo", disse Thamires.

Hoje, além de se defender do processo de cobrança da Santa Casa, inclusive com a inclusão de material que responsabiliza o São Bernardo, Thamires Veiga também move um processo trabalhista contra o clube para comprovar vínculo do pai com o clube. Nesta sexta-feira (14), ocorrerá o julgamento em primeira instância.

A peça contém anexos que buscam comprovar que o treinador realmente foi infectado pela COVID-19 no ambiente do clube, como mensagens de Veiga para Andrino em que o treinador cobra a falta de realização de testes em jogadores recém-contratados em 2020.

Outro ponto incluído na última peça de defesa de Thamires no processo de cobrança do hospital é que o São Bernardo não contratou um seguro saúde para o pai, algo que, segundo a Lei Pelé, é responsabilidade do clube. Quando não ocorre essa contratação, a agremiação fica responsável pelas despesas médicas do contratado.

"A vida seguiu para todo mundo. Para os amigos dele, para os companheiros de clube. Até para o São Bernardo, que contratou outro técnico. Mas não seguiu pra mim. Eu não posso contratar outro pai. E agora tenho que lidar com a fama de que a família é caloteira em Bragança Paulista, justo onde meu pai construiu a história dele, com mais de 500 jogos no comando do Bragantino", disse Thamires à reportagem.

São Bernardo/Magnum à reportagem

Assim como fez com Thamires, a ESPN procurou o São Bernardo e o Grupo Magnum nesta semana. A assessoria de imprensa encaminhou o posicionamento abaixo. Veja:

"O Marcelo Veiga foi um grande profissional e muito querido por todos no SBFC no período em que foi técnico do clube. Teve uma trajetória vencedora, inspirando os atletas e todos ao seu redor.

Infelizmente, foi mais uma vítima da pandemia do COVID-19, sendo que deixará saudades, e é digno de todas as homenagens, carinho e admiração, não somente do clube, como também de todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Quando o SBFC soube que o Veiga testou positivo para o COVID, tratou de o afastar das suas atividades para que ele pudesse cuidar da sua recuperação. Houve um acompanhamento e foi prestada toda a assistência, notadamente quando o Veiga se internou ante a evolução da doença.

Inclusive, em dado momento da internação, o hospital comunicou a necessidade da contratação de um equipamento que seria imprescindível para o tratamento do Veiga, que o aparelho custava em torno de cem mil reais e a família não tinha condições de custear o tratamento.

O SBFC buscou junto aos patrocinadores meios para contratar o equipamento e ajudar no tratamento do profissional e amigo Veiga. Não obstante, o quadro de saúde dele se agravou, vindo a nos deixar em 14/12/2020.

Após isso, o hospital Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos da Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista, moveu uma ação judicial contra a Filha do Veiga, do SBFC e um patrocinador, com o objetivo de cobrar pelo tratamento médico enquanto Veiga permaneceu internado. Este processo está em tramitação pois discute-se uma cobrança exorbitante nas despesas apresentadas.

Além disso, dois anos após o falecimento do Veiga, a sua filha entrou com uma ação judicial contra o SBFC pois pretende imputar ao clube a responsabilidade pela contaminação com o COVID em plena pandemia, sendo que este processo ainda está em tramite na justiça.

O SBFC tomou todas as medidas cabíveis para manter a segurança da sua equipe quando a Federação determinou o retorno dos campeonatos. Todos os protocolos de segurança foram implementados e seguidos, todos realizavam exames até 3 vezes por semana, e contavam com acompanhamento médico e assistencial.

O COVID-19 foi uma pandemia de escala mundial que ceifou a vida de milhões de pessoas e que infelizmente também vitimou alguém tão especial.

O SBFC esclarece, por fim, que prestou toda a assistência e apoio ao Marcelo Veiga, seguiu todos os protocolos sanitários, e lamenta muito a perda do grande profissional que faz parte da história do clube e do futebol nacional."