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Brasileiro conta como quase foi da Ferrari na F1, rejeitou contrato com Briatore e ainda foi ironizado por Alonso

O brasileiro Tarso Marques pilotou pela Minardi, pior equipe do grid, em todos os seus anos de Fórmula 1 (1996, 1997 e 2001). Mas em entrevista recente ao site Motorsport.com, ele revelou que por pouco não mudou o seu futuro na categoria.

Marques, hoje fora das pistas e com uma empresa que faz customização em carros e motos, contou que chegou até a negociar com a Ferrari no fim dos anos 90 na sua carreira.

"A gente estava negociando para eu correr pela Ferrari. Ia fazer um ano de Sauber, porque o [Eddie] Irvine ainda tinha um ano de contrato. E a ideia era entrar na Ferrari no ano seguinte. Isso estava super bem encaminhado, fizemos algumas reuniões lá e tudo.Só que tem aquele esquema da Fórmula 1, né... Se tem contrato com alguma equipe, você tem que resolver. A Ferrari falou: 'Bom, negocia com a Minardi a multa, a gente compra o passe e faz isso: você corre esse primeiro ano na Sauber, sendo piloto de testes da Ferrari, e, acabando o contrato do Irvine, automaticamente você vai correr na Ferrari'. Essa era a conversa, e acabou que a Minardi não liberou", disse, ao Motorsport.com.

"A Minardi falou: 'Não, a gente não quer a multa para liberar o seu contrato, a gente quer o motor Ferrari pelo teu passe'. Aí fui para a Ferrari. 'Motor, não, a gente paga a multa... O motor é da Sauber. Não tem como fornecer para mais uma equipe'. E aí ficou nesse impasse... Ficou aquela confusão, enfim... Continuei no contrato com a Minardi e o bonde passou com a história de possibilidade de Ferrari, enfim", completou.

Marques chegou também a negociar com Flavio Briatore, ex-chefe da Benetton e Renault nos títulos de Michael Schumacher e Fernando Alonso. Na época, Briatore também era agente de alguns pilotos e havia comprado a Minardi, equipe pela qual o brasileiro correu.

O ex-piloto revelou os motivos pelo qual se arrependeu de ter dito não ao italiano. Veja o relato dele abaixo, conforme o site Motorsport.com.

"Cheguei lá (na casa dele) sozinho. Estava ele, um advogado e um contrato. Ele chegou: 'Senta aí...'. Deu o contrato assim: 'Dá uma olhada aí e assina esse contrato'. Eu falei: 'O que é isso?'. 'É um contrato de dez anos para você ser meu piloto'. Eu falei 'mas como assim?'. 'Quero alguns pilotos para mim e você é minha primeira opção'. Aí eu falei: 'Tá, mas o que que é?'. 'É um contrato... Vou cuidar da carreira de alguns pilotos e você é o primeiro que eu estou escolhendo'. E eu: 'Tá, mas o que que diz no contrato?'. Ele e o advogado... Falei: 'Preciso mandar para o meu advogado no Brasil... Você não falou nada, falou para eu vir aqui e eu nem sabia o que você iria falar'. 'Veja então que eu quero definir já, porque tem os outros pilotos também que eu vou falar, mas você é a prioridade'", recorda Marques.

"Aí eu mandei para os caras: 'Leiam aí, vejam já o que é'. O que que era o contrato: ele ia cuidar da minha carreira e definir onde eu iria correr, mas não dizia onde eu ia correr e não dizia o que eu ia ganhar, nada... Falei: 'Olha, não vou assinar o contrato'. 'Pô, você está louco, como não vai assinar o contrato comigo?'. Falei: 'Se quer que eu assine, garanta aí no contrato que eu vou correr dois anos na Minardi ou em qualquer outra equipe'. Ele tinha acabado de comprar a Minardi".

Marques disse que Briatore chegou até a fazer uma espécie de chantagem ameaçando o brasileiro com a "sombra" de outros pilotos para qual ele ofereceria o mesmo contrato.

"Ele falou: 'Se você não assinar, eu vou oferecer para o [Giancarlo] Fisichella, para o [Mark] Webber, para o Trulli...'. Ele tinha uma lista de pilotos. Para o Webber, para o Trulli, para o Fisichella e para o Alonso. Ele falou esses nomes. E o Alonso ainda era mais novo. O Alonso ainda estava na Fórmula Renault, acho. Ele (Briatore) tinha esses nomes. Aí eu falei: 'Eu não vou assinar esse contrato'. Ele falou: 'Você é o primeiro nome da lista'. Aí eu falei: 'Tá bom, eu assino com uma condição: coloque aí no contrato que eu corro de F1... Eu não vou nem discutir a questão de que não tem valor de salário, mas coloque que são dois anos numa equipe pequena de F1, Minardi ou qualquer equipe, dois anos numa equipe média, e que daí para frente sejam equipes que me deem condições de disputar o campeonato'. Daí ele falou: 'Pô, você quer escolher também a marca de champanhe que você vai estourar no pódio?'", lembrou.

"Eu falei: 'Não, eu quero que você me dê garantia de que eu vou correr de F1, senão você vai me colocar para correr de Turismo no Japão, ganhando dinheiro para você... Você vai ganhar dinheiro e vai me dar 50 dólares por mês e eu vou guiar táxi no Japão para você'. Eu não tinha garantia nenhuma do que eu ia fazer, nem onde ia correr e nem quanto ia ganhar. E ele, na época, era o Briatore que tinha comprado a Minardi. Não era o Briatore da Renault, da Benetton. Então falei: 'Não, não vou assinar'. Ele ficou p...comigo e eu falei: 'Não vou assinar e pronto'. 'Ah, então vou chamar os outros'. Falei: 'Então chame os outros'. Peguei e saí da casa dele. Aí quando eu fui sair ele falou: 'Você vai embora mesmo? Se você for embora, você não vai correr de Minardi esse ano. Eu vou pôr outro no teu lugar'. Por isso que o Trulli entrou. O Trulli, na verdade, testava com a gente. E o Trulli era lento para c...".

Marques revelou que encontrou Briatore e Alonso, de quem foi companheiro de equipe na própria Minardi em 2002, no GP do Brasil de 2005.

"Ele (Alonso) ganhou o título em Interlagos em 2005, ele me abraçou chorando, foi campeão, e falou 'pô, podia ser você'. Eu estava feliz pra caramba por ele. Passou uma meia hora, estou andando atrás do box, vem o Briatore, ele passou por mim e 'Ciao, Marques. O que achou?'. Ele olhou pra mim e falou 'Era pra ser você' e saiu rindo".