Guia da Fórmula 1: calendário, novas regras, favoritos, o que esperar de Bortoleto e tudo sobre a temporada 2026

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Fórmula 1: Quem surpreende? Em qual posição fica Bortoleto? Os palpites da ESPN para o GP da Austrália (1:11)

GP que abre a temporada de corridas da Fórmula 1 acontece neste domingo (8), às 01h (de Brasília) (1:11)

A Fórmula 1 que conhecemos não existe mais. Esqueça os carros pesados e as ultrapassagens "artificiais" de asa aberta em pontos específicos. A FIA não usou a palavra "revolução" à toa: o regulamento de 2026 é um "reset" completo, focado em devolver o protagonismo ao piloto e transformar cada volta em um jogo de xadrez a 330 km/h.

Abaixo, detalhamos tudo o que você precisa saber para não ficar para trás na largada dessa nova era.

Adeus aos "Navios": carros menores e mais ariscos

Nos últimos anos, os carros da F1 se tornaram gigantescos, dificultando batalhas em circuitos estreitos como Mônaco ou Budapeste. Em 2026, a ordem é compactar.

A "dieta": o peso cai 30kg, e as dimensões encolhem consideravelmente (20cm a menos no entre-eixos).

O desafio: com carros mais curtos e leves, a traseira ficará mais "solta". A FIA quer que o carro seja difícil de guiar, premiando quem tem o melhor controle de braço e punindo erros com mais facilidade.

Aerodinâmica ativa: O fim do DRS fixo abre espaço para asas móveis (dianteira e traseira) que se ajustam para dar mais velocidade ou mais pressão, dependendo do trecho da pista.

O fim da 'era DRS' e o surgimento do 'manual de ataque': entenda as novas regras

Desde 2011, o DRS era a principal ferramenta de ultrapassagem, mas muitos criticavam o efeito "passagem livre". Em 2026, entra em cena o “Modo de Ultrapassagem".

Diferente do sistema antigo, que só funcionava em retas específicas, o novo "boost" de potência elétrica (chegando a 337 km/h) poderá ser usado de forma tática. Se o piloto está a menos de 1s do carro da frente, ele decide: gastar tudo para ultrapassar na primeira curva ou guardar energia para defender sua posição na sequência.

Além disso, um novo modo de ultrapassagem (Overtake Mode), modo de impulso (Boost Mode) e novas formas de recarregar a bateria do veículo devem exigir ainda mais técnica e estratégia dos pilotos.

Essas mudanças vêm sendo bastante criticadas pelos pilotos. Max Verstappen, por exemplo, afirmou que os novos carros parecem "Fórmula E com esteroides", enquanto Charles Leclerc disse que "está extremamente difícil conseguir qualquer ultrapassagem". Porém, Felipe Motta, comentarista da ESPN, disse que o momento é para ter calma, antes de qualquer conclusão precipitada.

"Opinar sobre o regulamento da Fórmula 1 agora tende a ser arriscado, porque a Fórmula 1 é uma metamorfose ambulante, como diria Raul Seixas. Isso porque a gente tem uma batalha tecnológica e de engenharia tão grande quanto a esportiva. Então, a tendência hoje é a gente não gostar. A gente tem visto vários pilotos criticando muito, embora o brasileiro Gabriel Bortoletto tenha dito olha, é legal, acho que dá para a gente, desse ponto de partida, se divertir bastante. A tendência é, quem andar na frente, vai falar bem. Quem andar atrás vai falar mal. Isso é básico na Fórmula 1", iniciou.

"O regulamento é uma mudança agressiva, tudo de uma vez. Se você me perguntar hoje, a tendência é falar que não estou muito satisfeito com base no que a gente viu na pré-temporada. Mas repito, a Fórmula 1 é muito rápida. Nas primeiras provas a gente vai ver uma mudança muito grande.

Especialista em automobilismo há vários anos, Motta detalhou bem o que o fã de velocidade pode esperar para a temporada:

Quais são as principais mudanças?

"A gente tinha o DRS e agora a gente tem a aerodinâmica ativa. O DRS é aquela asa traseira móvel. Você depois de duas voltas pode usar um botão numa área especificada pela FIA em cada circuito. Ela tinha sua marcação no chão. Se você cruzasse uma primeira linha branca a menos de um segundo do carro da frente, você apertava o botão e podia mexer a sua asa. A asa traseira te permitia mais velocidade para facilitar a ultrapassagem. Ela não existe mais, embora as asas continuem móveis. Vai haver o modo curva, o modo reta e como isso vai ser feito durante a corrida. É uma questão a ver, porque na prática é uma coisa no regulamento, na parte teórica é outra. Então a gente tem ainda um monte de coisa para ver como de fato vai acontecer."

Corridas serão monótonas?

