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Opinião: Sistema de franquias é só mais um passo para o crescimento do CBLoL

Campeonato Brasileiro de League of Legends é o principal torneio brasileiro do jogo. Riot Games

O sistema de franquias era algo que há muito tempo — pelo menos desde meados de 2017 — vinha sendo discutido nos corredores do CBLoL em conversas entre os jornalistas, e talvez fosse o assunto mais comentado nas reuniões dos donos de times. E agora, finalmente chegou o momento desse modelo ser implementado no Brasil.

A ideia não é original da Riot Games. Surgiu como possibilidade palpável no processo de criação da Overwatch League ainda em 2016, que reuniu diversos donos de times da NBA e da NFL que queriam investir nos esports, mas não queriam correr riscos de ver seus milhões de dólares serem dragados pela incerteza de estabilidade em uma liga aberta. Todo o trâmite durou cerca de dois anos e a liga estreou em 2018, se tornando um grande marco na história dos esportes eletrônicos.

Em 2017, foi a vez da Riot elaborar seus planos para trazer a mesma “tranquilidade” para os clubes que participavam da League of Legends Championship Series — a liga norte-americana. O processo deu mais que certo. Os clubes começaram a investir em talentos, comissão técnica, centros de treinamento e afins para que seus times conseguissem se desenvolver e ganhar destaque no cenário internacional.

Um ano depois, foi a vez da Turquia e da Europa anunciarem os planos para suas ligas regionais, o que também deu muito certo. Em menos de um ano com o sistema de franquias, o Velho Continente saiu da estagnação e voltou com tudo, se consolidando como a segunda maior região global. Em 2019, foi a vez da América Latina anunciar a transição para o modelo de franquias, e este ano ela terá sua estreia em novo formato em uma nova sede no México.

O investimento no Brasil nunca parou. Nosso país sempre teve gana, e as principais equipes investiram pesado, mesmo com o cenário incerto de uma liga aberta. A cada ano, mais e mais profissionais apareceram no competitivo. A INTZ, por exemplo, investiu pesado ainda em 2015 ao criar uma estrutura que trouxe o psicólogo Claudio Godoi para auxiliar no desempenho da equipe – um movimento que rapidamente se tornou padrão no cenário nacional.

De lá pra cá, as organizações cresceram, angariaram patrocinadores de peso e fizeram treinamentos intensivos na Coreia, EUA e Europa. Nosso cenário tinha ares de região grande, mesmo com o dinheiro escasso e superando até as crises econômicas nacionais e internacionais.

Quem investiu, se manteve no cenário. Quem dormiu no ponto e ficou parado no tempo, não teve fôlego e morreu na praia.

A boa visibilidade dos esports mostrou aos patrocinadores que, apesar do sistema aberto da liga, o investimento nos esports era algo praticamente obrigatório. Afinal, o público dos esports sempre foi engajado – algo que toda marca busca.

Se mesmo lutando contra tudo e contra todos, o nosso cenário cresceu, agora é a hora de dar um passo adiante. Os campeonatos de League of Legends ao redor do mundo vem quebrando cada vez mais recordes de audiência.

É inegável e até óbvio o título dessa coluna. Mas, finalmente, o Brasil está dando um passo adiante no cenário dos esports. A chegada das franquias em League of Legends é bom não apenas para os times do CBLoL, mas para todo ecossistema do esporte eletrônico.

m exemplo para isso foi a forma como a Cloud9 e Team Liquid se reergueram em outras categorias do esport. Os clubes tiveram força para chegar em novos patrocinadores e, com isso, tiveram mais caixa para ampliar os investimentos em Counter-Strike e Fortnite. A Team Liquid, inclusive, teve um ano fantástico no jogo de tiro da Valve porque levou ao Counter-Strike as mesmas condições que disponibilizou para o League of Legends. O mesmo aconteceu com a C9, que também ganhou destaque em diversas categorias, como Smash Bros. e Fortinite.

A chegada de franquias não é a tábua de salvação do cenário brasileiro de League of Legends. Ainda existe muito a ser feito. Os times precisam aparar arestas, investir pesado em treinos, jogadores, imagem, conexão com a torcida, mídia e parceiros.

Os jogadores, por sua vez, também são parte essencial nesse ambiente. Precisam entender que são pessoas públicas, que representam marcas, que têm responsabilidade com sua camisa e, acima de tudo, que o CBLoL não é brincadeira – algo que deveria ter sido assimilado há muito tempo.

Já passou da hora do cenário se profissionalizar, e os times que querem se tornar sócios do CBLoL serão colocados à prova não somente em Summoner’s Rift, mas também no ambiente de negócios, no comprometimento para a competição. Até mesmo você, leitor e torcedor, está convidado a participar desse crescimento do cenário apoiando seu time, cobrando atitude e profissionalismo.

O esport deu um passo adiante, mas o caminho a ser percorrido (e reconhecido) é muito longo.