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'The Last Dance': A nostalgia seria capaz de reviver os tempos de ouro do CSGO brasileiro?

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CSGO: "É gratificante sentir o carinho do público de perto", afirma FalleN durante Encontro das Lendas (4:05)

Cold e fnx também comentaram o sentimento de rever a torcida do MIBR, enquanto torcedores falaram sobre como é encontrar ídolos (4:05)

Já são quase duas semanas do que foi um verdadeiro desmonte da equipe de Counter-Strike: Global Offensive da MIBR.

Em 13 de setembro, a organização dispensou fer, TACO e dead. Horas depois, FalleN veio a público anunciar que, por decisão própria, seria movido para o banco de reservas. Movimento necessário para que ele pudesse pensar nos próximos passos na carreira.

Dessa forma, do dia pra noite, sem exageros, deu-se fim a uma era. A data marcou o fim de um projeto ambicioso - e muito nostálgico - ao ressuscitar a maior tag brasileira do Counter-Strike na história que só rendeu fracassos e frustrações.

Em meio aos questionamentos, visíveis descontentamentos e, principalmente, o silêncio adotado desde então por todas as partes envolvidas após a reformulação, coube a torcida o papel de agitar as discussões nas redes sociais sobre o futuro que aguardava FalleN e companhia.

Eis que virou febre de internet uma grande brincadeira: e se houvesse um “The Last Dance” - documentário de Michael Jordan na Netflix - com o elenco bicampeão mundial de CSGO por Luminosity e SK Gaming? Ou seja, a volta de FalleN, coldzera, fer, TACO e fnx juntos em uma mesma equipe.

"O sentimento de nostalgia explica tudo”, respondeu o analista de CSGO BiDa em conversa com o ESPN Esports Brasil. “Às vezes algo que aconteceu no passado você só lembra das coisas boas e esquece de tudo de ruim que aconteceu.”

“Mas se a gente lembrar também, tivemos aí uma nostalgia recente. Eles refizeram a line-up de 2017 com o felps no time. Um time que foi muito campeão. E acabou dando tudo errado”, relembrou o caster sobre o retorno da tag MIBR em junho de 2018.

“Nem sempre você voltar para algo que deu certo no passado vai dar resultado”, alertou BiDa sobre um possível “The Last Dance”. “Acredito que seja muito mais por emoção ou meme do que realmente razão.”

THE LAST DANCE DO CSGO

Quem entrou nessa onda foi Buyaka, fundador da Luminosity Gaming. Ele cravou que se reuniria com o elenco em questão para discutir um possível reencontro caso atingisse 20 mil seguidores no Twitter. Houve, portanto, uma mobilização em cima disso e o objetivo foi cumprido.

Há quem veja essa investida de Buyaka apenas como uma grande brincadeira. BiDa é um deles. “É muito inviável esse 'The Last Dance'. Talvez não financeiramente falando, até o Buyaka falou, mas ele é um brincalhão.”

“Financeiramente falando pode ser que dê certo. Não imagino que eles possam esperar por resultados de campeonatos, mas sim pelo apoio da torcida, venda de camisetas, essas coisas tudo funcionariam”, comentou.

“Só que para jogadores competitivos do jeito que são não sei se daria certo. Claro, existe uma possibilidade que encaixaria, mas começar do zero, com um time com idade mais avançada, é muito complicado”, colocou na balança.

Dessa forma, BiDa defende que a volta do elenco bicampeão mundial aconteça em caráter mais “festivo” - às vésperas de uma aposentadoria.

“Seria muito divertido se fosse uma época em que todos os jogadores se aposentassem depois”, ponderou. “Você faria um time meio que pra jogar showmatches.”

“Campeonatos, mas com muito mais ideia de atrair público e fazer uma coisa diferente. Mas como TACO e coldzera devem ter mais uns bons anos de carreira pela frente, acho que não é o caso”, disse deixando a ideia de lado.

MAS E CASO ACONTEÇA?

Mesmo reticente quanto ao que considera ser um improvável “The Last Dance”, BiDa foi questionado pela reportagem sobre o nível técnico de um time formado por FalleN e companhia - independente desse reencontro ser possível ou não.

“Eu gostaria muito de acreditar que seria só encaixar os players juntos e eles iriam arrebentar todo mundo, mas a gente sabe que o CS não é mais tão simples assim”, respondeu. “O treino teria que ser muito importante. É dedicar muito tempo, começar tudo do zero.”

Dando mais voz para a razão, BiDa desconsiderou qualquer possibilidade de reunião por parte dos bicampeões mundiais. “Não acho que seria uma boa não. Apesar que tem nostalgia, eu preciso deixar minha parte emocional de lado. Na emoção, claro que eu gostaria de ver. Mas na razão, não acho que faça sentido.”

“É difícil julgar 100% porque se o 'The Last Dance' acontecesse, e as coisas dessem certo, e os caras fossem campeões ou só bons resultados, como semifinalistas ou quarto em grandes campeonatos, pode ser que seja positivo”, ressaltou.

“Mas é muito arriscado porque se eles não tiverem nenhum tipo de resultado, aí você meio que quebra aquela magia do passado - algo que o MIBR fez ressuscitando essa tag.”

“Você tinha memórias do 1.6, de um MIBR imbatível, campeão mundial... E, em dois anos dessa tag, eles só conseguiram um título, de um campeonato pequeno ainda. Então é complicado”, analisou. “É mais fácil ser negativo do que ser positivo.”

“E, como eu falei, TACO e cold devem querer competir por pelo menos mais uns três anos, enquanto FalleN e fer são jogadores que devem se aposentar nos próximos dois anos. Pelo menos é o que manda o mundo dos esports.”

SOBRE O FUTURO

“Eu realmente gostaria que eles se separassem e tentassem sua sorte em outras equipes e caminhos”, admitiu BiDa para a reportagem sobre o que esperar do futuro de cada um dos cinco jogadores em questão.

“Acho que a gente tem que agradecer muito pelo o que eles conquistaram juntos, mas, até como desafio de cada um deles, ter esse sucesso em outros lugares ia ser da hora”, complementou.

Até mesmo pelo silêncio de FalleN, fer e TACO, virou o assunto do momento qual será o caminho adotado pelo trio. Inclusive, foi o assunto desta semana no Rematch, podcast de debates do ESPN Esports Brasil, que contou com o analista Spacca dando seus pitacos sobre o futuro dos jogadores e a própria MIBR.

Para BiDa, a separação do trio seria muito bem-vinda. Não só em termos de desafio pessoal para cada um deles, mas também para o público. “A gente poderia dividir nossas atenções com outras equipes do mundo, outros brasileiros lá”, justificou.

“Seria muito divertido de acompanhar um fer contra FalleN depois de tantos anos jogando juntos, por exemplo. Esse é o sentimento.”

O narrador até arriscou um palpite sobre “cair alguém na FaZe pra jogar junto com o cold”.

Como o próprio BiDa acabou dizendo, no fim das contas, falar de “The Last Dance” agora é muito sobre “uns flashbacks, uns remember me”.