Não é de hoje que a Valve se mostra incapaz de coordenar os cenários de esports de seus jogos e mais uma mostra disso se deu na noite da última quarta-feira (27) ao publicar as novas regras para os torneios classificatórios do próximo Major de Counter-Strike: Global Offensive.
Em postagem no blog oficial, a Valve aponta que os treinadores que foram pegos usando o famigerado “bug do coach”, revelado em agosto de 2020 (entenda aqui), sofrerão sanções e não poderão participar de futuros Majors da categoria.
A lenta decisão da empresa apenas mostra o quanto é incompetente em tomar atitudes que envolvem desde correções críticas em seus jogos, até mesmo em se comunicar com sua comunidade.
Em seu comunicado, a empresa de Gabe Newell mostra que seu principal objetivo é apenas ser uma loja de jogos e que, por acaso, tem dois jogos que são sucesso de público: Counter-Strike: Global Offensive e Dota 2.
A postagem não trata com a devida seriedade as punições que aplica aos técnicos envolvidos e começa mostrando quais são os stickers que estarão disponíveis para a venda durante a temporada de 2021, deixando as sanções como nota de rodapé sem deixar claro para a comunidade quais são os técnicos que serão banidos nos torneios.
Essa atitude da Valve em relação aos coachs só mostra mais uma vez o descaso com o CS e com toda a comunidade. Muitos inocentes serão prejudicados por conta de algo que teoricamente a própria Valve tem culpa no cartório... F
— Leonardo de Oliveira (@leo_drunky) January 28, 2021
A Valve terceiriza suas responsabilidades para com a comunidade de Counter-Strike, não é clara em seus comunicados e só deixa a comunidade ainda mais confusa. Pela postagem, a Valve não deixa explícitas quais serão as punições que Guerri, Apoka e Dead terão e jogou no colo da Esports Integrity Comission (ESIC) a responsabilidade de apontar a decisão final.
Segundo a Valve, técnicos que receberam de dois a oito “deméritos” da ESIC serão punidos e a pena pode ser de deixar de participar de um Major até ser permanentemente banido das competições futuras.
O comunicado é tão vago que deixou confusa toda a comunidade que acompanha o cenário competitivo do FPS. Perguntas como “O que são os deméritos?”, “Quais técnicos foram banidos permanentemente?” pipocaram nas redes sociais no Brasil e no resto do mundo. Coube aos responsáveis da ESIC relatarem o que são os deméritos.
Segundo a comissão, foram definidos que um caso concede 1 ponto de demérito, dois casos atribuem 2 pontos de demérito e mais de dois casos 3 pontos de demérito. Somado a isso, também é adicionado aos pontos de demérito a quantidade de rounds usados pelos técnicos.
• Até 7 rounds atribuem 1 ponto de demérito;
• de 7 a 19 rounds atribuem 2 pontos de demérito;
• de 20 a 49 rounds atribuem 3 pontos de demérito;
• acima de 50 rounds, 5 pontos de demérito.
I've been on this for 21 years and my love for competition doesn't change, no matter what position I am!
— Ale Apoka (@ale_apoka) January 28, 2021
I know that I NEVER used any bug to benefit me or benefit my team. Justice comes sooner or later, but it does!
Seguindo essa contagem, os técnicos brasileiros Apoka, elll e prd estariam banidos permanentemente dos torneios oficiais da Valve. Guerri, da FURIA, e dead da Godsent ficariam impedidos de participar de cinco majors.
Mas vale a pena atentar que a própria ESIC reduziu a punição de treinadores que ajudaram ou admitiram o uso do bug do coach nas investigações, como foi o caso de Apoka, dead e Guerri. Além disso, ao que parece, até mesmo a entidade não sabe a abrangência de suas atribuições e diz estar conversando com a Valve para saber se as medidas que tomou para reduzir as penalidades poderão ser aplicadas no relatório final.
Sobre a questão dos coaches, espero que a Valve encontre uma solução mais adequada para não penalizar ainda mais quem já foi punido e nem prejudicar totalmente quem não teve nenhuma infração.
— Jaime Padua (@jaimepadua) January 28, 2021
Grandes equipes começam por grandes treinadores. 🙌🏼
Vale ressaltar também que a punição por infringir o código de ética deve ser aplicada e cumprida para manter a integridade competitiva. O ponto em questão é que a Valve, mais uma vez, não é clara com a comunidade que apoia o cenário de esport de Counter-Strike há mais de uma década.
A Valve prega por integridade, mas não faz o mínimo esforço para que seu jogo seja íntegro. O bug do coach esteve presente por mais de um ano no Counter-Strike: Global Offensive e foi necessário um escândalo a nível global para se mexer. É importante lembrar que o bug do coach poderia ser acionado acidentalmente, dessa forma, as pessoas podem sofrer, de forma involuntária, uma punição injusta.
Não é a primeira vez que a Valve aplica punições injustas, sendo o caso mais notório para o público brasileiro o banimento permanente de vsm. A falta de respeito por parte da Valve para com sua comunidade e sua incompetência em ser mais clara é algo que passa do limite do razoável.
Em comparação com seus principais concorrentes, a Valve aparenta não ter capacidade de manter um cenário competitivo de um dos esports mais influentes e caso Counter-Strike: Global Offensive fosse lançado hoje, em 2021, nunca conseguiria ter a mesma importância e relevância.
Empresas como Blizzard, Riot Games e Garena são claras e transparentes ao explicar quais jogadores e técnicos são banidos quando infringem suas regras. Punições são tratadas a sério, com postagens dedicadas e diretas. Não ficam escondidas em um subtópico de itens à venda.
E essas mesmas empresas sabem reconhecer quando agem de forma injusta quando são confrontadas pela comunidade, como pôde ser visto com o caso de Blitzchung de HearthStone. A Valve, por outro lado, é arrogante e se recusa a rever suas decisões.
Para não falar apenas da injustiça feita apenas para quem foi banido, é totalmente descabida a decisão de proibir a permanência de técnicos e membros das equipes no mesmo ambiente onde os jogadores vão disputar as próximas classificatórias online. Esse é um caso talvez mais aterrador, afinal, centenas de times ao redor do mundo foram punidos de tabela com essa decisão.
Let me get this straight @csgo.
— dusT (@followdusT) January 28, 2021
You left a bug in the game for years due to your own incompetence. And now you are also punishing innocent coaches who left it be by ceasing their ability to coach during live matches of some of the most important events of the year.
Well done.
Dessa forma a Valve está literalmente dando golpes em uma profissão tão necessária no cenário de Counter-Strike por uma suposta integridade. Será que precisamos elencar a importância de ter um técnico próximo aos seus jogadores em pleno 2021? Ao que parece a Valve quer que CS:GO volte para o cenário amador e que a profissionalização do cenário retroceda em 10 anos.
A comunidade, mais uma vez, se mostrou revoltada e sofreu mais um duro golpe por parte de quem deveria deixar as regras claras, manter seu jogo estável e, acima de tudo, competitivo.
E o mais desolador é ter a certeza de que este não será o último erro por parte da Valve. Resta saber até quando esta apaixonada comunidade vai continuar a carregar o cenário competitivo nas costas.
