Em entrevista exclusiva à ESPN, o CEO do Grupo Taunsa, Cleidson Augusto Cruz, afirmou que pretende acertar os pagamentos pendentes com o Corinthians na próxima semana
O CEO do Grupo Taunsa, Cleidson Augusto Cruz, afirmou em entrevista exclusiva à ESPN que pretende acertar os pagamentos pendentes com o Corinthians na próxima semana. O clube acabou arcando com o salário do volante Paulinho após atraso da empresa no repasse de parte do valor acordado.
“A prioridade número um da Taunsa é acertar com o Corinthians. Creio que já na semana que vem. Espero voltar para o Brasil semana que vem com tudo resolvido”, disse Cruz, que afirmou estar na cidade de Toronto, no Canadá, trabalhando para liberar o dinheiro da Taunsa.
Segundo o empresário, contudo, o pagamento de Paulinho é o único objetivo do acordo entre Taunsa e Corinthians, diferente do que o clube anunciou em dezembro de 2021, quando comunicou “uma união de forças que vai muito além de um patrocínio tradicional”.
“Pela primeira vez, uma equipe de primeiro escalão se alia a uma marca nacional do setor agro, em uma parceria que prevê diversas ações sociais, de marketing e de comunicação, com investimentos que visam impulsionar o futebol e os esportes do Corinthians, divulgando e fortalecendo o setor mais estratégico do país na economia global”, publicou o clube paulista, em seu site oficial.
O CEO disse, inclusive, que não é correto nem mesmo definir o acerto entre as partes como uma parceria. “Não tem contrato. O acordo nosso é para pagar o Paulinho. Ponto. É um projeto específico. Outros projetos estão na mesa. Quando você fala de parceria, dá a entender que tem outros projetos, como se fosse a Crefisa no Palmeiras”.
Cruz citou o exemplo o negócio do Corinthians com a “Socios.com”, que, segundo o clube paulista, foi o que possibilitou a contratação de Willian - a empresa, ao contrário da Taunsa, já quitou o que havia acordado no acordo.
“Nós fomos parceiros com o Corinthians, como aquele parceiro que contratou o Willian. Foi lá, pagou, contratou o Willian, acabou. Nós fomos procurados, procuramos o Corinthians, para o projeto Paulinho e executamos. Uma pessoa nos apresentou, uma pessoa externa, me apresentou ao Duílio, ao Adriano [Monteiro Alves, irmão do presidente corintiano e secretário geral da diretoria] e nasceu esse projeto. Essa necessidade que o Corinthians tinha. O Paulinho estava treinando lá há um tempo, e o Corinthians tinha o desejo de trazê-lo. Ali nasceu a parceria específica com o Corinthians”, disse Cruz.
Nem a diretoria do Corinthians, nem o CEO do Grupo Taunsa falam sobre os termos negociados pelas partes em dezembro do ano passado, quando foi firmado o acordo entre eles.
Dentro do clube, os conselheiros se queixam internamente que o contrato nem sequer foi discutido, o que gerou cobranças ao presidente Duílio Monteiro Alves após o atraso no pagamento.
Segundo apurou a reportagem, o valor total do contrato é de R$ 18 milhões. Questionado se era essa também a cifra da dívida com o Corinthians, Cruz respondeu: “Não posso falar porque é um contrato de confidencialidade, mas te digo que não é verdade. Uma parte foi paga e outra atrasou. Queremos quitar na próxima semana”, disse Cruz.
Já sobre a possibilidade de a Taunsa contratar também um atacante para o clube, Cruz negou. Em janeiro, nomes como os dos uruguaios Edinson Cavani e Luis Suárez foram especulados, em investimentos que seriam feitos por um parceiro.
“Esse assunto [dos centroavantes] foi apresentado pela imprensa e não pelo Corinthians e pela Taunsa. O meu compromisso contratual foi o projeto Paulinho, e caso o Corinthians viesse a apresentar outro projeto e achasse que a Taunsa fosse um parceiro para o mesmo, eles nos apresentariam. Nosso acordo verbal era analisar projeto por projeto”, disse Cruz.
A ESPN também procurou o Corinthians para questionar o tipo de acordo feito com a Taunsa, se o contrato inclui outras ações ou apenas o pagamento de Paulinho. O clube afirmou que não vai se manifestar oficialmente sobre o tema, “respeitando a confidencialidade do contrato”.
Vale lembrar que desde a última sexta-feira, portanto, há uma semana, o Corinthians suspendeu todas as exibições de marca da Taunsa em propriedades do clube, enquanto não recebe o dinheiro devido.
A empresa já teve sua marca exposta na camisa do Corinthians, em quatro jogos do Campeonato Paulista; nas redes sociais do clube e também nos banners que reúnem todos os patrocinadores da equipe de futebol.
O acordo entre Corinthians e Taunsa, segundo anunciado pelas partes, passou a valer em janeiro de 2022 e tem validade prevista até dezembro de 2023.
E onde está o dinheiro?
Segundo o empresário, natural de Campinas e que fundou o Grupo Taunsa em 2008, o dinheiro do pagamento ao Corinthians virá de exportações de soja e derivados para a China, cujos números saltam aos olhos.
“Este ano temos [em exportação] quase 420 milhões de dólares por mês em contratos com a China”, afirmou Cruz. Na cotação de hoje, o valor corresponde a R$ 1,9 bilhão.
Ao ser questionado sobre o atraso no pagamento de Paulinho diante de números tão grandiosos, Cruz disse que o dinheiro está bloqueado no exterior.
“Aí entra o problema nosso, da Taunsa. Estou fora do Brasil justamente por isso. O mercado de exportação trabalha com instrumento financeiro. Nossos operadores emitem, não só para a Taunsa, para qualquer exportador ter segurança, um instrumento de crédito, que é: você cumpre isso, eu cumpro isso e, ambos cumprindo, você recebe o recurso”, iniciou.
“Isso é um instrumento pouco trabalhado no Brasil, poucos bancos trabalham e, quando trabalham, não serve para nada. Você vai exportar um navio de soja, cumpre lá e, cumprindo, o banco paga, e eu te repasso o dinheiro. Mas você precisa desse fluxo de caixa para cumprir o contrato. Você precisa descontar esse cheque, falando num português mais claro. Você precisa descontar, colocar em caixa, para conseguir a exportação. Por isso a maioria das empresas que exportam, buscam bancas internacionais. É o caso da Taunsa”, prosseguiu.
“Mas, em janeiro, houve atraso na emissão e no recebimento das cartas de crédito por parte dos nossos bancos, que se estendeu além do normal e gerou esse problema. Esse dinheiro está preso lá fora”, finalizou.
Problema no “fluxo de caixa” foi a forma que a Taunsa explicou também ao Corinthians o atraso. Em entrevista recente à ESPN, mas antes da suspensão das entregas previstas pelo clube, Duílio disse entender a questão.
“Eu tenho falado isso desde antes da chegada do Paulinho, que o Corinthians vai trabalhar dentro do orçamento planejado, e a gente vem fazendo isso. Deixei claro que, na folha de pagamento que passei publicamente, o Paulinho estava incluído, nem essa conta tinha do patrocinador. É um atraso, a gente entende também, a empresa tem dado satisfação, nada além disso. Acho que está se criando algo muito grande. O Corinthians está com as contas em dia, teve um superávit, acho que as coisas vão indo bem. O atraso de um patrocinador não justifica esse barulho. O atraso não é do Corinthians, acho um absurdo ficar falando isso, mas o Corinthians atrapalha muita gente”.
