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Alan Ruschel revela conversa que 'deu vontade de chorar' e abre bastidores do que viveu na Chape antes de processo

Alan Ruschel desabafou sobre os problemas que viveu na Chapecoense


O jogador Alan Ruschel, atualmente sem clube, contou que saiu a primeira vez da Chapecoense, em 2019, porque soube que um dirigente teria dito que ele só estava na equipe “por piedade”. O ex-goleiro Follmann confirmou a história do amigo e disse que só não contou ao companheiro porque ele vinha jogando e não gostaria de desestabilizá-lo.

“Quando eu soube isso me chateou muito. Tive vontade de chorar. Estavam vendo tudo que passei para voltar a jogar e falam isso?”, disse Alan Ruschel ao podcast "Denílson Show".

Ele telefonou para Ney Franco, técnico com quem havia sido comandado na Chape, e conseguiu uma transferência para o Goiás, em 2019.

Uma dos sobreviventes do acidente aéreo que causou 71 mortes em 2016, Alan Ruschel voltou à Chape no ano seguinte e ajudou a equipe a conseguir o acesso na Série B. O lateral-esquerdo processou o clube em maio de 2021 questionando o valor da indenização, que seria menor do que o recebido pelas famílias das outras vítimas.

Ele demonstrou bastante tristeza ao falar sobre a defesa da Chapecoense, que teria afirmado que "a tragédia beneficiou o jogador".

“Entrei com o processo para cobrar o que é meu por direito. O Neto (que foi dirigente da Chape) estava lá e sabe disso. Eu carregava o time não tecnicamente, mas psicologicamente. Ficamos nove meses sem receber e a bomba caia no colo de quem? Do capitão. Ajudei muito no vestiário”, disse ele.

Ruschel falou que chegou a ficar 18 meses sem receber direitos de imagem e que recusou uma oferta para sair da Chape, em meio à Série B, após ouvir uma promessa de que teria aumento de salário. “Aí quando a gente subiu e foi campeão os caras queriam reduzir meu salário. O que isso significa? Meu, vai embora!”.

Outro sobrevivente da tragédia, o ex-zagueiro Neto conta que viveu grandes problemas no período em que foi dirigente da Chape.

“Eu estava ali e as pessoas não me tratavam como antes. Para o torcedor era ídolo, eu era ídolo mas dentro não. Cheguei a pagar passagens do meu bolso para os atletas irem aos jogos. Não me mandaram nem medalha de campeão da Série B. Estavam me 'escanteando' e pedi para sair”, disse.