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Barcelona esnobou 'desconhecido' e perdeu chance de ter lenda do Real pela metade do preço: 'Destino me vestiu de branco'

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Lenda do Real Madrid lembra como esnobada do Barcelona o fez parar no Santiago Bernabéu (2:07)

Hugo Sánchez, ex-atacante do Real, falou com exclusividade ao ESPN.com.br (2:07)

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, ex-atacante do Real Madrid Hugo Sánchez lembrou que por pouco não foi parar no arquirrival, Barcelona, antes de reforçar o Merengue


Neste domingo (20), a partir das 17h, e com transmissão ao vivo e exclusiva para assiantes Star+, Real Madrid e Barcelona se enfrentam no primeiro El Clásico de 2022 por LaLiga, no Santiago Bernabéu. Uma rivalidade que ultrapassa as quatro linhas e chega até mesmo na briga pela contratação dos melhores jogadores do mundo, como foi no caso de Hugo Sánchez, lenda do clube merengue.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o mexicano contou que na época em que atuava pelo Atlético de Madrid, seu primeiro clube na Europa, quase se mudou para o Camp Nou. Entretanto, uma esnobada de última hora do Barcelona o fez defender o Real Madrid, no qual ficou por sete anos, entre 1985 e 1992.

"Duas temporadas antes de ir para o Real Madrid, teve o Barcelona, que praticamente havia chegado a um acordo para me contratar na época do treinador Terry Venables. Já tínhamos um acordo, os diretores do Barça já haviam ido à minha casa. Mas quando fui para as férias no México, o José Maria Minguella, diretor esportivo, e o Juan Gaspar, vice presidente, me chamaram e disseram: 'Hugo sinto muito, mas já contratamos (Steven) Archibald, compatriota do Venables e que não te conhece muito'. Eu disse que se quisessem me contratar no ano seguinte, eu iria custar o dobro", começou por dizer.

"Depois disso, saímos campeões da Copa do Rei (pelo Atlético de Madrid) e eles (Barcelona) me ligaram novamente: 'Hugo, tem razão, queremos te pagar o dobro'. Mas eu disse: 'Não, já tenho um acordo com o Real Madrid'. Era um acordo verbal. Já sabia que era a equipe que me ajudaria a ganhar títulos a nível coletivo e individual. Felizmente foi assim. Faltou muito pouco para jogar no Barcelona, mas o destino me vestiu de branco", prosseguiu.

'Época Dourada' no Real Madrid

Assim que se mudou do Vicente Calderón, antigo estádio do Atlético, para o Bernabéu, Hugo Sánchez deu início ao melhor momento da sua carreira. Foram cinco títulos consecutivos do Campeonato Espanhol, entre as temporadas 1985/86 e 1989/90, além de quatro troféus Pichichi (artilharia do Espanhol) conquistados, também de forma seguida.

No Real Madrid, o mexicano também teve a oportunidade de formar uma das grandes parcerias da carreira, com o atacante espanhol Emilio Butragueño. E Sánchez lembrou daquela, que ficou conhecida como a 'Segunda Época Dourada' na história do Merengue.

"Numa entrevista antiga, eu disse a Emilio que gostaria de jogar no Real Madrid, que me ajudasse e me recomendasse à diretoria. Felizmente, aconteceu e nos juntamos no Real Madrid, com todo o grupo de jogadores e fizemos parte da 'Segunda Época Dourada', como ficou conhecida, quando ganhamos cinco Campeonatos Espanhóis de forma consecutiva, ganhamos a Copa da Uefa, duas Supercopas. Foi uma época muito bonita e sou muito agradecido ao Real Madrid. Se me conhecem no mundo por ser jogador, atacante, por ter jogado na seleção mexicana e sou muito grato", disse.

No Merengue, Sánchez também teve a oportunidade de disputar El Clásico diversas vezes e ele garantiu: a rivalidade já pegava fogo desde os anos 80. E, nas partidas disputadas no Bernabéu, os catalães dificilmente saíam vitoriosos.

"Nessa época já era uma rivalidade que vinha de muitos anos. As partidas mais difíceis, intensas e mais fortes sempre eram contra o Barcelona, tanto no Camp Nou quanto no Santiago Bernabéu. Havia muita regularidade. Jogar em casa era mais favorável e não ganhamos tantas vezes em Barcelona, e não foram muitas as vezes que eles nos venceram no Bernabéu. Se íamos a Barcelona, perdíamos ou empatávamos, e quando eles vinham ao Bernabéu, ganhávamos e dificilmente empatávamos", disse.

"Se o Real Madrid não terminava campeão, o título ficava com o Barcelona. Na minha época, fomos campeões cinco anos seguidos e depois tive uma lesão no joelho e a sequência de títulos consecutivos teve fim. Foi quando o Barcelona, com o Johan Cruyff, conseguiu três ou quatro títulos consecutivos. Ganhar cinco ligas consecutivas foi muito difícil", prosseguiu.

Por último, a lenda do Real Madrid respondeu sobre o momento atual dos dois arquirrivais e, na sua opinião, poucas coisas mudaram desde a época em que ele disputava El Clásico, para os dias atuais.

"Acredito que não mudaram tantas coisas. O Real Madrid se manteve sempre na mesma linha, com a mesma diretoria e com a mesma lógica esportiva. Os melhores jogadores do mundo sempre vão para o Real Madrid, e o grande rival que briga por estas contratações segue sendo o Barcelona. Sempre que o Real Madrid se interessa por algum jogador, o Barcelona também quer. É uma disputa constante, e isso não mudou", opinou.

"No Campeonato Espanhol, o Real Madrid tem uma vantagem de títulos importante, como na Champions também, na Copa do Rei não, já que o Barcelona tem mais títulos, mas em termos gerais, a história do futebol espanhol diz que o Real Madrid é o primeiro, e o segundo é o Barcelona. Estão disputando LaLiga de forma constante. Agora, há uma igualdade maior por conta da quantidade de dinheiro maior com os direitos de transmissão de LaLiga, e com isso há uma divisão maior para todos. Todas as equipes conseguiram melhorar economicamente para contratar os melhores do mundo. Tanto na Espanha, quanto na Inglaterra, Alemanha, França, estão chegando os melhores jogadores do mundo. Dessa maneira, essa luta tem sido um tanto que permanente. Não é apenas o clássico da Espanha, como também o grande clássico europeu e mundial", finalizou.