<
>

CSGO: Entenda o banimento de técnicos por uso de bug; dead, da MIBR, está envolvido

Na última segunda-feira (31) a ESL divulgou uma nota de punição que impactou o cenário de Counter-Strike: Global Offensive internacional ao divulgar que dead (MIBR), MechanoGun (Hard Legion) e HUNDEN (Heroic) foram punidos por utilizar um bug dentro com potencial de beneficiar suas equipes durante partidas em torneios oficiais.

A organizadora também divulgou o tempo de suspensão de cada um: dead por seis meses; HUNDEN por 12 meses; e MechanoGun por 24 meses. A punição foi proporcional ao tamanho da infração cometida.

Nesta quarta (2), a ESIC, que é a comissão responsável pela integridade de torneios como BLAST e Malta Vibes, também se pronunciou aplicando as mesmas punições contra os treinadores. A ESIC foi criada em 2016 como órgão fiscalizador de cheating e outros tipos de trapaça.

As investigações foram lideradas pela ESL, que concluiu que os três técnicos aproveitaram um glitch que vem se tornando frequente em CSGO: o uso de uma câmera “invisível” com movimentação livre dentro do mapa - e que ninguém dentro do servidor fica ciente disso. Ou seja, é uma forma de obter informações privilegiadas ao longo do round e repassar para os seus comandados.

“Depois de analisar de perto todas as partidas das competições ESL e DreamHack que ocorreram nos últimos meses, e consultar a Valve no processo para solidificar nossas descobertas, identificamos os treinadores que usaram o bug para obter uma vantagem competitiva em torneios”, escreveu a organizadora em comunicado oficial.

Pelo ESL One Road to Rio, torneio que valeu pontos para o Regional Major Rankings (RMR) - o classificatório rumo ao Major do Rio -, dead teria se beneficiado do bug durante um round e MechanoGun em seis mapas de três partidas.

Já HUNDER teria aproveitado a brecha em 10 rounds de um mapa durante a DreamHack Masters Spring 10.

ORGANIZAÇÕES TAMBÉM PUNIDAS

Por mais que cada técnico havia recebido uma punição diferente, a ESL optou em aplicar uma mesma penalidade para todas as organizações envolvidas. Dessa forma, MIBR, Hard Legion e Heroic foram “desclassificadas retroativamente do torneio em questão”, além de perder seus pontos ESL Pro Tour conquistados naquela respectiva competição e ainda perder a premiação em dinheiro embolsada.

Como resposta, Hard Legion e Heroic optaram por suspender seus treinadores. As duas organizações realizaram investigações internas e concluíram que a acusação da ESL procedia. Assim, a Hard Legion optou por imediatamente demitir MechanoGun, enquanto HUNDEN teve a suspensão mantida por tempo indeterminado.

No caso de HUNDEN, a Heroic ainda esclareceu que o treinador usou o bug em 13 rounds na DreamHack Masters Malmö e 10 na quinta edição da Home Sweet Home Cup. O próprio HUNDEN admitiu as infrações.

O CASO DE DEAD

Naturalmente, o caso de dead foi o que mais impactou o cenário brasileiro de CSGO. Em meio a uma sequência ruim de resultados durante bootcamp na Europa nas últimas semanas, a MIBR virou, mais uma vez, manchete negativa por conta dessa polêmica toda.

Assim que a ESL avisou os banimentos, o manager se defendeu publicamente. A MIBR também se posicionou sobre o caso e anunciou o afastamento do profissional de suas funções até que uma investigação interna fosse concluída.

De acordo com dead, porém, tratava-se de uma “acusação ilegal”. Na ocasião, o técnico postou um vídeo para contestar o resultado das investigações.

“O bug aconteceu (primeira vez que ocorreu comigo). Lembro do round e ter feito questão de não comunicar absolutamente nada sobre o round. As jogadoras feitas mostram que não houve auxílio algum. Prontamente saí do servidor após o round", se explicou.

Acontece que a prova em questão dizia respeito a um duelo entre MIBR e Triumph, confronto que ocorreu no cs_summit 6 da América do Norte - e não pelo Road to Rio como a ESL havia divulgado.

Com esse ruído, dead reiterou nas redes sociais que o vídeo publicado por ele retratava a mesma partida investigada e comunicada pela empresa - a ESL chegou a informar as organizações investigadas antes de tornar o caso público.

GUERRA DE TWEETS

Assim que o técnico da MIBR se defendeu, Ulrich Schulze, o vice-presidente sênior de Produto da ESL, acabou questionando a postagem do brasileiro também pelo Twitter. Isso porque a publicação dele colocou em cheque o anúncio da ESL, que foi questionada pela comunidade brasileira nas redes se era possível que tivesse acontecido um erro no comunicado.

