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Conheça o Girls' Arena, projeto de inserção de mulheres nos esportes eletrônicos

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O cenário de esportes eletrônicos ainda é majoritariamente masculino, mas, graças a ligas femininas, ações e projetos que visam inserir mulheres nesse meio, a presença feminina está se tornando cada vez mais forte no meio.

É este fortalecimento que o Projeto Girls’ Arena pretende: inserir as mulheres no cenário de esports, independentemente da posição que elas desejam estar, como jogadoras, analistas, comentaristas, psicólogas, dentre todas as outras funções.

Projeto idealizado por Gabriel “Geralmente” Poersch e Maycol “Tiguito” em março deste ano, o Girls’ Arena tem como embaixadora Tatiana “Nelliel” Camargo, que foi a primeira técnica de League of Legends no Brasil. Ela tem passagens como headcoach por times como Pro Player (2017) e PainXP (2017), dentre outras organizações.

“Atualmente o Gabriel está treinando um time feminino francês e que queria ajudar as meninas a entrarem no cenário. Então, ele me perguntou se topava ser embaixadora do projeto, pois não fazia sentido ser um cara fazendo um projeto voltado para mulheres, sabe? Precisava ter uma visão feminina ali também”, comenta Nelliel.

O Projeto Girls’ Arena é uma iniciativa social, totalmente gratuito para as meninas, sem qualquer tipo de distinção. Elas podem ser cis, trans, não binária… todas são bem-vindas e o objetivo é capacitar as meninas para que possam ingressar nos esports.

Atualmente o projeto foca em League of Legends, mas pretende abraçar mais games como VALORANT, Fortnite e Counter-Strike. No Discord do Girls’ Arena, já são mais de 500 meninas interessadas em entrar no cenário, seja como jogadora, integrantes de staff ou apenas interessadas em subir de elo nos jogos.

“As meninas precisam se sentir seguras para mostrar a cara, sabe? E a gente quer trabalhar isso nelas também. Queremos que elas não sintam medo tentem entrar nesse cenário. A nossa ideia é criar uma ponte para elas, para que consigam se destacar - ainda mais - nos esportes eletrônicos”, afirma Nelliel.

DE JOGADORAS À ANALISTAS E COMENTARISTAS: TUDO O QUE ELAS QUISEREM SER

O projeto conta com aulas sobre temas diversos dentro do esports, atividades e palestras informativas. A própria Nelliel divulga as meninas que estão procurando por estágio em empresas do ramo. Duas participantes do projeto, e estudantes de psicologia, já estão usando seus conhecimentos em ação: elas levam um tema para o projeto e fazem uma palestra sobre esse tema.

Nelliel comenta que vários temas legais da psicologia já foram abordados: “por exemplo, tivemos uma palestra sobre mindset no jogo e como mudá-lo. São temas que vão além do machismo. É claro que também abordamos isso, mas tem muito sobre os jogos, como quando você entra em um looping de errose como você faz para sair dele”, completa.

Ela também menciona o plano de criar miniaulas em formatos dinâmicos de vídeo para disponibilizar às meninas, desde “como farmar melhor”, “qual o treino de farm ideal” a análises de jogos, rotações e tudo o que engloba a disputa.

“Nós já tivemos palestrantes que já trabalharam no cenário como staff, analistas, comentaristas para falaram com elas. A Jéssica ‘Matinho’ também veio fazer uma palestra sobre narração e comentários que foi super bacana”. Em breve também teremos uma palestra com uma fonoaudióloga que vai falar com as meninas sobre a importância e cuidados para se ter com a voz para quem quer trabalhar nessa área de caster e afins”, explica Tatiana.

Também existe a possibilidade de, no futuro, um campeonato do Girls’ Arena, e não só para as meninas que participam do projeto, mas para todas as jogadoras que quiserem participar. Esse também é um meio de inserir as meninas ali, porque, ajudando na elaboração do campeonato, a vivência e a experiência se tornam maiores.

Julia Macalossi é apaixonada por games e esports e colunista no ESPN Esports Brasil. Siga-a no Twitter e Instagram.