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Mês do Orgulho: 11 clubes das Séries A e B do Brasileirão respondem questões LGBTQIAP+ importantes relacionadas a futebol

Clubes das Séries A e B do Brasileiro responderam perguntas da ESPN voltadas a temas LGBTQIAP+ no futebol


Dando sequência à série de conteúdos especiais publicados neste Mês do Orgulho LGBTQIAP+, cujo Dia Internacional será nesta terça-feira (28), a ESPN enviou aos 40 clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro três questões idênticas sobre temas relacionados à população LGBTQIAP+ que têm a ver com futebol.

As mesmas abordaram desde conhecimento sobre sua parcela de fãs dentro da comunidade, passando por garantia de segurança deste público nos jogos em casa e chegando, entre outras, à possível criação de um time específico.

Apenas 11 agremiações responderam; 29 não deram qualquer sinal.

Os e-mails com as perguntas foram enviados para todos os clubes na terça-feira 14 de junho, com o prazo final para retorno sendo a terça-feira seguinte, dia 21; a reportagem, depois, ampliou o mesmo em mais dois dias, para a quinta-feira 23.

Nas respostas dos 11 clubes, vê-se muita atividade e preocupação com a causa. Tem cartilha interna do América-MG para funcionários, a ‘escolha do amor’ do Bahia, publicação conjunta do Cruzeiro com um grupo de fãs LGBTQIAP+, o Comitê de Equidade, Diversidade e Inclusão do Santos, o apaixonado trans que pode ter seu nome social na carteirinha de sócio do Vasco, entre outras coisas.

O futebol, esporte mais popular do país, mesmo em 2022, ainda carrega valores machistas, intolerantes e arcaicos, marginalizando atletas, torcedores e demais profissionais do meio que sejam do grupo LGBTQIAP+, daí a necessidade de perguntas e repostas sobre o tema.

Veja, abaixo, as perguntas da ESPN e as respostas na íntegra de cada um dos 11 clubes das Séries A e B que se manifestaram:

ESPNO clube tem levantamento de qual é a sua porcentagem de torcida LGBTQIAP+? E quais são as ações do clube para esta parte da torcida e para a causa LGBTQIAP+ em geral?

América-MG (Série A)

“Não. Temos um levantamento sobre o público masculino e feminino (considerando também redes sociais). O clube defende ações de inclusão e diversidade, como representatividade das cores da causa em redes sociais como forma de conscientização e importância do tema e postagens educativas sobre respeito e convivência. Internamente, criamos uma cartilha de diversidade e inclusão para conscientizar os colaboradores sobre a causa e defender mais respeito entre todos. Já realizamos lives sobre o tema e incluímos casais homossexuais em algumas ações como forma de trazer reflexão e respeito para a causa.”

Bahia (Série B)

“O clube não tem o referido levantamento. Em 2018, o Bahia criou o Núcleo de Ações Afirmativas e, desde então, passou a realizar iniciativas sistemáticas contra toda e qualquer forma de discriminação. A luta LGBT vem sendo uma das mais destacadas conforme exemplos abaixo e repercussões, inclusive internacional. O futebol é um canal que pode servir para acentuar o que há de pior na nossa sociedade, como agressões, violência e intolerância, mas também pode espalhar cultura, afeto, sensibilidade. Entre o amor e o ódio, escolhemos o amor.”

Brusque (Série B)

“Não temos um levantamento específico da nossa torcida ainda, não somente do público LGBTQIAP+, mas dos demais grupos que existem dentro da torcida.

Corinthians (Série A)

- A comunicação institucional do Corinthians não respondeu separadamente as perguntas realizadas pela reportagem, mas enviou um documento de recomendações gerais aos torcedores do clube que contemplam o combate ao preconceito e às ações discriminatórias.

Criciúma (Série B)

“O clube ainda não possui levantamento específico e não temos ações específicas para a causa LGBTQIAP+, pois tratamos todos os nossos torcedores e sócios como seres-humanos, tendo o maior respeito por qualquer ideologia de gênero sem discriminação.”

Cruzeiro (Série B)

“O Cruzeiro não tem, atualmente, levantamento de porcentagem de sua torcida. Mas isso, infelizmente, não se aplica apenas ao público LGBTQIAP+. Temos, nos últimos tempos, buscado aproximação com nossa torcida. No último mês, por exemplo, fizemos em conjunto com nossa principal torcida LGBTQIAP+, a primeira publicação combinada da história do país. Isso é o Cruzeiro reconhecendo sua relevância e, publicamente, mostrando de que lado está. Temos oferecido treinamento permanente a todos os envolvidos em jogos nossos para que não haja NUNCA qualquer tipo de descriminação. Pelo contrário, queremos ampliar a sensação de pertencimento.”

