Equipamento foi responsável por salvar as vidas de Roy Nissany, na Fórmula 2, e de Zhou Guanyu, na Fórmula 1, no último domingo (3)
O final de semana poderia ser de extrema tristeza, lamentações e homenagens se não fosse a presença do halo, peça localizada para proteção dos pilotos no cockpit. O objeto foi de fundamental importância em dois momentos no último domingo (3), em acidentes gravíssimos na Fórmula 2 e na Fórmula 1.
Na Fórmula 2, Dennis Hauger, que havia saído da pista, pareceu ter perdido o controle ao tentar retornar, passou em cima da ‘zebra’ e ‘voou’ para cima de Roy Nissany. É possível ver a roda do carro de Hauger atingir em cheio o equipamento de segurança. A presença do Halo foi fundamental para evitar que a roda do carro acertasse em cheio a cabeça de Nissany.
Por incrível que pareça, a Fórmula 1 teve uma cena ainda mais assustadora. Logo na largada, George Russell, da Mercedes, tocou na roda direita de Zhou Guanyu, da Alfa Romeo, capotou e foi deslizando de ponta-cabeça para fora da pista.
Por conta da alta velocidade, o carro ainda capotou mais uma vez, passou por cima da barreira de pneus e bateu nas grades de proteção, com o piloto estando preso dentro do carro entre a própria grade e a barreira de pneus.
Felizmente, nenhum dos dois pilotos envolvidos nos graves acidentes tiveram graves ferimentos ou ficaram inconscientes.
Como funciona o halo?
Introduzido na Fórmula 1 a partir de 2018, o halo é uma de titânio localizado no cockpit dos pilotos e serve para evitar pancadas na cabeça, além de suportar impactos em casos de capotamento, como aconteceu com Zhou Guanyu, da Alfa Romeo. O halo sustenta uma pressão de até 12 toneladas.
O que motivou o uso do halo foi o acidente fatal envolvendo Jules Bianchi, no GP do Japão de 2014. A medida de segurança implementada pela FIA vem se mostrando uma peça fundamental para a vida dos pilotos, evitando lesões graves e até mesmo novas mortes nos circuitos.
Uma das cenas mais emblemáticas que mostrou a importância do halo foi a batida envolvendo Max Verstappen e Lewis Hamilton no GP da Itália, em 2021. Por muito pouco que o pneu do carro do holandês não acertou em cheio a cabeça de Hamilton, que ficou apenas com dores no pescoço após o choque.
“Honestamente me sinto abençoado hoje. Graças a Deus pelo Halo, pois, no fim das contas, salvou meu pescoço. Acho que nunca fui atingido na cabeça por um carro antes, o que me deixou um pouco assustado, porque não sei se viram nas imagens, mas minha cabeça foi muito para a frente. E eu estou no automobilismo há muito tempo, então muito grato por ainda estar aqui”, disse o britânico na época.
Em agosto do último ano, os desenvolvedores do halo anunciaram que a peça ficaria ainda mais resistente para a temporada 2022, algo previsto no novo regulamento da Fórmula 1.
“Uma peça muito mais forte será integrada ao carro de 2022. O acidente de Grosjean demonstrou que o Halo se adequou ao seu propósito; um sistema, não apenas o halo mas todo o veículo, se juntando para criar a possibilidade de sobrevivência. O Halo 4.0 será um dispositivo mais forte, capaz de suportar uma carga maior”, disse engenheiro Clive Cranfield, da Universidade de Cranfield, que auxiliou a F1 na criação da peça, em 2018.
A implementação do objeto causou controvérsias e não foi rapidamente aceita pelos envolvidos na categoria. Porém, com o passar dos anos, pilotos e demais profissionais do esporte entenderam a importância do halo, peça primordial para a sequência da prática da Fórmula 1.
