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Fórmula 1: ex-piloto de testes da McLaren diz que Senna era 'mescla de gênio com louco'

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Ayrton Senna em uma palavra: veja como redação da ESPN definiu o ídolo (1:22)

Primeiro título mundial de F1 do brasileiro completa 30 anos nesta terça-feira (1:22)

Mark Blundell, ex-piloto de testes da McLaren, conviveu com o brasileiro Ayrton Senna durante um ano de serviço na equipe. Em entrevista ao “Beyond the Grid”, o podcast oficial da Fórmula 1, ele descreveu o ídolo do automobilismo como uma “mescla de gênio com louco”.

"Ele também era incrivelmente egoísta. Sempre fez de tudo para garantir que teria tudo que precisava para vencer”, disse.

Blundell trabalhou na mesma equipe que Senna no ano de 1992. Junto com o britânico, a McLaren tentava desenvolver seu carro com suspensão ativa, avanço já alcançado pela Williams na época.

E esse projeto foi responsável por um encontro entre os dois pilotos.

"Me lembro de um teste em Ímola. Estava no carro que tinha a suspensão ativa e meu tempo de volta foi um pouco mais rápido que o de Senna, que correu sem isso”, explicou.

De acordo com o relato de Blundell, Senna não acreditou que um piloto de testes tinha sido mais rápido que ele na pista.

"Eu precisava ir ao aeroporto e tinha combinado com Josef Leberer, o fisio, que ele me levaria. Estávamos sentados e eu disse: 'Bem pessoal, tenho que ir para o aeroporto agora. Josef, pode me levar?'. Aí Senna levantou a cabeça rapidamente e disse: 'Não, você vai ficar aqui’”, contou. ”Várias pessoas estavam presentes na reunião, e não disseram nada. Todos ficaram mudos. Eu disse: 'Mas como? Preciso ir para o aeroporto. Josef vai me levar. Tudo está planejado'. Senna levantou a cabeça de novo e disse: 'Não. Você vai ficar’”.

"Foi um jogo psicológico dele para tentar me fazer entender que eu era o piloto de testes, o substituto”, revelou.

O britânico também explicou o aprendizado que teve com Senna.

"Era assim que trabalhava, entendi isso depois. Ele sempre tirava o máximo proveito das pessoas ao seu redor. Ele tinha o dom de falar sobre algo e acionar um sistema sem que as pessoas ao seu redor percebessem o quão grande era essa pressão”, finalizou.