Internacional (Série A)

“Não temos esse levantamento. A identificação de orientação sexual não pode ser obrigatória no cadastro de sócios. Trabalhamos com o percentual nacional de cerca de 10% do total.”

Palmeiras (Série A)

“O Palmeiras trabalha com base em dados divulgados por institutos especializados, como Datafolha e Ipec, entre outros. Nos últimos anos, o clube tem promovido diferentes campanhas em favor da diversidade e da tolerância, com destaque para o programa Palmeiras de Todos, que visa conscientizar a sociedade sobre a necessidade de todos serem tratados com respeito, sem distinção de qualquer natureza, como origem, raça, gênero, cor ou idade.”

Santos (Série A)

“Atualmente, não temos uma porcentagem exata sobre a torcida LGBTQIAP+, entretanto, com a criação do Comitê de Equidade, Diversidade e Inclusão do Santos Futebol Clube, pretendemos dar início a uma pesquisa para apurar o número de torcedores que pertencem a comunidade. Além disso, o Comitê de Equidade está com 3 ações em andamento voltadas especialmente para o mês do orgulho LGBTQIAP+, que serão divulgadas no próximo dia 28/06.”

São Paulo (Série A)

“Não temos uma pesquisa atualizada sobre o perfil de nossa torcida. Em breve, vamos colocar em prática uma pesquisa de grande porte para analisar todo o perfil do nosso torcedor.”

Vasco (Série B)

“No Vasco, a pessoa transexual pode ter o seu nome social na carterinha de sócio do Clube. E, no ano passado, lançamos uma camisa com a temática LGBTQIAP+ com um manifesto onde nos colocamos como um forte vetor na defesa da causa LGBTQIAP+. A torcida aderiu à camisa e à campanha, e isso pode ser visto no grande número de pessoas que usam a camisa até hoje.”

ESPNO clube garante a segurança de sua torcida LGBTQIA+ em seus jogos em casa, se sim, como? E como o clube lida com gritos e manifestações de sua própria torcida contra a população LGBTQIA+?

América-MG (Série A)

"O América não faz distinção entre os torcedores por conta de qualquer preferência. O Clube busca, de uma maneira geral, proporcionar segurança para todos que vão ao Independência acompanhar os jogos. Não temos registro de gritos da torcida contra o público LGBTQIA+. Queremos que essa realidade seja mantida em todos os jogos do América."

Bahia (Série B)

"Sim, não por acaso foi criada a 1ª torcida LGBT do Bahia após as nossas ações, segundo eles, em virtude das mesmas."

Brusque (Série B)

"Não temos uma segurança específica, nunca tivemos algum problema neste sentido dentro do Augusto Bauer. Por ser um clube pequeno ainda, o departamento de comunicação está se estruturando e aos poucos vamos conseguindo mapear os nossos públicos."

Corinthians (Série A)

- A comunicação institucional do Corinthians não respondeu separadamente as perguntas realizadas pela reportagem, mas enviou um documento de recomendações gerais aos torcedores do clube que contemplam o combate ao preconceito e às ações discriminatórias.

Criciúma (Série B)

"Nunca tivemos qualquer problema de segurança em nosso estádio, mormente em relação a torcida LGBTQIA+. Temos segurança específica com mais de 40 colaboradores que mantém a segurança de toda nossa torcida, independentemente de gênero, cor ou classe social. Destacamos também que até o presente momento não houve qualquer manifestação de nossos torcedores (gritos e cantos homofóbicos) contra quem quer que seja. De qualquer sorte, nossas torcidas organizadas são orientadas sistemáticamente para evitar manifestações contrárias a ética e ao próximo."

Cruzeiro (Série B)

"Também nesse sentido usamos permanentemente nossas redes sociais lembrar nossa torcida de que qualquer fala preconceituosa não é benvinda em nossos jogos. Neste mês de fortalecimento ao Orgulho LGBTQIA+, nossas braçadeiras de capitão (masculino e feminino) estão nas cores do arco-íris, assim como nossas bandeirinhas de escanteio nas cores do arco-íris."

"Temos também agendada reunião com representantes de algumas das torcidas organizadas do clube para realizar um trabalho de conscientização sobre cânticos. Isso será formalizado, com assinatura de ata e posterior divulgação."

Internacional (Série A)

"O Inter possui uma Diretoria de inclusão ligada à Vice-presidência de Relacionamento Social. Junto às demais áreas do Clube, estamos continuamente engajados nas causas contra qualquer tipo de preconceito. Usamos divulgações e publicações em nossas plataformas de comunicação, buscando orientar. O Inter cadastra nas carteiras de associadas e associados os nomes sociais sem necessidade de documento oficial. O clube se preocupa com essa questão e está criando internamente um projeto para formar e capacitar o público, incluindo a atualização dos cânticos para não utilização de qualquer expressão discriminatória e preconceituosa."

