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Audiência pública sobre regulamentação dos esports discutiu crescimento do mercado, violência e saúde

Representantes dos esportes eletrônicos e Leila do Vôlei em audiência no Senado Marcos Oliveira/Agência Senado

Na última quinta-feira (7), Brasília tornou-se o centro das atenções dos clubes e empresas de esports no Brasil. A pauta foi o projeto de lei 383/17, que visa regulamentar a prática do esporte eletrônico no país. O PL ganhou destaque em julho de 2019 por conta de seu Artigo 2º, que pode impedir que jogos tidos como violentos, como Counter-Strike: Global Offensive, Rainbow Six: Siege e outros, sejam classificados como esporte.

A audiência pública convocada pela senadora Leila Barros (PSB-DF) trouxe, como representantes do esporte eletrônico, figuras como Mario Marconini, da Entertainment Software Association (ESA), Lucas Almeida, co-proprietário da INTZ, Nicolle Merhy (Cherrygumms), diretora executiva da Black Dragons, Leo De Biase, diretor da BBL e Yuri Uchiyama, presidente da Gamers Club.

A audiência pública foi certeira em mostrar como o setor privado vem se movimentando para desenvolver o cenário nacional do esporte eletrônico. Leo De Biase, por exemplo, contou sua história nos bastidores do mundo dos games, e como vem trabalhando com esports nos últimos anos. Biase reforçou a necessidade de separar o que é a prática esportiva de jogos, lembrando os presentes na audiência de que já existe a Classificação Indicativa e que os campeonatos de Counter-Strike são disputados por profissionais adultos.

Já Alexandre Peres, CEO da Team oNe também conhecido como Kakavel, foi enfático ao contar sua história e como foi parar nos esports. Citou que saiu de uma família que tinha como principal fonte de renda o agronegócio, e, hoje, é proprietário de um dos maiores centros de preparação de jogadores. Kakavel declarou que a Team oNe tem como um de seus objetivos usar os esports como ferramenta de educação.

Lucas Almeida contou sobre como a INTZ sempre está engajada em projetos sociais, além de contar sobre o sucesso dos times nas mais diversas categorias. Já Mario Marconini comentou sobre como os games no Brasil e no mundo são amplamente reconhecidos como uma das principais indústrias do entretenimento, reforçando que o mercado arrecada mais do que Cinema e Música.

Do outro lado, o Senador Eduardo Girão (Podemos-CE) reforçou a necessidade de excluir os jogos violentos ou de cunho sexual da prática esportiva. O mesmo fez o também Senador Styvenson Valentim (Podemos-RN), que vê a necessidade de criar uma regulamentação da prática dos esports, assim como em outros países. “Queremos estar globalizados, mas não da forma ruim”, disse.

FALTARAM PROPOSTAS

Apesar da audiência pública estar apta a receber os representantes da iniciativa privada para debater os assuntos da Lei do Esport, nenhuma proposta foi efetivamente realizada. Ficou claro para os presentes que a lei, da forma em que foi formulada, não agrega ao cenário competitivo e que, inclusive, “atrapalha o empresário a investir no setor”, como disse Cherrygumms.

Poucos comentários sobre a pauta foram debatidos. O artigo secundário, que fala sobre os jogos violentos serem classificados como esporte ou não, tornou-se o tema principal. Leo De Biase reforçou de que o público infantil não é a audiência buscada nos torneios de esports e que todos os praticantes de torneios de Counter-Strike e Rainbow Six seguem as determinações do Ministério da Justiça por meio da Classificação Indicativa, que não recomenda esses jogos para menores de 18 anos.

Também foi discutida sobre a forma de que esses jogos violentos afetam os jovens. A médica psiquiatra Renata Figueiredo, que também participou da audiência, levantou que ainda faltam estudos para avaliar os os impactos da exposição a jogos violentos em longo prazo e ressaltou que existem estudos que evidenciam malefícios para quem joga por longos períodos “Os estudos convergem em dizer que jogos violentos risco significativo para comportamento violento”, declarou a médica.

A Senadora Leila disse no final da audiência que outras oportunidades surgirão no futuro para debater esses e outros detalhes. A parlamentar lembrou novamente que a próxima audiência está marcada para o dia 21 de novembro, onde outros representantes da sociedade vão continuar o debate sobre o tema.