Palmeiras de Abel Ferreira já é maior que os times da Academia e da Parmalat? Confira as opiniões dos comentaristas da ESPN
O Palmeiras de Abel Ferreira deu mais uma prova de sua força na última quinta-feira (16), ao marcar 4 gols em 7 minutos e vencer o Atlético-GO, pela 12ª rodada do Campeonato Brasileiro.
O Alviverde lidera a Série A, com 3 pontos de vantagem sobre o rival Corinthians, e também aparece como um dos favoritos para faturar o tri na Conmebol Libertadores, além de brigar pela Copa do Brasil.
Nesta temporada, aliás, o Verdão já ganhou o Campeonato Paulista, goleando o São Paulo de forma impiedosa na final, e ainda arrebatou a Recopa Sul-Americana em cima do Athletico-PR.
O futebol palestrino é extremamente envolvente e passa por cima dos adversários. Goleadas se tornaram comuns, e o Verdão já acumula 85 gols em 40 partidas na temporada.
Em meio a esta fase tão vitoriosa, surge a dúvida: o Palmeiras de Abel já superou os times mais marcantes da história palestrina, que são as Academias das décadas de 60 e 70 e a "seleção brasileira" da Parmalat entre 1993 e 1994?
Para ter a resposta, o ESPN.com.br ouviu os especialistas da ESPN, que opinaram sobre o tema.
Confira abaixo as opiniões:
Paulo Cobos
Blogueiro do ESPN.com.br
O "azar" de Abel Ferreira é que a régua para colocar um time do Palmeiras como o melhor da história do clube é muito alta.
Em títulos, as duas Libertadores fazem sua equipe estar acima de todas as outras do Alviverde. E, como diz que vai ficar até 2024 e o Palmeiras é hoje um oásis de competência no futebol brasileiro, a galeria de taças vai aumentar.
Coletivamente, seu time também já pode falar de igual para igual com as Academias e os times da Parmalat. O que pega é o talento individual.
Do Palmeiras atual, só o zagueiro Gustavo Gómez entra na discussão da seleção de todos os tempos do Palmeiras, na minha visão.
O time de Abel vai ser o maior da história do clube. Mas acho impossível ser o melhor, pois não tem os craques da Academia e da Parmalat.
Gian Oddi
Comentarista da ESPN e blogueiro do ESPN.com.br
Eu acho que, por enquanto, só usando exclusivamente o critério das conquistas, por causa das duas Libertadores, é que pode se dizer que o Palmeiras do Abel já superou as Academias e o time de 1993/94.
Do ponto de vista do "jogo jogado" e da qualidade técnica individual dos jogadores, aqueles times ainda estão à frente. O que, de certa maneira, reforça ainda mais o enorme mérito do Abel Ferreira.
Hoje, para pegar uma comparação mais recente na comparação com o time de 1993/94, o Abel não tem uma "seleção" como era aquele plantel do Vanderlei Luxemburgo.
Aquele time era uma seleção brasileira. Se você olhar posição por posição e jogador por jogador, era um time absurdamente forte. Portanto, era até normal que jogasse naquele nível.
Esse Palmeiras de hoje, especialmente o de 2022, joga em nível altíssimo e tem um elenco que é, sim, bom, mas que não é tão superior aos demais como era o de 1993/94.
Gustavo Zupak
Comentarista da ESPN
Se olhar para a relevância dos títulos, puramente, a resposta seria sim. Mas quando se compara aspectos históricos, fica muito difícil cravar algo nesse sentido. Parece loucura, mas o Paulistão de 1993 talvez tenha sido mais importante para a história do clube do que a Libertadores de 2020, por exemplo. São parâmetros muito diferentes com o passar do tempo.
Tecnicamente, os dois times citados são melhores que o de hoje e tiveram feitos tão fundamentais para a história do clube quanto o atual. Além disso, os dois times citados construíram sua trajetória quase toda aliando conquistas relevantes e futebol espetacular. O time atual primeiro conquistou na base da competitividade e estratégia e só agora está mostrando um futebol mais encantador. Processos diferentes.
O que acho uma gigantesca virtude do time de hoje, é que ele é fruto do trabalho do treinador de maneira incontestável. Do time titular, só Piquerez chegou depois que Abel foi contratado. Ou seja, o time todo já estava lá e se transformou bruscamente nas mãos do português. Zé Rafael e Rony, por exemplo, não eram nem sombra do que são hoje.
O Palmeiras de Abel é um trabalho muito bonito de ver e é um dos maiores times da história do clube, mas não "o melhor" e nem precisa dessa chancela para ser valorizado.
Bruno Vicari
Apresentador da ESPN
Osvaldo Pascoal
Comentarista da ESPN
O Palmeiras teve duas Academias, uma dos anos 60 e outra dos anos 70, cada uma com suas conquistas e importância para cada momento.
A dos anos 60 vestiu a camisa da seleção brasileira, representando nosso país na inauguração do Mineirão com Filpo Nunes como treinador e o eterno Valdir de Moraes como goleiro. A equipe teve muitas conquistas para o que era importante no momento, como os embates diante de Botafogo e Santos quase invencíveis na época.
Nos anos 70, a Academia era pela classe pela imposição de um jogo com o brilho técnico de lendas como Ademir da Guia, Emerson Leão, Leivinha e outros gigantes. Também nos grandes confrontos com os gigantes da época e conquistas espetaculares.
Na minha visão, a 3ª Academia vem nos anos 1993/94, com títulos e mais títulos depois de uma enorme seca. E lembrando que ganhar a Libertadores em 99 foi um dos pontos mais importantes desta linda história.
