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CSGO: Flashpoint tem como seu principal ponto fraco a comunicação com times

A temporada de estreia do Flashpoint de Counter-Strike: Global Offensive foi prejudicada por problemas de comunicação Divulgação/Flashpoint

Agora sabemos o final da saga de FunPlus Phoenix, Heroic e Flashpoint em Counter-Strike: Global Offensive.

A Bad News Bears, uma equipe norte-americana ranqueada abaixo do Top 30 na HLTV, competirá sob a bandeira da FunPlus Phoenix no torneio Flashpoint, apenas duas semanas após a 18ª equipe do mundo, a Heroic, fazer o mesmo.

O que não sabemos é qual será o futuro deste elenco da Heroic. Eles não têm vaga na ESL Pro League depois que a Heroic, a organização, não concretizou as negociações para venda de seu time para a FunPlus Phoenix. E com a saída planejada de Patrick "es3tag" Hansen em julho para a Astralis, a venda para o FunPlus Phoenix acabou fracassando, assim como as chances da equipe competir no Flashpoint.

Como o calendário de eventos de Counter-Strike: Global Offensive está diminuindo devido à pandemia de coronavírus (COVID-19), a 18ª melhor equipe do mundo pode não competir nos próximos meses. Enquanto isso, uma equipe norte-americana de nível inferior terá essa oportunidade nesta quinta-feira (02) pelo Flashpoint.

Para ser franco, a Bad News Bears não deveria estar nesta liga. Casper "cadiaN" Møller e sua equipe deveriam estar. Es3tag não deve assumir nenhuma culpa aqui, muito menos a Astralis. Ele está fazendo o melhor para sua carreira, ingressando em uma das melhores equipes do mundo. Também não é culpa de cadiaN ou de qualquer outro jogador.

A culpa vai para FunPlus Phoenix, Heroic e Flashpoint - todos eles merecem culpa por causa de negligência ao lidar com a transferência do elenco.

Em entrevista ao The Eco, um programa semanal da ESPN norte-americana sobre Counter-Strike: Global Offensive, o presidente da Cloud9 e o diretor do Flashpoint, Dan Fiden, - ex-executivo da FunPlus que liderou o recrutamento do FunPlus Phoenix para a Flashpoint - disse que a liga poderia ter examinado melhor a situação.

Fiden disse que um acordo entre Heroic e FunPlus estava mais ou menos concluído quando o elenco dinamarquês da Heroic estreou em 15 de março. Fiden, no entanto, admitiu que a Flashpoint não se aprofundou no assunto. Não houve questionamento se os jogadores do Heroic assinaram novos contratos com o FunPlus e aceitaram a palavra da franquia.

Flashpoint foi negligente. A liga deveria ter confirmado que esses contratos foram assinados; se não haviam sido, a FunPlus Phoenix perderia suas primeiras partidas ou mudaria as partidas no calendário para acomodá-las.

Isso não teria acontecido em ecossistemas franqueados, administrados por desenvolvedores, como League of Legends ou Overwatch League; todos os parceiros da Flashpoint participam de uma dessas ligas e precisam seguir as regras e aprovar os contratos da liga antes que um jogador jogue uma competição por sua equipe. E, embora as partes interessadas do Flashpoint possam fazer uma careta ao pensar nisso, esse fracasso contratual provavelmente também não teria acontecido na ESL Pro League.

Isso aconteceu porque as oito equipes do Flashpoint se empenharam muito para lidar sozinhas em áreas fora de suas alçadas, e o organizador, FACEIT, não está tão no comando quanto na Esports Championship Series.

COMUNICAÇÃO

Esse tem sido o problema com o Flashpoint desde o início: comunicação.

Antes mesmo que a liga fosse anunciada, executivos das equipes fizeram aparições na mídia para discutir a economia de Counter-Strike e questionar a ESL, enquanto faltava informação para divulgar sobre o próprio Flashpoint. Por várias semanas, as pessoas pensaram que a liga seria chamada de "B Site", entidade de que administra o Flashpoint, e vários de seus analistas foram ao Twitter e conduziram entrevistas para se apresentarem sobre o produto, mesmo que não estivesse pronto para o lançamento.

Na noite anterior ao Flashpoint começar, devido ao surto de coronavírus em Los Angeles, o comentarista Duncan "Thorin" Shields entrou no Twitter e se gabou de ser a única liga presencial no esports - enquanto os executivos do Flashpoint decidiam se a liga deveria ser online. Menos de 24 horas após as postagens iniciais de Thorin, a liga anunciou que estava mudando para um formato somente online, e os tweets foram excluídos.

"Os donos de equipes discutiam isso há algum tempo, tomando as medidas de precaução e garantindo que todos tivessem conectividade", disse o vice-presidente da Gen.G e diretor do Flashpoint, Kent Wakeford. em uma entrevista logo após o anúncio da liga. "Não conheço a história desses tweets, mas, da perspectiva das equipes, discutimos isso e tomamos as medidas".

Outro exemplo mais recente: antes que a Bad News Bears concordasse em participar, o Flashpoint anunciou que FunPlus entraria no elenco do Swole Patrol. De acordo com Fiden, FunPlus e Swole Patrol não estavam de olho em compensações, e Swole Patrol foi dispensado em favor da Bad News Bears. Porém, isso não impediu que um comunicado de imprensa divulgasse o movimento da Patrulha Swole, mesmo antes de sua participação acabar.

Internamente, o Flashpoint tem se comunicando mal com suas equipes e o resultado é algo desorganizado. A liga já se “destaca” pelo nível das equipes (apenas seis das 30 principais organizações da HLTV competem na liga).

Claro, há razões econômicas para administrar a liga da maneira como a Flashpoint é. O organizador da liga, FACEIT, não obterá um lucro significativo, como a ESL e a WESA da ESL Pro League. As equipes do Flashpoint terão direito a lucros maiores a longo prazo e, se o Flashpoint for bem-sucedido, esse contrato certamente será recompensado por essas organizações. Mas apressar a participação da FunPlus na liga é uma ótica negativa para o Flashpoint durante seu lançamento.

Francamente, a FunPlus Phoenix deve ser desqualificada desta temporada do Flashpoint e não ter outra chance de montar um elenco. As concessões serão feitas porque o Flashpoint precisa continuar funcionando normalmente.

Quando as estratégias são confusas por parte do responsáveis é difícil tomar decisões difíceis. Mas sempre há um momento e um lugar para os organizadores colocarem os pés no chão e se o Flashpoint quiser fazer a coisa certa, essa hora é agora.