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Viúva de Maurão, ex-motorista de ônibus do Botafogo, afirma não ter recebido direitos trabalhistas do clube após morte por COVID-19

Sueli Alcântara, viúva do ex-motorista, e a filha única Yasmim falaram com exclusividade à ESPN


Mauro Sampaio de Alcântara tinha três paixões na vida. O Botafogo, o ônibus do Fogão, pelo qual dirigiu por quase 20 anos e a família. Mas essa linda história de amor com o clube do coração deixou de ser correspondida assim que o motorista começou a presentar sérios problemas no joelho.

Dois anos antes da pandemia, Maurão sofreu com uma cirurgia malsucedida que quase o deixou inválido. Mesmo assim, não abandonou o posto de trabalho, muito menos o ônibus do clube que dirigia e cuidava como se fosse um filho.

Faz um ano e meio que Maurão faleceu e junto a ele foi também enterrada sua história de amor ao time.

Segunda a viúva Sueli Alcântara, e a filha única Yasmim, todas as tentativas de conversar com a administração do clube e com o departamento de recursos humanos foram esgotadas.

“No ínicio o pessoal até atendia as nossas ligações, hoje nem isso ele fazem mais. Falavam que iam acertar com a minha mãe as pendências trabalhistas, hoje se calam diante do caso”, afirmou a filha, que procurou a reportagem da ESPN para tentar ouvir uma resposta do clube.

A reportagem da ESPN entrou em contato com o Botafogo, via assessoria de imprensa, nos dias 13 e 14 de maio. Mas não teve respostas sobre o caso

Segundo a família nada foi pago à viúva desde que Maurão faleceu em dezembro de 2020, principalmente o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Esposa de Maurão, Sueli deixa claro que não tem a intenção de acionar o clube na justiça, até porque se Maurão estivesse vivo provavelmente morreria de desgosto com um amor de tantos anos não correspondido.

"O Botafogo não arcou com os direitos trabalhistas. Então, eu ficaria muito chateada se eu tivesse de colocar na justiça. E o Mauro, com certeza, onde ele estiver, vai ficar muito chateado. Porque nós temos um prazo para isso. O prazo é de dois anos. Já passou um ano e seis meses, e nós estamos precisando muito muito desse dinheiro. Eu gostaria de ter uma posição e que o Botafogo olhasse por um outro lado, porque foi uma coisa que ele conquistou, ele deu o sangue dele pelo Botafogo. A vida dele era o Botafogo. Então, eu acho que o Botafogo poderia olhar de uma outra maneira e nos ajudar."

É aquela história que a própria filha Yasmim afirmou na reportagem que os canais ESPN fizeram em homenagem ao motorista, uma das milhares vítimas da COVID-19 no Brasil.

Meu pai não era jogador. Se fosse, provavelmente seria tratado com mais respeito. Meu pai foi um simples, mas batalhador motorista de ônibus de um clube que ele amava."