"Na pré-temporada, vocês devem ter visto uma imagem que viralizou, que era o carro da Ferrari com a asa traseira fazendo uma espécie de looping. A gente tem uma série de elementos para aprender sobre o que vai ser essa disputa. Os pilotos esperam uma queda de ultrapassagem. Eles não acham que a aerodinâmica nova, esse modo curva, esse modo reta ou botão de ultrapassagem impacte em grandes ultrapassagens, como o DRS muitas vezes impactava.

Houve uma temporada, eu não vou lembrar de cabeça, ne não me engano foi 2010, que foi um campeonato fantástico, o primeiro título do Vettel. O campeonato foi fantástico, mas as corridas eram procissões, ninguém passava, ninguém. E aí houve uma mudança do composto de pneu e houve a introdução do DRS, que foi um pouquinho depois. Eu me lembro bem do Sebastian Vettel criticando o DRS, dizendo que quando o piloto atrás dele utilizava o DRS era como você lutar com um adversário que tem uma bazuca, mas era no caso Machine Gun, uma metralhadora tendo na mão dois pedaços de pau. Ou seja, a disputa não era legítima.

Então, nesse contexto, a gente vai ver se ela de fato é mais legítima ou se teremos um retrocesso no que diz respeito a ultrapassagens. Pra arrematar o motor, o motor, agora ele é 50, 50. Ele não é 50, 50, mas está sendo tratado a 50/50 combustão e elétrico."

A 'nova' Fórmula 1 vai exigir mais dos pilotos?

"A gente vai ter uma presença maior de parte elétrica, de componentes elétricos e todo o trabalho que é feito num motor elétrico, num carro de Fórmula 1. Isso dá um torque muito rápido e isso está envolvido na administração que você vai ter que ter. Os pilotos com equipamento para administrar energia até mais potência em momento certo e saber tanto para atacar quanto pra se defender de outro piloto. Sinceramente, eu estou muito naquele modo espera. Acho que agora quem está falando demais, de jeito muito áspero, está acabando com a Fórmula 1. Estão falando sobre algo que a gente não sabe como vai ser."

Carros menores, mais leves e mais rápidos

Os carros vão diminuir significativamente já na temporada 2026.

A distância entre os eixos será reduzida em 200mm, a largura total em 100mm e a largura do piso em 150mm.

Já o peso mínimo cairá 30kg, indo de 800kg para 770kg.

A intenção é tornar os carros mais responsivos, mais ágeis e mais difíceis de serem controlados, o que tornará a habilidade de pilotagem ainda mais importante.

Menos força descendente, menos arrasto

Os túneis de efeito de solo - que são os canais moldados na parte de baixo dos carros para "sugá-los" em direção à pista - terão que ser retirados, cortando a força descendente geral entre 15% e 30%.

Ao mesmo tempo, o arrasto será diminuído em incríveis 40%.

Essa combinação deve permitir que os carros consigam chegar a velocidades ainda maiores em linha reta.

Adeus ao DRS

O DRS (Drag Reduction System, ou Sistema de Redução de Arrasto), símbolo das ultrapassagens da F1 moderna, dará adeus.

Em seu lugar, haverá asas dianteiras e traseiras totalmente móveis, que podem alternar entre configurações de alta e baixa pressão aerodinâmica.

"Modo de ultrapassagem"

Sem o DRS, que vinha sendo usado desde 2011, agora haverá o "modo de ultrapassagem".

Ele funcionará da seguinte forma: quando um piloto está a menos de 1s do carro da frente, ele pode usar potência extra para iniciar uma ultrapassagem, chegando a 337km/h.

Diferentemente do DRS, que era vinculado a zonas específicas, o "modo de ultrapassagem pode ser usado estrategicamente, seja de uma só vez ou distribuído ao longo de uma volta.

A FIA espera assim que a ultrapassagem seja menos automática e mais tática. Os pilotos precisam decidir quando atacar, e não simplesmente esperar pela linha de detecção.

Pneus mais estreitos

As rodas de 18 polegadas permanecem, mas os pneus ficaram mais estreitos.

Eles serão 25mm mais estreitos na frente e 30mm na traseira, reduzindo o arrasto e o peso não suspenso.

O que esperar de Gabriel Bortoleto?

A estreia definitiva de Gabriel Bortoleto na Audi gera grande expectativa, mas o comentarista da ESPN, Felipe Motta, pede cautela. Para ele, a Audi, que herda a estrutura da Sauber, vive um momento de transição profunda, o que pode trazer dificuldades iniciais. "É um trabalho em progresso, um trabalho em construção", define Motta.

A tendência é que o brasileiro encontre a equipe "no meio do bolo", lutando por passagens ao Q3 e pontos consistentes. Motta ressalta que o cenário na abertura, na Austrália, será imprevisível devido à radicalidade do novo regulamento. Para o comentarista, a meta de sucesso para o brasileiro é clara: "Se o Gabriel tiver um ano como foi o passado [2025], está bom".

