Diante da histórica participação de três equipes brasileiras em um Major de Counter-Strike: Global Offensive, parte considerável da comunidade dava como certo mais um status Legends vindo para o País.
A confiança era tão alta na classificação da Furia para a segunda fase do StarLadder Berlim, que o sentimento positivo se espalhou a ponto dos mais fervorosos torcedores acreditarem que INTZ também tinha oportunidade de beliscar uma vaga. Mas com um banho de água fria, o Challengers Stage terminou com os dois times sendo eliminados.
Nas discussões as quais participei sobre o desempenho de Furia e INTZ, algumas pessoas chegaram a apontar os Panteras entrando de “salto alto” no torneio - pensamento que rechaço. Assistindo as séries disputadas pelas duas equipes, senti falta do famoso “algo a mais”.
Quanto as apresentações feitas pelo quinteto liderado por arT, me surpreendi com a falta de variação tática em momentos de dificuldade, como aconteceu no duelo contra Syman. Já nas três séries que assisti do INTZ, senti falta da equipe vibrante que chamou a atenção de todos nas transmissões do Americas Minor e repescagem.
INTZ EM MARCHA LENTA
Como bom brasileiro, estava na esperança por uma campanha satisfatória por parte do INTZ. Mas no decorrer da primeira fase, esse sentimento foi se esvaindo e dando lugar ao temor dos Intrépidos fecharem a primeira fase com o fatídico 0-3. Primeiro por conta da definição do North como adversário de estreia e, em segundo lugar, o fato de que a equipe não conseguiu se preparar como gostaria
Ao ESPN Esports Brasil,na semana passada, o capitão yeL revelou que, por conta da repescagem da ESL Pro League (EPL), a equipe não conseguiu ir para a Europa com antecedência, tendo assim que ficar nos Estados Unidos e treinar com times de ‘Tier 2 e 3’ - o que, na minha opinião, fez com que os Intrépidos entrassem no Major a um passo atrás dos concorrentes.
Isso ficou nítido nas duas séries que a equipe disputou no dia de abertura do StarLadder Berlim, contra a North e, depois, no confronto com Team Vitality. Em ambas as partidas o time apresentou um ritmo de jogo lento e desconexo, sofrendo eliminações sem oferecer qualquer tipo de retaliação.
Em ambos os jogos, o INTZ “apenas assistiu” o adversário jogar em pelo menos uma metade do mapa. Contra North, a equipe brasileira trocou de lado perdendo por 14 a 1. Situação que piorou diante Vitality: de Terrorista, na Mirage, os Intrépidos sofreram 15 a 0.
É verdade que o INTZ teve “azar” ao estrear no StarLadder Berlim enfrentando duas equipes que figuram o ‘Top15’ do ranking elaborado pelo HLTV. Contudo, se tratando de um Major, os participantes não podem se dar ao luxo de escolher os adversários. Caso a preparação tivesse sido a ideia, eu não duvidaria de yeL e companhia aprontando pra cima dos “figurões”, como fez Syman na vitória sobre Vitality.
Outro ponto negativo que me chamou atenção nas duas primeiras apresentações do INTZ foi a falta de vibração. As comemorações apresentadas pela equipe no Minor e na repescagem, até mesmo em round perdido, foram raras contra North e Vitality. Vislumbres do vigoroso time Intrépidos só foram vistos na série que culminou na eliminação dos brasileiros, contra Grayhound.
Apesar de yeL ter sido categórico de que os rumores sobre uma possível ida de kNg para o MIBR não estavam influenciando a equipe, sinto-me inclinado a concordar com aqueles que sentiram que o INTZ jogou o StarLadder Berlim em tom de despedida.
VACINADOS CONTRA FURIA
Quando a Furia ascendeu no cenário internacional, após sequência de boas campanhas em torneios importantes, era questão de tempo para as outras equipes sentarem e estudarem como os Panteras se comportam dentro de jogo - principalmente após o vice-campeonato na sétima temporada do Faceit Esports Championship Series, campeonato no qual o time ainda conseguiu vencer e eliminar o Astralis.
A forma agressiva e movimentada da Furia jogar já não surpreendeu mais a todos no StarLadder Berlim e isso ficou evidente nas três derrotas sofridas. Os Panteras não jogaram mal, mas os adversários que estavam melhor preparados para lidar com o time liderado por arT.
Isso ficou nítido, principalmente, no último confronto da equipe pela primeira fase contra Syman. a equipe estreante em Majors no StarLadder Berlim anulou por completo o lado Contra-Terrorista dos brasileiros na Inferno, mapa de escolha dos Panteras nessa série e no qual é conhecido por ser um dos mais fortes da Furia.
Não estou dizendo que a Furia tem que se desfazer das atuais táticas para criar outras do zero. O estilo dos Panteras mostrou ser eficiente. Para os próximos torneios o time precisa adquirir a capacidade de se adaptar aos adversários durante as partidas, conseguindo ler os pontos fortes e fracos daqueles que estão enfrentando e criar maneiras para que todos os integrantes se tornem protagonistas - mostrando ao mundo que a equipe não se resume a arT.
Muitos apontam que a Furia errou em ter dado um break antes do Major - o que discordo veementemente. Apenas os jogadores e a comissão técnica sabem em qual pé está o nível do time.
A ÚLTIMA ESPERANÇA BRASILEIRA
Com as eliminações de Furia e INTZ as esperanças brasileiras no StaLadder Berlim recaem (mais uma vez) no colo do MIBR, que estreará no Legends Stage contra o Ninjas in Pyjamas.
Se vencer o confronto que está marcado para às 15h45 (de Brasília) desta quarta-feira (28) e outras duas partidas, FalleN e companhia vão manter o status que garante vaga no próximo Major. Acompanhe o Guia do StarLadder Berlim para ficar por dentro de tudo o que está rolando no campeonato.