Hoje, as conquistas falam por si. O futebol jogado traduz a imponência de um estilo que ganhou o nome de Academia. Duas Libertadores seguidas, Copa do Brasil, são marcas distintas e imponentes. Porque vão tratar este momento especial como um estilo que se perpetua, só o Palmeiras tem uma Academia. Vida longa à nova Academia alviverde.
Paulo Calçade
Comentarista da ESPN
A gente está falando de três momentos da história do Palmeiras em um recorte de 60 anos. Na minha visão, isso já derruba qualquer comparação, pois não dá para comparar.
Qualquer comparação feita neste momento significa o cancelamento da história. Qual história vamos cancelar? A de agora? A de 1993/94? A dos anos 60 e 70? Não entendo que seja por aí.
Para mim, o Palmeiras do Abel é o melhor trabalho do seu tempo, ganhando inclusive de elencos superiores. É isso que chama a atenção e está muito claro.
Mas, para chegar a um outro ponto, a outro patamar, o Palmeiras do Abel precisa de uma grande conquista nacional, que pode ser no Brasileiro deste ano. Tudo indica que, se o Palmeiras acelerar, vai levar o Brasileirão com grande vantagem sobre os demais. E aí eu entendo que essa equipe sobe de patamar.
Mas duas Libertadores não são suficientes? Vamos falar de um campeonato nacional, todos contra todos, com o Palmeiras sendo o melhor disparado. Isso tem muita importância. E é isso que espero do Palmeiras do Abel.
Comparações não cabem, são terríveis. Seria ter que cancelar o Palmeiras de 1993/94 ou as Academias. Nem uma coisa, nem outra.
A Ferrari do Schumacher era muito mais rápida que a do Fangio, mas não posso cancelar nem um, nem outro. Cada um ao seu tempo.
Ubiratan Leal
Comentarista da ESPN e blogueiro do ESPN.com.br
Vai depender muito do que você considera de critério para dizer que esse time atual se iguala àqueles. Se for por qualidade do futebol, qualidade do time, acho que não se compara. E acho impossível um dia chegar nisso, pelo menos com esta geração. Talvez daqui 10 anos, porque tem que considerar a realidade do momento. Um time de futebol no Brasil hoje não consegue acumular tantos craques quanto os times dos anos 60, da 1ª Academia, dos anos 70, da 2ª Academia, e mesmo dos anos 90, quando já tinham muitos brasileiros indo para o exterior, mas ainda assim os clubes brasileiros conseguiam reter muito jogador, muitos craques. Ainda mais o Palmeiras, com o dinheiro da Parmalat.
O Raphael Veiga é um ótimo jogador, está jogando demais, mas não dá para compará-lo com o Djalminha ou com o Ademir da Guia. O Dudu é um ídolo do Palmeiras, mas tecnicamente falando, ele é inferior ao Edmundo. Não tem jeito, não tem comparação. Em relação à qualidade absoluta do time, talvez daqui 10 ou 15 anos o futebol brasileiro entre numa onda de bonança econômica que permita aos clubes voltar a reter os jogadores aqui a ponto de voltar a ter times na qualidade que tinha naquela época.
Agora, em relação à importância desse time na história do clube, aí eu acho que essa formação atual do Abel Ferreira está caminhando para ser vista no futuro como uma 4ª Academia, como uma quarta formação histórica do Palmeiras, depois dos anos 60, anos 70 e anos 90. Porque se, por um lado, o futebol brasileiro de hoje não permite que um clube acumule tantos craques quanto acumulava no passado, também é verdade que os adversários não acumulam tanto. E também é verdade que, no futebol de hoje, a diferença econômica fala muito mais alto do que falava no passado, até porque ela é muito maior do que era no passado. Então, os clubes mais ricos - e o Palmeiras acabou, com méritos, se inserindo nesse grupo de clubes mais ricos do Brasil - eles acabam tendo um poder de dominação muito maior do que tinham no passado.
Por exemplo: hoje você joga a Libertadores quase todo ano. Naquela época, você só jogava a Libertadores se você fosse campeão ou vice-campeão brasileiro - em outro momento, campeão brasileiro ou da Copa do Brasil. Então, por exemplo, o Palmeiras do Abel que ganha a primeira Libertadores não teria jogado a competição se as regras fossem as do passado. O Palmeiras do Abel que ganha a segunda Libertadores não teria conquistado a vaga pelo Campeonato Brasileiro também, teria pela Copa do Brasil. A 1ª Academia não tinha essa via da Copa do Brasil.
Claro, o Palmeiras do Abel que foi campeão pela segunda vez ganhou a vaga por ter conquistado a primeira Libertadores, mas ele nem teria jogado essa primeira Libertadores. O Palmeiras do Abel acabou podendo jogar Libertadores com uma frequência que, no passado, não dava para jogar. Então ele acaba tendo mais chances de ganhar títulos grandes como esse. Vai jogar um Campeonato Brasileiro em pontos corridos, ainda não ganhou, mas agora é o candidato mais forte a ganhar. No passado tinha mata-mata no Campeonato Brasileiro, então era mais difícil, mais complicado. Às vezes, você tinha o melhor time e não ganhava. Hoje, não é bem assim.
Esse time atual acaba tendo uma quantidade de conquistas compatível com ser visto como uma 4ª Academia, até porque jogou um bom futebol mesmo, não é um time que só está ganhando na sorte. Mas em qualidade absoluta, eu acho que ainda não compara com aqueles outros por uma questão lógica do momento histórico do futebol.
