<
>

OPINIÃO - Por que Sergio 'Checo' Pérez, que venceu e surpreendeu o mundo em Mônaco, pode ser campeão da F1

play
Michael Jordan, Tom Brady, Beckham... Fórmula 1 recebeu ASTROS em Miami; VEJA (0:34)

Via: @Sportscenter | Verstappen levou a melhor, venceu GP de Miami e diminuiu vantagem de Leclerc (0:34)

Sergio Pérez venceu o GP de Mônaco e está, sim, na briga pelo título da Fórmula 1 em 2022


Sergio Pérez atualmente tem 110 pontos e está em terceiro lugar na Fórmula 1, seis atrás do segundo colocado, Charles Leclerc (116), da Ferrari, e a 15 de seu companheiro de Red Bull, Max Verstappen (125). Na teoria, suas possibilidades de título são mais que realistas. E para além dos números, o piloto de 32 anos foi competitivo em todas as sete corridas disputadas até aqui na temporada 2022.

O mexicano teve chances reais de ganhar pelo menos três das sete provas, conseguiu quatro pódios e nas outras três chegou muito perto de consegui-lo.

Isso, em outras palavras, se chama consistência, competitividade e estar no mais alto nível entre os atuais pilotos.

Ao analisar seus resultados, corrida por corrida, vemos que ele é um competidor forte, embora muitos considerem seus resultados e conquistas como algo de menos importância para o esporte.

No início da temporada, no Bahrein, 'Checo' (no México, todas as pessoas de nome Sergio automaticamente são chamadas por este apelido) Pérez se classificou em quarto lugar e quando esteve perto de terminar no pódio da corrida, o carro da Red Bull teve problemas na última volta, e a equipe ficou com os dois carros fora de ação.

Na Arábia Saudita, Pérez conseguiu a sua primeira pole na temporada e dominou o início do GP até se envolver em um acidente com Nicholas Latifi, arruinando o momento em que sua equipe escolheu chamá-lo para os boxes na volta 15. Apesar disso, ele conquistou 12 pontos ao terminar em quarto lugar.

O mínimo que 'Checo' espera é...

Com o domínio das Ferraris e a velocidade dos Red Bulls, o mínimo que o próprio 'Checo' Pérez espera de um fim de semana é conquistar o quarto lugar, mas é o mínimo mesmo, pois isso significa que ele foi o 'pior' dos quatro carros na disputa, pelo menos até este ponto da temporada.

Na Austrália, Checo Pérez estava em segundo lugar atrás de Leclerc quando Max deixou a corrida com mais um problema no carro, mas a Red Bull comemorou a primeira dobradinha da equipe austríaca após quase seis anos, com Verstappen sendo o vencedor e o mexicano em segundo em Emilia Romana (Itália).

Pérez ganhou mais 12 pontos em Miami e em Barcelona teve a chance de vencer, mas recebeu ordens da equipe, o que, embora seja discutível se ele poderia ter vencido o GP, deixou um gosto ruim. Acabou em segundo lugar, atrás, claro, de Verstappen.

Sua vitória em Mônaco nesse domingo (29), a maneira como ele administrou a estratégia da equipe, sua condução com pneus muito desgastados e indo ao limite quando tinha problemas chega a incomodar aqueles que fazem rankings dentro e fora da F1.

Na F1 graças ao patrocinador?

Quem insiste hoje que 'Checo' Pérez é um 'paydriver' (piloto que está na F1 não por mérito, mas graças ao patrocinador) deve repensar porque ele tem sido absolutamente impressionante.

Ele é menosprezado por fãs, jornalistas e até mesmo o conselheiro da Red Bull, Helmut Marko, que uma vez não o considerou como integrante da elite dos pilotos de F1 atualmente.

Na realidade, o que motiva e importa para Pérez é o que sua esposa, Carola, e os filhos, Chequito, Carlota e Emilio, pensam, assim como o orgulho que ele dá a sua mãe, Marilu, seu pai, Antonio, irmã Paola, irmão Toño, cunhada e três sobrinhos. Ele trabalha com Hugh Bird e sua equipe de mecânicos ao seu lado nos boxes da Red Bull, mas também com seus treinadores Xavi Martos e Jo Canales, assim como com seus assessores Luis Alvarez e Luis Aguirre.

Hoje, 'Checo' está com a consistência de marcar mais de 12 pontos por Grande Prêmio, de não cometer erros e de ser capaz de vencer aquele que, sem dúvida, é o talento mais impressionante da F1 nos últimos anos: seu companheiro de equipe, Max Verstappen.

Em uma volta, não são muitos os que podem vencer 'Mad Max', no mesmo carro ou em um melhor, mas 'Checo' já conseguiu fazer isso duas vezes em 2022. Pérez não terá e não deve acreditar que terá mais vitórias do que Verstappen ou Leclerc na temporada. Seu valor está em somar, subir ao pódio de forma consistente e ganhar mais pontos quando os dois favoritos cometerem erros ou abandonarem a corrida.

Também precisará que finalize seus dias ruins em quarto lugar. Estar permanentemente na frente de pelo menos uma Ferrari ou de preferência ambas e aproveitar, como em Mônaco, quando a bandeira quadriculada estiver ao seu alcance.

Talvez, 'Checo' precise ganhar pelo menos mais três corridas e subir em uma dezena de pódios para estar em condições de disputar o campeonato no GP final do ano. Este cálculo depende muito do que Verstappen e Leclerc fizerem, mas já significaria que Pérez estaria próximo dos 330 pontos - uma pontuação de campeão.

A Red Bull deixaria?

Existe o argumento de que o mexicano não pode ser campeão porque ele é o 'piloto número dois' da Red Bull, uma equipe que não permitiria a ele terminar à frente de sua estrela, Verstappen. Obviamente, as prioridades da equipe vêm em primeiro e segundo lugar para o holandês, mas se Sergio conseguir se manter tão perto como está agora, não existem ordens suficientes da equipe para frear o ritmo da regularidade.

O México nunca teve uma chance mais realista em sua história de ter um piloto campeão de Fórmula 1 do que tem em 2022 com 'Checo' Pérez. É muito cedo na temporada, e o mexicano deve repetir o que fez em 7 corridas nas 15 restantes, mas não é pouco que no primeiro terço da temporada ele esteja completamente na disputa pelo título.

Algumas pessoas dizem que não vai acontecer e é normal, outras dizem que é muito difícil e algumas pessoas não querem que aconteça. Faz parte do jogo. Mas o que ninguém pode tirar de Sergio 'Checo' Pérez é que ele está tendo a melhor temporada de sua vida e, se mantiver o ritmo, pode, sim, surpreender todos os especialistas.