Palmeiras (Série A)

"Sempre que organiza um evento público, o Palmeiras garante a segurança de todos os seus frequentadores, sem fazer distinção. Entendemos que homofobia é um problema da sociedade, não somente do futebol. Neste contexto, utilizamos constantemente o telão do Allianz Parque e as redes sociais do clube para transmitir mensagens educativas, em prol do respeito. Como consequência, nas raríssimas ocasiões em que manifestações homofóbicas ocorrem em jogos do clube como mandante, a própria torcida palestrina as repele."

Santos (Série A)

"O Santos Futebol Clube conta com um forte esquema de segurança em dias de jogos para a proteção de todos os seus torcedores. Não temos conhecimento de gritos e manifestações contra a população LGBTQIA+, todavia, caso este tipo de ação chegue ao conhecimento do Santos, tomaremos todas as medidas cabíveis, assim como fazemos em todos os casos de violência, preconceito e racismo, seja nos estádios ou fora deles."

São Paulo (Série A)

"O São Paulo Futebol Clube trabalha para garantir a segurança de toda a sua torcida. Em todos os jogos, há um efetivo de segurança para ajudar a manter paz no estádio. O São Paulo Futebol Clube não compactua com qualquer tipo de violência ou manifestação preconceituosa."

Vasco (Série B)

Sim, temos o projeto Torcida Consciente que busca ampliar o debate e esclarecimento ao seu torcedor no uso de expressões racistas, homofóbicas, misóginas, etc. É um projeto amplo, educativo com a sua torcida, atletas, e que também trabalha no ambiente interno. Fizemos palestras com os nossos seguranças sobre esses temas onde abordamos as ações cabíveis quando a torcida cantar cantos inadequados e na proteção dos nossos torcedores quando sofrerem qualquer tipo de discriminação dentro dos nossos muros. Também temos uma mensagem que passa no telão em dia de jogo alertando sobre os riscos de se entoar cantos discriminatórios e a Ouvidoria que é um canal formal para qualquer denúncia do Clube.

ESPNO clube planeja ter um time LGBTQIA+?

América-MG (Série A)

“É uma situação que nunca foi tratada internamente, mas não tem ligação a qualquer espécie de preconceito. Temos uma torcida organizada nomeada Coletivo Fora da Toca que traz uma proposta interessante para acolher o público LGBTQIAP+ ao acolher os torcedores e torcedoras interessados em frequentar o estádio para fortalecer o América rumo às vitórias. Todos são bem-vindos na nossa casa. É assim que enxergamos o futebol e como deve ser a sociedade, sem nenhum preconceito.”

Bahia (Série B)

"Ainda não há planejamento nesse sentido."

Brusque (Série B)

"Ainda não está em nosso planejamento. Como citado anteriormente, o clube vem se estruturando aos poucos. Somente em 2022 que o clube está conseguindo estruturar as categorias de base do sub-15 ao 20."

Corinthians (Série A)

- A comunicação institucional do Corinthians não respondeu separadamente as perguntas realizadas pela reportagem, mas enviou um documento de recomendações gerais aos torcedores do clube que contemplam o combate ao preconceito e às ações discriminatórias.

Criciúma (Série B)

"Não."

Cruzeiro (Série B)

"Por fim, não há planos para um time LGBTQIA+."

Internacional (Série A)

"É uma iniciativa que pode ser avaliada. Entretanto, ao pautar-nos pela inclusão, entendemos que atletas LGBTQIA+ tem espaço em qualquer equipe colorada, seja nas categorias de base ou nos times profissionais feminino e masculino."

Palmeiras (Série A)

"O Palmeiras é filiado à Federação Paulista de Futebol e à Confederação Brasileira de Futebol, entidades que não promovem competições restritas a atletas LGBTQIA+."

Santos (Série A)

"No momento não está nos planos do Clube, tendo em vista que o entendimento do Santos Futebol Clube é que a comunidade LGBTQIA+ não deve ser excluída ou tratada à parte, mas sim ser integrante das equipes/times que o Santos já possui, não havendo diferenciação dos atletas pela simples orientação sexual."

São Paulo (Série A)

"Não há qualquer projeto nesse sentido."

Vasco (Série B)

"Não, mas se for essa for uma ação representativa para a comunidade LGBTQIA+ vascaína avaliaremos com todo o carinho a adoção de um time LGBTQIA+."