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Análise: Conheça os reforços estrangeiros no CBLoL (Parte 1)

Ex-Hanwha Life Key jogará pela paiN em 2020 korizon

O CBLoL 2020 já tem data marcada para começar — e os fãs esperam ansiosos para ver, em 25 de janeiro, os novos estrangeiros na liga em ação.

A paiN reforçou-se com dois coreanos ex-LCK (Key e SeongHwan), assim como a RDP com BalKhan e Patrick e a KaBuM com Wiz e Parang. A INTZ contratou o chinês Tianci e o Flamengo foi ao mercado coreano por WooFe, enquanto PRG e Keyd buscaram na LLA os talentos Aloned e Grell — além da Furia, que manteve o português Alternative.

O ESPN Esports Brasil buscou analistas e técnicos de League of Legends a fim de apresentar ao público questões técnicas envolvendo as novas importações do CBLoL. Confira as opiniões de DarkCalise, Mit e Galfi sobre cinco dos novos estrangeiros na liga nacional:

1. TIANCI - INTZ

Posição: Top lane
Região anterior: China
Carreira: Desde 2017 entre o time Academy e titular da Royal Never Give Up

Como a experiência anterior ajudará no CBLoL?

Calise: Ele [Tianci] já é pro player há 2 anos e meio, entrou no time de base da RNG e permaneceu nele por toda a carreira. É comum em times chineses, principalmente nas organização maiores, ter dezenas de jogadores em suas academias.

Ele apenas jogou uma série pelo time principal, em um momento em que Letme (campeão do MSI com a equipe) havia se afastado e a RNG estava tendo problemas em encontrar um substituto. Tianci foi a terceira opção, mas também não agradou.

No geral, é difícil dizer como essa experiência anterior ajudará no CBLOL. Ele é, com toda certeza, um jogador mecanicamente apurado, muito devido a competitividade e dificuldade da soloq Chinesa, mas acho que é isso.

Estilo de jogo

Calise: Durante a carreira, a preferência dele sempre foi jogar com campeões mais agressivos e que preferem jogar isolados e splitando. Mas, como a identidade da RNG na rota superior sempre foi mais focada em tanks e campeões de teamfight, ele também deve saber cumprir bem essa função.

Como se encaixa na line atual?

Calise: De imediato, não vejo ele tendo espaço, pelo menos não para tirar o Tay da posição. Mas acredito que a forma ideal de usá-lo seria justamente em situações onde a parte de cima do mapa tende a ficar isolada, com campeões que sabem jogar sozinhos, como a Fiora e o GP.

É justo dizer que tê-lo na equipe empurrará o Tay para cima, mas acho difícil ele conseguir a vaga de titular, principalmente pelo fator comunicação. A INTZ sempre pareceu um time mais unido e de teamplay do que de peças isoladas.

2. KEY E SEONGHWAN - PAIN

Posição: Jungle/Suporte
Região anterior: Coreia do Sul
Carreira de Seonghwan: Participa da LCK (primeira divisão da Coreia) desde 2016. Dividiu posição com LirA em 2016 (5º lugar com a Afreeca Freecs); Com Mightybear em 2017 e 2018 (6º, 7º e 6º lugar na ROX [onde jogou com Key], 6º na Hanwha Life); Passagem pela liga turca TCL em 2019 (7º lugar na Besiktas) e reserva de Peanut em 2019 (6º lugar na Gen.G)
Carreira de Key: Jogou na segunda divisão coreana em 2015 e 2016; Subiu à LCK em 2016 pela Ever. Titular na LCK desde 2016, com passagens pela ROX e Hanwha Life. Melhor resultado na liga foi 6º lugar, em 2019.

Como a experiência anterior ajudará no CBLoL?

Mit: Pelos dois estarem vindo da LCK, acho que vai ser um ‘plus’ para o Brasil. Normalmente, os coreanos que vinham eram reservas de alguém ou não eram ativos, estavam há pouco tempo realmente jogando. O SeongHwan teve uma temporada muito boa há 2 anos, inclusive foi vice-MVP na LCK, então isso é um diferencial. Juntos, os dois já conquistaram uma visibilidade importante na IEM [em 2017].

Acredito que eles podem trazer muito para o Brasil, porque o nível deles é diferenciado [em relação aos] coreanos que já pisaram aqui. A gente teve, recentemente, o Sky, que foi um cara que trouxe bastante habilidade, mas não teve uma adaptação tão boa assim. Eu acredito que a diferença desses dois da paiN é o desempenho, que é acima dos outros.

