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Senna x Prost! Antes de virar rei, brasileiro errou feio, deu vitória a francês e foi até chamado de 'o barbeiro de Mônaco'

Ayrton Senna x Alain Prost! Uma das maiores rivalidades não só da Fórmula 1, mas do esporte, tem vários capítulos e com vitórias para os dois lados. Em 1988, foi o francês quem levou a melhor em um deles e, acreditem, com 'ajuda' do brasileiro.

Em 15 de maio daquele ano, foi disputado o Grande Prêmio de Mônaco, o terceiro dos 16 previstos para o campeonato, que já tinha passado por Brasil e San Marino.

Prost, com 33 anos e já bicampeão (1985 e 1986), vencera a primeira prova e liderava o Mundial; Senna, com 28, ganhara a segunda e fazia sua primeira temporada pela McLaren.

O brasileiro sobrou no sábado e fez a pole-position - a terceira seguida -, com o tempo de 1m23s998, simplesmente 1s427 de vantagem para o francês, um absurdo já que seu parceiro de equipe também tinha um supercarro. Chegou a dizer, dois anos depois, que estava "em outra dimensão" naquele treino, tal a perfeição e a velocidade atingidas.

Senna não apenas manteve a ponta na largada, como disparou e ainda viu Gerhard Berger, então na Ferrari, passar Prost. Era um show, com direito a mais de 50s de vantagem para o rival, de volta à segunda posição após muito tempo atrás do austríaco. E tudo caminhava para a sua segunda vitória no principado - ganhara a primeira em 1987, com a Lotus.

Mas não foi o que aconteceu.

Senna errou! Sozinho, sem pressão alguma e com pista livre à frente na volta 67 de um total de 78, ele errou feio. E bateu na curva Portier, a poucos metros da entrada do túnel - assista no vídeo abaixo a partir de 1h40m44s.

Um erro tão banal que é creditado por muitos especialistas como o maior de sua carreira.

O brasileiro saiu do carro irritado. Andando e olhando para trás, sem acreditar no que tinha acontecido. Tirou o capacete e a balaclava, jogou fora os protetores de ouvido. E foi embora.

Direto para casa, sem sequer passar nos boxes. Alain Prost ganhou a prova, mas a imprensa queria falar com seu companheiro de equipe, entender como aquela batida tinha acontecido.

Ninguém sabia do paradeiro de Senna. Coube, então, a Reginaldo Leme, no local para a transmissão pela TV Globo, ligar para a residência do piloto. Estava lá, atendeu ainda nervoso e avisou que não ia voltar para falar - assista no vídeo abaixo a partir de 2m56s.

E qual a explicação para um erro tão banal? São duas as versões. A primeira, dita pelo próprio Senna a Leme naquele telefonema: "Uma perda de concentração“.

A segunda, que Leme diz não saber, mas acredita que possa ser verdade, dá conta que o brasileiro seguia voando baixo mesmo com tanta vantagem porque gostaria de dar uma volta em cima de Prost.

Bate com a situação que ambos viviam naquele momento. Afinal, após o triunfo, o francês declarou que o parceiro não só queria vencê-lo, mas humilhá-lo na pista.

No dia seguinte, a ‘Folha de S. Paulo’ não perdoou. E a capa de seu caderno de esportes foi emblemática.

"Senna, o barbeiro de Mônaco" era a manchete. Fortíssima!

Quando a batida completou 30 anos, em 2018, o jornalista Flavio Gomes, que trabalhava no jornal à época, explicou em um vídeo no canal do site Grande Prêmio no YouTube como se deu a definição daquele título juntamente com o então editor de esportes, Nilson Camargo - assista no vídeo abaixo.

O piloto brasileiro não gostou do tratamento e ficou algum tempo sem falar com o periódico.

Mas Senna aprendeu e cresceu com o erro.

Não à toa, fez dez poles e ganhou sete das 13 corridas seguintes, fechando o ano com seu primeiro título mundial dos três que ganhou na carreira.

No principado, ganhou todas depois disto: 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993. Lembrando que já tinha levado o troféu em 1987.

Virou o 'Rei de Monaco'.