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R6: 'Fui chamado para a G2 e outros times', conta Alem4o após conquistar o Major

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Alem4o fala sobre processo da Team oNe para chegar no momento atual (5:10)

Campeão do Major do México pela equipe, o jogador também fala sobre sua evolução (5:10)

No dia 22 de agosto, a equipe brasileira Team oNe agarrou mais um título para o Brasil, ao derrotar a Empire na decisão do Major México de Rainbow Six Siege, e colocou o nome dos Golden Boys no topo do cenário internacional da modalidade. Em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil, Karl “Alem4o” - um dos grandes destaques da equipe - além de falar sobre sua própria carreira, também comentou sobre a caminhada da equipe nos últimos meses até chegar ao título do evento.

Juntos a pouco mais de seis meses, o plantel formado por Lagonis, Alem4o, Levy, KDS, Neskin e Tchubz vem apresentando bons resultados em todos os campeonatos que fizeram parte desde sua chegada à organização. A missão de montar o melhor elenco possível para representar os Golden Boys dentro dos servidores da Ubisoft ficou nas mãos do capitão Lagonis e do treinador Tchubz.

Utilizando todo o conhecimento de jogo que possuem e encontrando nomes perfeitos em equipes diferentes, desde o começo os cabeças da equipe sabiam quais peças chamariam para completar o tabuleiro da forma mais concisa possível, segundo Alem4o.

A única coisa que faltava era tempo para que esses meninos de ouro encontrados pela organização se tornassem ainda mais brilhantes.

“As cinco peças do time são muito bem esforçadas e muito dedicadas, e dentro de jogo com as suas funções cada um se completa. Então sempre que alguém está fazendo alguma jogada ou criando tática a gente não tem nenhum problema. Foi só deixar o tempo passar que sabíamos que ia dar certo”, comenta o jogador.

E deu muito certo. Meio ano após a junção dos cinco integrantes, a equipe levantou o troféu internacional do Major México após uma caminhada mágica em meio a resultados desfavoráveis e séries emocionantes.

Realizando seu sonho de reencontrar um de seus ex-companheiros de Ghost Squad, equipe que fez parte entre os anos de 2018 e 2019, ao reencontrar Lagonis na equipe dourada, depois de muito tempo tentando colocar seu nome à altura de grandes jogadores do cenário, a glória veio - mas não antes de fazer os jogadores suarem a camisa durante o Major.

“Nós ganhamos no limite contra a Sonics, que era o 7 a 5, e isso nos possibilitou ganhar no máximo de 7 a 2 contra a Cyclops - a gente não podia tomar mais que dois rounds”, lembra o jogador sobre o confronto que teriam que jogar para chegar aos playoffs.

Depois de sofrer três derrotas seguidas nos primeiros confrontos do Major, a equipe de Alem4o engatou uma sequência de três vitórias para levar a equipe ao tiebreak, partida que decidiria qual das equipes passaria para a fase eliminatória do torneio. Cravando um 7 a 2 perfeito contra a Cyclops e jogando a prorrogação novamente contra os japoneses, os brasileiros garantiram mais uma vitória e a passagem para os playoffs.

“Você ter que jogar sem poder tomar três rounds em uma partida é algo impossível, é algo que nenhum jogador na história do R6 vai saber o sentimento que é conseguir fazer isso. Nem Pengu, nem Nesk vai saber o que é jogar um jogo assim; é uma coisa inacreditável”, diz.

Depois disso foi só passeio, 2 a 0 contra a DarkZero, 2 a 1 contra a Team Liquid e 3 a 2 contra a Empire na grande final. Como diria o jogador: “Quando a gente ganhou da Cyclops eu disse pro time: ‘A gente vai ser campeão, não tem coisa mais difícil do que a gente fez agora’. Então foi muito de boa jogar o Major depois deles. Foi fácil”.

Além de todo o trabalho duro e dedicação que fez parte de toda a caminhada da equipe, os jogadores também foram acompanhados pela magia. A fim de curiosidade, “Eu acredito na magia” é um bordão usado pela equipe nas redes sociais para apoiar seus atletas.

Para a equipe de Rainbow Six Siege da organização, de forma irônica, talvez a maior magia tenha sido o fato de Alem4o ter tirado seu bigode após as três derrotas seguidas e passado a usar um icônico shorts rosa com chinelo durante todas as partidas que sucederam suas três derrotas iniciais.

Quando perguntado se as peças de roupas seriam algum tipo de amuleto da sorte, o jogador que revela que a ideia não era que fosse, mas que acabaram se tornando.

