Irmã de Pelé abre o coração, revela o que ouviu do Rei em última conversa e lamenta: 'Futebol morre um pouco'

Maria Lúcia do Nascimento, de 78 anos, conversou com a ESPN após a morte do Rei Pelé, ocorrida na última quinta-feira (29)


Aos 78 anos, Maria Lúcia do Nascimento, irmã de Pelé, conversou com a ESPN nesta sexta-feira (30), em Santos, a respeito da morte do Rei do Futebol, ocorrida na última quinta-feira (29), no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Mais nova do que o irmão, Maria Lúcia lamentou a perda de Pelé, contou que esteve no hospital no último dia 21 de dezembro e teve uma última conversa com o Rei, a quem carinhosamente chama de ‘Dico’, apelido do craque dito pelos familiares.

“Está sendo muito difícil. Sabemos que não somos eternos, mas essa notícia de que ele estava nos deixando deixa o coração muito apertado. É muito difícil, mas Deus é quem sabe, está nas mãos dele, ele sabe o momento em que temos que partir”, contou.

“Estivemos lá com ele (21/12), ele próprio já sentindo também. Estava bem tranquilo, conversamos um pouquinho. Mas eu estava vendo que ele estava sentindo, ele já sabia que estava partindo. Ele é muito religioso, ele falava: 'está nas mãos de Deus'. E eu dizia: 'é isso mesmo, ele sabe o momento certo'”.

Maria Lúcia revelou ainda que Celeste Arantes, sua mãe, que completou 100 anos no último mês de novembro, não sabe a respeito da morte de Pelé, mas que foi informada que o craque estava no hospital e com a saúde fragilizada.

“Não sabe, nós conversamos, mas ela não sabe. Ela está bem, mas está no mundinho dela. Não sabe, ou sabe. Às vezes eu falo, "Dico está assim, mas vamos rezar por ele, né, mãe?" As vezes ela abre o olho...mas consciente ela não está”.

Maria Lúcia falou ainda a respeito do ‘Dico’. Para a irmã do craque, Pelé, Edson Arantes e ‘Dico’ são pessoas diferentes e cada um deles marcou sua vida de formas distintas. Na entrevista, a irmã do Rei ainda deixou claro que a convivência com o irmão não foi um ‘mar de rosas’.

“Graças a Deus tivemos uma infância muito grande com o Dico, não me lembro de termos tido desavenças. Depois de mais adultos, sim, mas nunca deixando as coisas irem para frente. Sempre com amor, amizade, sempre respeitando um ou outro”.

“Ele ajudou muito a família, fora da família também. Ele tem uma história muito grande de ajuda. Não só material, mas de estar presente no momento que a pessoa precisou de uma conversa”, contou.

Por fim, Maria Lúcia ainda falou sobre o impacto da perda de Pelé ao mundo do futebol. Para ela, o irmão era ‘iluminado’ e ‘nunca precisou bater no peito’ para provar o que tinha feito ao esporte.

“Acho que o futebol vai morrer um pouco junto... O Dico, para mim, não o Pelé, o que ele viveu, o que ele representou no futebol, é muito difícil de ser superado. Foi coisa iluminada que Deus fez para o Edson. Ele não foi o que foi, sem precisar bater no peito e foi reconhecido do jeito que era no mundo inteiro. Não dá nem para explicar esse sentimento”, finalizou.