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Opinião: Valve não explica como vai punir treinadores, deixa comunidade confusa e escancara sua incompetência

Não é de hoje que a Valve se mostra incapaz de coordenar os cenários de esports de seus jogos e mais uma mostra disso se deu na noite da última quarta-feira (27) ao publicar as novas regras para os torneios classificatórios do próximo Major de Counter-Strike: Global Offensive.

Em postagem no blog oficial, a Valve aponta que os treinadores que foram pegos usando o famigerado “bug do coach”, revelado em agosto de 2020 (entenda aqui), sofrerão sanções e não poderão participar de futuros Majors da categoria.

A lenta decisão da empresa apenas mostra o quanto é incompetente em tomar atitudes que envolvem desde correções críticas em seus jogos, até mesmo em se comunicar com sua comunidade.

Em seu comunicado, a empresa de Gabe Newell mostra que seu principal objetivo é apenas ser uma loja de jogos e que, por acaso, tem dois jogos que são sucesso de público: Counter-Strike: Global Offensive e Dota 2.

A postagem não trata com a devida seriedade as punições que aplica aos técnicos envolvidos e começa mostrando quais são os stickers que estarão disponíveis para a venda durante a temporada de 2021, deixando as sanções como nota de rodapé sem deixar claro para a comunidade quais são os técnicos que serão banidos nos torneios.

A Valve terceiriza suas responsabilidades para com a comunidade de Counter-Strike, não é clara em seus comunicados e só deixa a comunidade ainda mais confusa. Pela postagem, a Valve não deixa explícitas quais serão as punições que Guerri, Apoka e Dead terão e jogou no colo da Esports Integrity Comission (ESIC) a responsabilidade de apontar a decisão final.

Segundo a Valve, técnicos que receberam de dois a oito “deméritos” da ESIC serão punidos e a pena pode ser de deixar de participar de um Major até ser permanentemente banido das competições futuras.

O comunicado é tão vago que deixou confusa toda a comunidade que acompanha o cenário competitivo do FPS. Perguntas como “O que são os deméritos?”, “Quais técnicos foram banidos permanentemente?” pipocaram nas redes sociais no Brasil e no resto do mundo. Coube aos responsáveis da ESIC relatarem o que são os deméritos.

Segundo a comissão, foram definidos que um caso concede 1 ponto de demérito, dois casos atribuem 2 pontos de demérito e mais de dois casos 3 pontos de demérito. Somado a isso, também é adicionado aos pontos de demérito a quantidade de rounds usados pelos técnicos.

• Até 7 rounds atribuem 1 ponto de demérito;
• de 7 a 19 rounds atribuem 2 pontos de demérito;
• de 20 a 49 rounds atribuem 3 pontos de demérito;
• acima de 50 rounds, 5 pontos de demérito.

Seguindo essa contagem, os técnicos brasileiros Apoka, elll e prd estariam banidos permanentemente dos torneios oficiais da Valve. Guerri, da FURIA, e dead da Godsent ficariam impedidos de participar de cinco majors.

Mas vale a pena atentar que a própria ESIC reduziu a punição de treinadores que ajudaram ou admitiram o uso do bug do coach nas investigações, como foi o caso de Apoka, dead e Guerri. Além disso, ao que parece, até mesmo a entidade não sabe a abrangência de suas atribuições e diz estar conversando com a Valve para saber se as medidas que tomou para reduzir as penalidades poderão ser aplicadas no relatório final.

Vale ressaltar também que a punição por infringir o código de ética deve ser aplicada e cumprida para manter a integridade competitiva. O ponto em questão é que a Valve, mais uma vez, não é clara com a comunidade que apoia o cenário de esport de Counter-Strike há mais de uma década.

A Valve prega por integridade, mas não faz o mínimo esforço para que seu jogo seja íntegro. O bug do coach esteve presente por mais de um ano no Counter-Strike: Global Offensive e foi necessário um escândalo a nível global para se mexer. É importante lembrar que o bug do coach poderia ser acionado acidentalmente, dessa forma, as pessoas podem sofrer, de forma involuntária, uma punição injusta.

Não é a primeira vez que a Valve aplica punições injustas, sendo o caso mais notório para o público brasileiro o banimento permanente de vsm. A falta de respeito por parte da Valve para com sua comunidade e sua incompetência em ser mais clara é algo que passa do limite do razoável.

Em comparação com seus principais concorrentes, a Valve aparenta não ter capacidade de manter um cenário competitivo de um dos esports mais influentes e caso Counter-Strike: Global Offensive fosse lançado hoje, em 2021, nunca conseguiria ter a mesma importância e relevância.

Empresas como Blizzard, Riot Games e Garena são claras e transparentes ao explicar quais jogadores e técnicos são banidos quando infringem suas regras. Punições são tratadas a sério, com postagens dedicadas e diretas. Não ficam escondidas em um subtópico de itens à venda.

E essas mesmas empresas sabem reconhecer quando agem de forma injusta quando são confrontadas pela comunidade, como pôde ser visto com o caso de Blitzchung de HearthStone. A Valve, por outro lado, é arrogante e se recusa a rever suas decisões.

Para não falar apenas da injustiça feita apenas para quem foi banido, é totalmente descabida a decisão de proibir a permanência de técnicos e membros das equipes no mesmo ambiente onde os jogadores vão disputar as próximas classificatórias online. Esse é um caso talvez mais aterrador, afinal, centenas de times ao redor do mundo foram punidos de tabela com essa decisão.

Dessa forma a Valve está literalmente dando golpes em uma profissão tão necessária no cenário de Counter-Strike por uma suposta integridade. Será que precisamos elencar a importância de ter um técnico próximo aos seus jogadores em pleno 2021? Ao que parece a Valve quer que CS:GO volte para o cenário amador e que a profissionalização do cenário retroceda em 10 anos.

A comunidade, mais uma vez, se mostrou revoltada e sofreu mais um duro golpe por parte de quem deveria deixar as regras claras, manter seu jogo estável e, acima de tudo, competitivo.

E o mais desolador é ter a certeza de que este não será o último erro por parte da Valve. Resta saber até quando esta apaixonada comunidade vai continuar a carregar o cenário competitivo nas costas.