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Advogado de vítima de Robinho crê em prisão no Brasil: 'Virar a página e mostrar que Justiça foi feita'

Advogado da vítima no caso que condenou Robinho por estupro na Itália, Jacopo Gnocchi está confiante que a pena de prisão será cumprida no Brasil. Em entrevista exclusiva à ESPN, o italiano falou como enxerga as movimentações recentes da Justiça brasileira e também como a mulher albanesa tem seguido sua vida.

"Nós estamos absolutamente otimistas que o Brasil reconhecerá a legalidade do pedido da Justiça italiana e executará a pena no Brasil. Nós sempre dissemos que, para nós, é indiferente que a condenação seja cumprida na Itália ou no Brasil. O importante é que seja executada. Isso é o relevante", contou ele à reportagem.

"Sabemos que o Brasil não fará a extradição por causa da Constituição do país, e isso é algo que respeitamos. Mas, se há a possibilidade de a execução ser feita no Brasil, que seja executada", complementou, citando a legislação brasileira, que prevê a não extradição dos cidadãos nascidos no país, como é o caso de Robinho.

O ex-jogador de clubes como Santos, Real Madrid e Milan foi condenado a nove anos de prisão e também a pagamento de multa na Itália, por caso ocorrido em 2013, quando ele, o amigo Ricardo Falco e mais quatro outras pessoas que não foram encontradas pela Justiça estupraram uma jovem albanesa, então com 22 anos.

A Justiça brasileira já deu os primeiros passos para que a pena possa ser cumprida no país, com a citação de Robinho. O caso está no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e já conta com um parecer favorável do Ministério Público para a sequência dos trâmites que podem resultar na prisão do atleta e Falco.

"Nós temos confiança que, num curto espaço de tempo, as coisas chegarão a um bom final, de acordo com a legislação brasileira. E que, dessa forma, Robinho e (Ricardo) Falco, que são os dois efetivamente condenados pelo ato, sejam presos e cumpram a pena no cárcere brasileiro."

Hoje com 32 anos, a mulher representada por Jacopo Gnocchi segue sua vida na Itália e não tem frustração por Robinho seguir vivendo livre no Brasil, apesar da condenação na Itália em 2022.

"Não se sente frustrada, até porque o processo aqui na Itália terminou, em janeiro do ano passado, com a condenação, que era o que a gente buscava. Sabemos que há a questão da execução da pena dos dois condenados, que estão fora da Itália, mas, ainda assim, ela não se sente frustrada. Ela está confiante no êxito final. Estamos a poucos passos de obter a justiça correta e final.”

"Isso vale não só para minha cliente como para todas as pessoas que são vítimas de crimes ou de violência sexual, como nesse caso. Minha sugestão a todas as vítimas é que sempre denunciem os casos e tenham confiança na Justiça, seja a Justiça italiana ou a brasileira. E creio que o êxito deste procedimento demonstrará isso." "A menina está bem. Ela ainda é uma jovem mulher. O tempo que passou desde o início do caso a ajudou a crescer e amadurecer. Claro que ela ficou ferida, pois essas coisas nunca são fáceis, mas o fato dela estar perto de obter efetivamente a Justiça no Brasil concederá o direito de virar a página e mostrar que a Justiça foi feita."

O advogado espera que casos como o de Robinho reforcem a importância de que, cada vez mais, vítimas de violência sexual sintam-se confortáveis denunciarem os agressores.

"Não creio que a Justiça deve ser mais ou menos severa se alguém tem notoriedade ou não, tanto no caso do criminoso quanto da vítima. A lei é igual para todos, e o juiz deve aplicar igualmente para todos. O que não pode haver nunca é impunidade, e nem truques. (O caso Robinho) Não deveria ser emblemático, mas é claro que, do ponto de vista social, ele pode ajudar as pessoas vítimas de violência sexual a denunciarem. Então, pode, sim, ter um ótimo efeito positivo", encerrou Gnocchi.