Com isso, Ulrich sustentou a decisão da ESL: a prova que eles tinham em mãos, e que havia sido comunicada para a MIBR, era de uma partida válida pelo Road to Rio.

"Nesses tuítes da noite passada, dead faz referência a um clip de correspondência diferente em um evento não ESL que também foi descoberto, mas que não está sob nossa jurisdição”, postou o dirigente. “O organizador do torneio foi notificado. A proibição que emitimos foi baseada em uma partida ESL Road to Rio, onde um clip também existe.”

Contudo, por uma política da própria ESL, a organizadora não tornou pública essa prova contra a MIBR. O próprio vice-presidente explicou que o procedimento condizia com o “livro de regras claro” estabelecido pela empresa.

Dessa forma, o material investigado foi repassado unicamente para as organizações investigadas, sem a necessidade de torná-lo público.

Ainda segundo Schulze, tanto Valve como ESIC também receberam as provas. “Os times afetados, a Valve e a ESIC receberam evidências dos banimentos, então há transparência total com eles. Os times podem recorrer aos bans se eles considerarem injustos. Não consideramos necessário soltar nenhum clipe ou outro material.”

Quem também se posicionou publicamente foi Michal Slowinski, árbitro principal da ESL. Ele detalhou sobre o processo das investigações, que demoraram três semanas. No período, ele e Steve Dudenhoeffer avaliaram mais de 1,5 mil demos de partidas - e que ainda restavam mil demos de torneios Tier 2 e 3.

No caso dos jogadores da MIBR, todos, com exceção de FalleN, divulgaram o vídeo postado por dead em seu Twitter. Além disso, kNg, fez uma postagem nessa terça-feira (1) com os dizeres “Contra tudo mas não contra todos, temos vários do nosso lado!”.

Até mesmo o streamer Gaules, recordista de audiência nas lives com transmissão em português na Twitch, acabou se posicionando sobre a polêmica. Para ele, se tratava de um “dia triste pro CSGO competitivo”.

VÍDEOS DIVULGADOS

Se a ESL optou em não divulgar as provas contra a MIBR, a versão de dead foi contrariada pelo site norte-americano Rush B Media. O portal publicou uma série de clipes que comprovam o uso do glitch em questão por parte do treinador em três partidas diferentes.

Os vídeos, disponibilizados no site, reproduzem dead aproveitando o bug em dois momentos para, supostamente, beneficiar seus atletas. Dessa forma, entende-se que a série investigada pela ESL envolvendo a MIBR no Road to Rio foi contra a YeaH Gaming - organização, inclusive, que dead é acionista.

A partida contra a Triumph e usada como defesa pelo técnico, também foi reproduzida.

Importante ressaltar que os vídeos divulgados não são os usados pela ESL, mas, novamente, a própria empresa confirmou a veracidade do material colhido. Ele partiu das demos desses duelos.

Ainda há um terceiro vídeo, agora contra a Envy também pelo Road to Rio. Nesse, contudo, o treinador da MIBR se desconectou da partida e pediu uma pausa técnica - ao invés de ter permanecido na câmera como nas ocasiões anteriores.

Não é possível saber se dead acabou passando as informações obtidas por causa do bug para o time já que a comunicação do CSGO é gravada por um programa externo.

MAIS BANIMENTOS

A ESIC seguiu a ESL e aplicou o mesmo tempo de punições aplicado a cada treinador. Portanto, o técnico da MIBR não poderá atuar por competições como BLAST e Malta Vibes Cup - torneio, inclusive, que o time entrará nos servidores na tarde desta quarta-feira em duelo diante da PACT - durante seis meses.

Além disso, a ESIC ainda explicou no comunicado que não conseguiu ter provas suficientes para entender se houve cumplicidade por parte dos jogadores sobre o uso indevido do bug.

Por fim, o órgão afirmou que solicitou para as organizadoras não filiadas, como Beyond The Summit e Flashpoint, pra "honrarem os banimentos para proteger a integridade da cena internacional de CSGO".

MIBR E O MAJOR

Em meio a toda essa polêmica, o torcedor brasileiro fica se questionando qual será o impacto dessa punição de dead no que diz respeito a MIBR no Major. A equipe está em situação delicada na tabela do Regional Major Rankings (RMR) norte-americano.

No momento, a equipe de FalleN está fora da zona de classificação para o mundial a ser disputado em novembro no Rio de Janeiro. Sem a aplicação ainda da punição, a MIBR soma 2091.5 pontos na sétima colocação.

De até agora confirmado, as três organizações envolvidas na investigação da ESL perderam pontos referentes ao ESL Pro Tour. Caberá a Valve, contudo, decidir também pela punição ou não dessas equipes com os pontos retirados no RMR.