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Artigo: Esports - a modalidade que desafia o coronavírus

Os desafios impostos pelo coronavirus desafiam os esports, mas não impedem que sejam praticados Riot Games

Não é novidade para ninguém que, desde o dia 11 de março, a Organização Mundial da Saúde classificou como pandemia o estado de contaminação mundial pelo novo coronavírus, o Covid-19. Isso se deu em razão do alcance e da velocidade de disseminação do novo vírus.

Os impactos da pandemia, assim como ocorre com outros setores, afetou a bilionária receita da indústria esportiva, que terá perdas financeiras inestimáveis. O esporte profissional responde por cerca de um terço de 750 bilhões de dólares na indústria esportiva com os segmentos do varejo esportivo, vestuário, operacionalização de arenas, alimentação, bebidas, mercado de apostas, entre outros.

Houve diversas modificações nos calendários de eventos presencias em praticamente todos os esportes, a exemplo do cancelamento da NCAA e das etapas da Austrália e Mônaco da Fórmula 1, a suspensão das ligas NBA, NHL, MLS e XFL e o adiamento da abertura da MLB e do Grand Slam de Roland Garros no tênis. No futebol, os eventos de grande magnitude como a Eurocopa e Copa América em 2021 também foram adiadas, sem falar da suspensão e adiamento dos diversos campeonatos estaduais, nacionais e intercontinentais no Brasil, América Latina e resto do mundo, o que gera uma consequência negativa do consumo entre empresas e no consumidor direto de uma maneira geral, como apontado em relatório publicado pela empresa Outfield Consulting.

Entretanto, mais uma vez na contramão dos esportes tradicionais, os esports têm se mantido ativos e aparecido como uma forma interessante de prática esportiva e entretenimento em tempos de pandemia.

Vale lembrar que os esports já tinham revelado sua face gauche ao possibilitar que pessoas de todos os gêneros disputem a mesma categoria em igualdade de condições – tornando-se a modalidade esportiva mais democrática entre todas – e aceitando pessoas com as mais diversas limitações e características físicas para a prática esportiva de vários jogos – demonstrando-se a modalidade esportiva mais inclusiva entre todas.

No atual momento, podemos falar que apesar de algumas suspensões de torneios presenciais como o CBLoL e o Circuito Desafiante, parece ser o esporte que, ao ser praticado online, não só está imune ao COVID-19, como cria oportunidades cada vez maiores para publishers, clubes, atletas, influenciadores, streamers, entre outros players do mercado.

Além de manter os atletas competindo e criando conteúdo, os eventos online estão contribuindo para angariar fundos e compartilhar informações importantes para o “combate” da doença. Como exemplo, podemos apontar o CBolão; um campeonato beneficente, realizado no último final de semana, que contou com os principais nomes de League of Legends no Brasil e teve como finalidade angariar fundos para o combate ao hashtag #Covid19.

O evento não presencial, foi realizado e transmitido em plataformas online, tendo sido arrecadado o montante de R$ 125.000 em dois dias, diante de 102.000 espectadores simultâneos, batendo o recorde da plataforma na twitch de mais assistida do mundo naquele momento. Além disso, obtivemos mais de 1 milhão de espectadores que assistiram a transmissão, tendo sido o assunto mais comentado do Twitter no Brasil, figurando no Top3 de assuntos mais comentados do Twitter no mundo, com times estrangeiros e personalidades do cenário apoiando a causa.

Ainda, alguns times de futebol do resto do mundo abraçaram a ideia para jogar um campeonato de FIFA, que foi batizado de Fifa 20 ‘QuaranTeam’ Tournament pelos seus criadores, sem falar que alguns atletas também estão tirando proveito dos esports em seu tempo livre e competindo em ligas virtuais. Os pilotos de fórmula 1 e Nascar não ficaram de fora, e criaram torneios virtuais para seus pilotos para manter a prática da modalidade, ainda que por meio de simuladores que aproximam o máximo da realidade do esporte.

Certo é que, neste momento de tantas incertezas, os esports estão dando um exemplo para as demais modalidades, ao abraçar a todos com demonstrações de empatia, solidariedade e união. Isso é esporte.

*André Sica é sócio do CSMV Advogados, responsável pela área de Esportes, Entretenimento e esports; Mestrado em Direito Desportivo pela Kings College – Londres (2007); Trabalhou como Associado Internacional no escritório Hammonds & Hammonds, em Londres (2006); Representa clientes nos tribunais arbitrais da FIFA e do CAS; Leciona Direito Desportivo nos cursos de especialização da CBF Academy, ESA e da Federação Paulista de Futebol; Foi recomendado pela Chambers Latin America (2018-2019), pela Best Lawyers (2018), pela Leaders League (2018) e pelo Who’s Who Legal (2018) por sua atuação em direito desportivo e entretenimento. Diretor do IBDD;

*André Feher é associado especializado em Esportes, Entretenimento e esports do CSMV Advogados. Advogado pela PUC SP, é Mestre (LL.M.) em Direito Desportivo Internacional pelo Instituto Superior de Derecho y Economia – Madrid, é Pós Graduado em Contratos Típicos e Atípicos pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.

Este artigo não representa, necessariamente, as opiniões da ESPN.