Estilo de jogo

Mit: A lane phase do Key é mais controlada do que a gente já viu, por ex, o Luci jogar, mas ele é um cara que joga muito bem o mapa, principalmente com o caçador. Os campeões dele têm um estilo muito bom para roaming, como Thresh, Pyke, Bardo — Inclusive, o Bardo era o seu principal campeão no tempo de auge, então dá para mostrar que ele gosta muito de fazer roaming. E o caçador [SeongHwan] é bem agressivo, sabe gankar muito bem. Ele sabe aproveitar as janelas de gank e isso faz com que ele consiga conquistar grande vantagem.

Como se encaixam na line atual?

Mit: Primeiro tem a questão do coach. Acho que o Xero é um cara bem experiente, que vai conseguir trazer para a paiN um pouco dessa cultura coreana. Isso vai ser um diferencial, porque você vai ter jogadores que já estão acostumados com esse ambiente com um coach que também está. Acho que a paiN vai ser um time mais decisivo. São jogadores que não possuem medo de fazer jogadas, jogadores de criação. O Minerva era assim, mas o SeongHwan tem um diferencial que já foi provado lá na Coreia. Mesma coisa para o Key, que está jogando com o brTT, que gosta desse tipo de suporte. É um jogador mais proativo, que gosta de criar, porque o brTT é muito forte na fase de rotas.

3. PATRICK E BALKHAN (RDP)

Posições: Jungle/ADC
Região anterior: Turquia/Coreia do Sul
Carreira de BalKhan: Jogou a OPL (Oceania) pela Bombers na primeira etapa de 2019, dominando a fase de pontos (19-2), vencendo a liga e participando da Fase de Entrada do MSI. Na segunda etapa, jogou na Gatalasaray na TCL (Turquia), onde foi semifinalista
Carreira de Patrick: Tem passagens pela Challenger Series coreana, liga tailandesa e pela liga do sudeste asiático (antiga GPL), onde fez sua última passagem em 2017

Como a experiência anterior ajudará no CBLoL?

Galfi: O BalKhan é um jogador com uma experiência prévia bem legal, a temporada dele no Galatasaray foi boa, se mostrou um jogador de playoffs e teve experiência internacional no MSI. Eu o vejo como um bom reforço que pode agregar experiência ao grupo brasileiro da Redemption, é uma contratação sólida pela experiência que traz. Já o Patrick é um caso a parte, mantenho minhas dúvidas até conseguir ver mais do jogador em ação. Sua experiência prévia com LoL competitivo foi há tanto tempo que eu arrisco dizer que até alguns conceitos fundamentais do jogo mudaram desde então. Ele se mantém ativo como um excelente jogador da soloQ coreana e é muito mecânico, mas, na minha opinião, sua experiência competitiva prévia não adiciona muito ao projeto da Redemption. Ele é um prospecto da soloQ e por isso eu o avalio como tal.

Estilo de jogo

Galfi: Balkhan é inteligente, entende o ritmo em que a partida deve ser jogada de acordo com o campeão em que está e na maior parte das vezes joga de acordo com a sua condição de vitória, ao menos nas partidas em que tive a chance de analisá-lo. Diria que seu cérebro é sua melhor qualidade — mecanicamente, não encontrei nada espetacular.

Patrick é o exato oposto. Extremamente habilidoso individualmente, ágil, muito bom em quick trades [trocas rápidas], mas as suas decisões, na maior parte das partidas que joga, são extremamente questionáveis. Não acho que sua mecânica cubra suas falhas de decisões, por isso tenho receio em relação a sua constância. Caso o time e a staff da Redemption tenha cuidado ao guiá-lo da maneira certa, pode vir a ser um bom ADCarry para o projeto da RDP.

Como se encaixam na line atual?

Galfi: É difícil dizer. A RDP manteve o nome e a identidade visual, mas é praticamente um novo time — têm um novo support, um novo jungler, uma nova comissão técnica. É um time novo e precisa, antes de encaixar os coreanos, encontrar a própria identidade.

Balkhan e Patrick não farão parte de uma identidade já estabelecida, mas ajudarão a construir uma "cara" para essa nova RDP. Nesse processo de adaptação, acredito que a tutela do Von seja essencial para desenvolver uma identidade e uma cultura organizacional condizentes com o investimento nesses dois jogadores.


O Campeonato Brasileiro de League of Legends (CBLoL) 2020 começa no dia 25 de janeiro com disputa entre Flamengo e paiN às 13h.