Em entrevista à The Players' Tribune, ex-meia lembrou do apelido 'Alexotan', que recebeu no início da carreira
Atual técnico da equipe sub-20 do São Paulo, o ex-meia Alex construiu uma carreira vitoriosa pelos clubes por onde passou, mas nem tudo sempre foi um 'mar de rosas' na vida do astro. Em entrevista ao site The Players' Tribune, o ex-jogador revelou que o apelido 'Alexotan', pelo qual ficou conhecido durante as passagens por Coritiba e Palmeiras, foi um grande peso para ele.
A alcunha, que é nada mais nada menos do que a junção entre o seu nome e o de um remédio que ajuda com o sono, era utilizada por conta do seu ritmo em campo, por muitos considerado lento demais. E Alex confidenciou que sempre considerou o apelido 'pesadíssimo'.
"Por muitos anos, eu ouvi aquela história de 'Ah, o Alex não corre. Alexotan'. Nunca me perguntaram como eu me sentia ouvindo isso. Eu vou contar…No começo, no Coritiba, eu achava legal, porque, de fato, eu não precisava correr. Eu fazia a bola correr, a gente ganhava os jogos e todo mundo ficava feliz. Só que quando o time perdia transformavam essa 'piada' num achincalhe, numa destruição pessoal, como se eu fosse um palhaço de plástico na quermesse e não um ser humano, um garoto de 17 anos. Era muito agressivo", começou por dizer.
"Tudo bem discutir as minhas características de jogador, maneiras de eu ser mais participativo em campo, menos irregular. Ok, sem problema. Mas raramente a proposta era essa. A intenção era fazer graça, detonar, lacrar, como se diz hoje. Subir pisando na cabeça do outro. E não vou mentir: era pesado pra mim, pesadíssimo", prosseguiu.
Ainda segundo Alex, ele só conseguiu lidar melhor com a situação jogando bola. E foi no Palmeiras, clube que chegou em 1997, que ele recebeu um alerta sobre o seu estilo de jogo. E o toque foi dado por outro ex-jogador: Zinho, que atualmente é comentarista dos Canais Disney.
"Aprendi a lidar melhor com isso jogando, jogando e jogando. E também lendo e me interessando por outras coisas, pelo mundo, pelas pessoas. O primeiro cara que me apontou o dedo e disse 'se você continuar jogando assim vai parar por aqui' foi o Zinho, no Palmeiras. De cara eu fiquei bravo, discuti com ele, briguei. Mas logo entendi", disse.
"Eu precisava mudar a minha maneira de jogar porque, no Palmeiras, o nível era mais alto. A competição interna era mais forte, os jogos e os adversários eram mais duros, e se eu quisesse fazer parte e evoluir teria que atuar diferente, participar mais do jogo. Então eu mudei. Mas a história de 'Ah, o Alex não corre, o Alexotan', desde que me aposentei transformada em 'Ah, o Alex não corria, o Alexotan', continua até hoje, pesada como sempre", prosseguiu.
Por último, o ex-atleta reveloi o que o ajudou a conseguir enfrentar esse 'pesadelo' foi a leitura.
"Sou uma pessoa tímida, introvertida. E essa característica me fazia dar peso demais para as coisas ruins que vinham de fora. O que me ajudou nessa parte foi a leitura", finalizou.
