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Fórmula 1: como surgiu o 'S do Senna' no autódromo de Interlagos

Ayrton Senna, na McLaren, durante uma sessão de treinos na F1 Mike Hewitt/Getty Images

Das várias curvas que formam todos os 24 autódromos presentes na temporada da Fórmula 1, o "S do Senna" é uma das mais famosas. O icônico trecho, feito em homenagem ao tricampeão mundial, foi inaugurado em Interlagos há mais de 30 anos, no dia 1º de fevereiro de 1990.

Na época, a então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, anunciou uma grande reforma no Autódromo José Carlos Pace, com o objetivo de recolocar a Fórmula 1 em São Paulo, após alguns anos com o GP do Brasil sendo disputado no Rio de Janeiro. A ideia inicial era criar uma variante no fim da reta principal, com duas novas curvas, para ligar o traçado à Curva do Laranja.

Só que Bernie Ecclestone, então administrador da categoria, gostaria de acabar com as curvas 1 e 2, alegando falta de segurança. Foi então que Ayrton Senna sugeriu a criação de um "S", com uma descida ligando a antiga curva 1 à Curva do Sol. A ideia foi muito bem aceita pela organização da F-1.

Apesar de ter idealizado o trecho, o próprio Senna não gostou do resultado: "Não é nada disso. Eu queria um trecho de alta velocidade em que você viesse no final da reta dos boxes, em sexta marcha, fizesse o trecho em quarta marcha, alguma coisa parecida com o que tem no México, usando o declive. Não era chegar aqui e parar", disse ele em declaração reproduzida pelo livro "Ayrton, o herói revelado", escrito por Ernesto Rodrigues.

Mas mesmo com a reclamação, a obra já estava feita. O novo circuito de Interlagos passaria a ter 4,3 km e atenderia às exigências de segurança da FIA.

Depois disso, Ayrton criou outro impasse, já que não queria que o trecho fosse batizada de "S" do Senna. O campeão de 1988 sugeriu que o novo trecho recebesse outro nome: "Seria muito mais justo batizá-lo de 'S' ou Curva do Chico Landi (morto em 1989), que abriu as fronteiras do automobilismo mundial para o Brasil e sempre teve muito amor por Interlagos, fazendo o possível para trazer a Fórmula 1 de volta para cá quando foi o administrador do autódromo."

No fim das contas, ele aceitou e acabou batizando o trecho e ainda ajudou os engenheiros responsáveis pela obra, sugerindo ajustes nas zebras e também em muros.

A corrida de reinauguração do autódromo aconteceu no dia 25 de março de 1990. Senna participou, com a sua McLaren, e chegou a fazer a pole position, mas não conseguiu vencer, terminando na terceira colocação. Seu eterno rival, Alain Prost, ficou com a vitória.

Isso, porém, não atrapalhou o brasileiro a conquistar seu segundo título mundial ao final da temporada.