Favoritos

Apontar favoritos em um ano de "folha em branco" é um desafio, mas as primeiras impressões colhidas por Felipe Motta sugerem uma hierarquia inicial surpreendente. A Mercedes parece ter saído na frente: "A impressão é que George Russell e Kimi Antonelli começaram o ano com um carro um pouco à frente das rivais", analisa.

Quanto às outras gigantes, o cenário é de dúvida:

Ferrari: Mostrou uma pré-temporada sólida, mas resta saber se o otimismo em Maranello é "legítimo".

McLaren: É a grande incógnita. "Pode estar lá na frente ou um pouco para trás... não necessariamente com o melhor carro que teve em boa parte de 24", diz Motta.

Red Bull: O sinal de alerta está ligado. Segundo Motta, Max Verstappen não pareceu muito animado com os primeiros testes, deixando uma "grande interrogação" sobre o domínio da equipe austríaca.

Hamilton voltará a ser Hamilton?

A pergunta que todos os fãs fazem tem uma resposta realista de Felipe Motta: o Hamilton "dominante" dos tempos de Mercedes dificilmente retornará. "Houve uma mudança por vários motivos, um deles a idade. Ser o bom e velho Hamilton, não acho que seja uma expectativa realista", pontua o comentarista.

No entanto, Motta acredita que 2026 será o "ano definitivo" para o heptacampeão na Ferrari. O sucesso dependerá do equilíbrio interno:

O lado positivo: Se o carro for bom e ele conseguir acompanhar Charles Leclerc, Hamilton deve reencontrar a diversão e a motivação.

O risco: "Se a Ferrari andar para frente e ele não conseguir acompanhar o Leclerc, vai ser uma ducha de água gelada total". Caso o carro seja ruim, Motta prevê o retorno das reclamações via rádio e um possível desgaste prematuro com a gestão italiana.

O Brasil no centro do tabuleiro e a estreia da Cadillac

O amadurecimento de Gabriel Bortoleto será testado agora na Audi, ao lado de Nico Hülkenberg. O grid ganha o reforço da Cadillac, com Pérez e Bottas, enquanto o jovem Arvid Lindblad faz sua estreia na Racing Bulls, e Isack Hadjar assume a responsabilidade de ser o novo parceiro de Max Verstappen na Red Bull.

Confira as equipes e duplas de pilotos abaixo:

  • McLaren: Lando Norris e Oscar Piastri

  • Red Bull: Max Verstappen e Isack Hadjar

  • Ferrari: Lewis Hamilton e Charles Leclerc

  • Mercedes: George Russell e Kimi Antonelli

  • Williams: Alex Albon e Carlos Sainz

  • Audi: Nico Hulkenberg e Gabriel Bortoleto

  • Racing Bulls: Liam Lawson e Arvid Lindblad

  • Haas: Esteban Ocon e Oliver Bearman

  • Aston Martin: Fernando Alonso e Lance Stroll

  • Alpine: Pierre Gasly e Franco Colapinto

  • Cadillac: Sergio Pérez e Valtteri Bottas

Veja o calendário da temporada 2026

  • 1ª etapa: 5 a 8 de março - Melbourne, Austrália

  • 2ª etapa: 13 a 15 de março - Xangai, China

  • 3ª etapa: 27 a 29 de março - Suzuka, Japão

  • 4ª etapa: 10 a 12 de abril - Sakhir, Bahrein

  • 5ª etapa: 17 a 19 de abril - Jedá, Arábia Saudita

  • 6ª etapa: 1º a 3 de maio - Miami, Estados Unidos

  • 7ª etapa: 22 a 24 de maio - Montreal, Canadá

  • 8ª etapa: 5 a 7 de junho - Mônaco, Mônaco

  • 9ª etapa: 12 a 14 de junho - Barcelona, Espanha

  • 10ª etapa: 26 a 28 de junho - Spielberg, Áustria

  • 11ª etapa: 3 a 5 de julho - Silverstone, Grã-Bretanha

  • 12ª etapa: 17 a 19 de julho - Spa-Francorchamps, Bélgica

  • 13ª etapa: 24 a 26 de julho - Budapeste, Hungria

  • 14ª etapa: 21 a 23 de agosto - Zandvoort, Holanda

  • 15ª etapa: 4 a 6 de setembro - Monza, Itália

  • 16ª etapa: 11 a 13 de setembro - Madri, Espanha

  • 17ª etapa: 25 a 27 de setembro - Baku, Azerbaijão

  • 18ª etapa: 9 a 11 de outubro - Cingapura, Cingapura

  • 19ª etapa: 23 a 25 de outubro - Austin, Estados Unidos

  • 20ª etapa: 30 de outubro a 1º de novembro - Cidade do México, México

  • 21ª etapa: 6 a 8 de novembro - São Paulo, Brasil

  • 22ª etapa: 19 a 21 de novembro - Las Vegas, Estados Unidos

  • 23ª etapa: 27 a 29 de novembro - Lusail, Qatar

  • 24ª etapa: 4 a 6 de dezembro - Yas Marina, Abu Dhabi