“Até o terceiro jogo que a gente perdeu - que perdemos três jogos seguidos -, eu estava indo normal, só que quando perdemos esse terceiro jogo era tudo ou nada contra a BDS. A gente estava muito mal, a chance de classificar era muito baixa e pensamos: ‘Vamos entrar na partida, fazer nosso jogo, não vamos nem analisar os caras’”.

“Era uma partida pra ir descontraído e aí eu coloquei o shorts rosa e chinelo, quando a gente ganhou aquele jogo o Tchubz falou: ‘É o shorts’. E o bigode também, que tirei, então o time inteiro ficou nessa brincadeira e no fundo eu comecei a acreditar”, adiciona.

MUITA MÍDIA, MUITA BALA E O FUTURO DO JOGADOR

Durante o Six Invitational 2021, que aconteceu em maio e teve a também brasileira Ninjas in Pyjamas campeã, os espectadores tiveram uma palhinha do que poderiam esperar da Team oNe futuramente: jogos bons, com um futuro e nomes extremamente promissores.

Tanto que foi o que a equipe apresentou durante o próprio campeonato, nos jogos do BR6 e também no Major México. Evolução, conhecimento e trabalho duro são palavras que podem definir o patamar alcançado pelo elenco nos últimos meses. Uma mistura de aprendizado constante e dedicação de cada um dos jogadores para estarem preparados.

“Do Invitational 2021 para o Major eu senti que estava mais bem acompanhado, em questão de time. No Invitational a gente estava com dois meses de time e os jogadores em si não estavam tão confortáveis, então acabava que a gente perdia muitos rounds por cometer alguns erros. O que mudou foi que o time inteiro evoluiu individualmente, então a gente conseguiu impor nosso jogo no Major”, avalia.

Enquanto diversas equipes buscam levantar uma taça a anos, foi necessário apenas seis meses para que os Golden Boys fizessem isso. Segundo o jogador, o objetivo no Major era apenas bater de frente com os melhores do mundo e estar no mesmo nível, uma vez que a equipe ainda tinha pouco tempo junta, e no Major era ganhar, por mais difícil que fosse.

“Dava pra ganhar… só que não é fácil chegar lá e ganhar. Chegar lá e realmente ganhar é o difícil, por isso é surreal, porque fomos lá e ganhamos com seis meses de time. Acho que nosso time evoluiu em um ponto que estamos acima do resto, talvez no mesmo nível da NiP - que ainda acho o melhor time do mundo junto da gente”, comenta Alem4o.

Tudo isso contribuiu para que o time criasse a união vista hoje dentro dos servidores. Desde 2017 buscando o reconhecimento e tentando se encaixar nos holofotes brasileiros do Rainbow Six, hoje Alem4o finalmente alcançou o status de muita mídia e muita bala, e garantiu o segundo título brasileiro em um campeonato internacional em 2021, além do título de revelação do ano do portal SiegeGG.

Chegou com dois pés na porta depois de anos e apresentou-se ao mundo como um dos melhores flex (jogador que consegue fazer múltiplas funções dentro de jogo), o que acabou rendendo ao brasileiro não só um convite para outras grandes equipes do cenário tupiniquim, como a Team Liquid - conforme apurado pela ESPN Esports Brasil -, mas até mesmo para grandes equipes internacionais.

“Eu fui chamado para a G2 [durante o Invitational] e também para outros times, eu estava muito hypado com a ideia de ir para a Europa jogar, o salário é absurdo, a estrutura é absurda. Eu sempre coloco na balança as coisas e eu estava colocando nela que eu ia ganhar muita mídia e minha carreira ia se desenvolver muito lá fora, só que ao mesmo tempo eu ia estar com um pessoal que eu não tenho intimidade, não sou amigo. Eu ia estar saindo de um clima aqui no Brasil que eu amo, meu time é minha família, eu amo eles e me divirto muito com eles, e também os outros times que são meus amigos”, conta.

“Depois que ganhamos o Major, já abandonei a ideia por agora pelo menos, enquanto estamos nessa vibe muito boa. Para a minha carreira não vai ser melhor eu estar lá fora, vai ser eu estar ganhando título. Então hoje eu acredito que no meu time é minha maior chance de ganhar título no R6 porque meu time é muito bom. Eu não quero ir para Liquid, para FaZe, não quero ir para a G2. Eu quero estar no meu time”, crava para finalizar.

Junto do restante de seus companheiros de Team oNe, Alem4o volta a se apresentar nos servidores da Ubisoft a partir das 15h deste sábado (11), onde enfrentará a W7M Gaming pela primeira semana do terceiro turno do Campeonato Brasileiro de Rainbow Six Siege 2021. Os confrontos começam a partir das 13h, com transmissão ao vivo nos canais do Rainbow Six Esports Brasil na Twitch e no YouTube.