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Surpresa com 'tamanho do esport', senadora Leila quer fazer uma lei 'que atenda a todos'

Leila quer que a regulamentação do esport no Brasil seja bastante discutida Geraldo Magela/Agencia Senado

Um debate amplo é o que defende a senadora Leila Barros (PSB-DF) antes que qualquer regulamentação do esporte eletrônico aconteça no Brasil. A parlamentar, que “caiu de paraquedas” na votação do PL 383/2017, revelou em entrevista ao ESPN Esports Brasil estar surpresa com o tamanho do esport no Brasil.

"[Estou] Surpresa com a estrutura que foi apresentada pelas equipes aqui. Tenho a humildade de admitir que não vislumbrava a dimensão do quanto profissional [é o segmento]. Há uma vida mesmo. Tem nutricionista, psicólogos e fisioterapeutas. os jogadores ficam o dia inteiro treinando. Existe acompanhamento educacional. Fiquei impressionada em ver a estrutura que é oferecida a aqueles que estão se profissionalizando nesta área", afirmou.

De acordo com a senadora, "uma coisa é ouvir sobre o assunto e outra é estar inserida no contexto do 'esportista eletrônico'. Para uma pessoa leiga, ainda é difícil entender o contexto físico, mas foi impressionante ver como [o segmento] está profissional, tem responsabilidade, compromisso social e entender que é inclusivo. Tínhamos a impressão de que quem acessa [esse segmento] é classe média, mas existe uma preocupação, histórias de luta dos pioneiros e jovens".

A parlamentar contou que, em julho, quando aconteceu a votação do Projeto de Lei de autoria do senador Roberto Rocha (PSDB-MA), não estava inteiramente a par da pauta: “Geralmente, quando um parlamentar faz parte de várias comissões, em alguns dias os horários se chocam. Naquele dia, priorizei outra comissão, mas me chamaram para haver quórum. Na hora, cheguei e vi que era um projeto falando de jogos eletrônicos e esport".

"A discussão estava bem avançada e entrei. Quando vi a regulamentação do 'e-games' e tudo o que estava por trás do projeto, fiquei preocupada porque não estava inteirada totalmente da pauta. Trata-se de uma pauta que estava sendo pleiteada antes dessa legislatura. Não conseguimos acompanhar muitos projetos devido a demanda que é gigante. Nessa sessão, inclusive, um outro senador me perguntou se isso era esporte e respondi que precisávamos entender, que eu tinha uma visão por ter sido atleta mas que precisávamos entender do que se tratava o projeto", apontou.

Na ocasião, na qual a congressista se mostrou veemente contra a regulamentação, a senadora chegou a proferir que o esport não era esporte. Declaração esta que não foi muito bem digerida pela comunidade e que colocou a parlamentar no olho do furacão. Percebendo que havia cometido um erro, a ex-jogadora de vôlei prontamente se desculpou e defendeu que um debate amplo deveria acontecer. "Sou uma pessoa muito avessa a polêmica. Eu não quis, em nenhum momento, causar polêmica. Fui mal interpretada e questionei mesmo [sobre o assunto], mas não queria ofender ninguém. Estava levantando uma situação por ter sido atleta", afirmou ao ESPN Esports Brasil.

A senadora aproveitou para explicar que "tem toda uma situação que envolve o atleta e que não vejo nos esportes eletrônicos, mas estou a fim de discutir" e deixar claro que, prontamente, foi saber mais sobre o assunto: "Fui me inteirar junto com minha equipe da realidade. Fui procurar saber se tinha audiência, como havia sido conduzido o projeto. Realmente, faltou uma discussão maior e encaixou com a carta que recebemos da ABCDE e as reclamações dos outros atores do setor".

Foi a senadora, inclusive, que solicitou a audiência pública realizada nesta quinta-feira (7) na Subcomissão de Esporte, Educação Física e Formação de Categorias de Base do Senado Federal — que, na opinião da parlamentar, foi "uma oportunidade de abrir um debate"

"O que ficou claro para gente é que existe uma preocupação de vários parlamentares com relação aos jogos violentos. Essa preocupação é legítima, ela é genuína. Temos que discutir faixa etária, o acesso aos mais jovens a esse tipo de jogo. Assim como também ver a outra situação, que eu nem tinha conhecimento do quanto é profissional, o quanto está muito bem estruturado esse segmento. É uma realidade", afirmou.

Para aqueles que não estão habituados com o dia a dia do Senado, a parlamentar apontou que "aqui, toda discussão é de diálogo. Tivemos dentro da audiência senadores que querem entender. Teve interesse dos senadores. Estão, agora, querendo saber mais sobre o que votaram e o que está faltando. São essas pessoas que estavam lá as primeiras que vou dialogar perguntando sobre o que achou, se não acha legítimo a vontade do segmento de ser ouvido. Tendo o apoio deles, fica melhor".

"O que eu quero é ajudar. Eu já entendi que existe uma multidão que quer ser ouvida. Acho que dá para ajudar, dá para [ter] sensibilidade, dialogar dentro da casa e construir uma matéria bem mais interessante que atenda a todos", opinou.

Questionada se faltou, por parte dos representantes do segmento que compareceram na audiência, uma proposta substitutiva ao PL 383/2017, a senadora lembrou que se trata de um projeto "que já foi aprovado e agora é uma outra luta. Estamos analisando o regimento e vendo qual será o próximo passo. Já surgiram várias sugestões e vamos analisar de uma forma bem segura qual será o próximo passo. Diante disso, vamos tomar nossas decisões entendendo que dá para mexer na legislação, dá para fazer ela mais robusta e a intenção é esta".

A congressista tratou de lembrar que ainda neste mês, no dia 21, o Senado sediará outra audiência pública para tratar sobre o tema.