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Street Fighter: Competidores do Tiger Upper Cup 4 comentam temporada forte e resultados finais

Pódio da Tiger Upper Cup 4. Esquerda para direita: Niel, Rymaru, Lekustela, Chuchu, Zenith, MauMau, Keoma e Lexe. Daniela Rigon / ESPN

No último domingo (18), o espaço da Team One no Shopping D recebeu a quarta edição da Tiger Upper Cup, torneio que finaliza mais dez edições da Tiger Upper Quarta – ambos realizados pela comunidade de Street Fighter V de São Paulo.

O evento reuniu os oito melhores jogadores e atraiu não só o público que já acompanha e participa do torneio semanal, mas também as pessoas que estavam passeando pelo shopping e reconheciam no telão a franquia de mais de trinta anos.

Os confrontos da competição foram intensos, principalmente na corrida por uma vaga na final. Depois das partidas iniciais, que definiram quem seguia na chave superior e quem caía para a inferior, Rymaru e Niel foram os primeiros a serem eliminados, seguidos de Lekustela e Chuchu.

Na chave superior, um dos favoritos da competição, Keoma derrubou Zenith para a chave inferior, e MauMau fez o mesmo com Lexe (Cabeça de Gelo). Já na disputa entre os dois, Keoma se deu melhor e enviou MauMau para a repescagem.

As disputas finais do torneio foram acirradas. Lexe conseguiu eliminar Zenith e vencer o Honda “surpresa” de MauMau para chegar até a grande final contra Keoma. Por vir da chave inferior, Lexe precisava vencer duas vezes uma melhor de cinco para levar o título – e foi exatamente isso que o jogador fez com seu Rashid, frustrando Keoma e sua Karin.

O ESPN Esports Brasil estava no evento para acompanhar a competição e conversou com alguns dos competidores após o torneio. Um dos mais antigos do cenário, Chuchu afirmou ter ficado feliz com sua participação apesar do quinto lugar, já que há muita pressão envolvida em fazer o melhor depois de tanto esforço nas edições do TUQ.

“Querendo ou não, todos os jogadores que estão aqui batalharam 10 edições pra se classificar, então chegar aqui e não ganhar de ninguém ou não fazer seu jogo é meio frustrante”, explicou. “O TUQ é mais de boa porque na semana seguinte tem de novo, mas como a gente batalha muito pra chegar aqui [na Copa], chegar aqui e perder rápido ou ficar frustrado por não conseguir aplicar tudo o que você sabe é meio ruim”.

O jogador ainda comentou que teve como aprendizado a necessidade de melhorar seu jogo de Ibuki, sua segunda personagem depois da clássica Chun-Li. “Aqui eu vou levar como aprendizado que preciso me esforçar bem mais com a Ibuki pra poder fazer a parceria certinho com a Chun-Li, porque isso tá me prejudicando bastante. Eu estou perdendo sempre para os mesmos caras não só porque o matchup é ruim, eles jogam muito bem, mas isso atrapalha demais”, confessou.

Recém-chegado da EVO 2019, Zenith apontou que esta temporada “foi fortíssima”, com Lexe se consolidando com Rashid, o salto de nível de Niel e a chegada de Keoma na cena paulistana. “Provavelmente, desde que começou a TUQ/TUC, essa foi a temporada mais difícil, mais competitiva, mais dura e com nível mais alto”, disse.

O especialista em Menat também afirmou ter ficado feliz com sua participação, “porque está todo mundo forte”. “Queria ter chegado um pouquinho mais longe, mas estou feliz com o resultado, porque os caras que eu perdi foram os que chegaram na final, são muito bons, e isso só mostra que o FGC São Paulo tá crescendo não só na questão na quantidade de campeonatos, mas no nível também”, cravou.

Sobre sua ida a EVO, Zenith revela que “trouxe muita experiência de lá, porque tem muita gente forte”, e um pensamento diferente sobre o jogo. “Todo mundo lá está preocupado em aprender e melhorar, em fazer um jogo que tem sentido, que tem lógica, então você volta de lá com outra visão do jogo. Você começa a pensar um pouco diferente sobre o meta do jogo, e é legal que, com essa experiência, eu e o Keoma conseguimos trazer e dividir com a galera daqui”, contou.

Frustrado por perder na grande final, Keoma considera ter ido bem na temporada e que manteve “uma média, uma certa consistência, mas ainda existe um pequeno momento no qual essa consistência está tendo uma breve recaída”.

“Infelizmente essa recaída aconteceu num momento que não podia, que foi na final da Upper Cup. Eu acho que joguei realmente mal esse set, sem tirar mérito do Lexe que jogou um jogo extremamente firme. Ele soube como evadir, soube como frustrar, e eu acabei demorando um pouco pra entender a match. Acho que se eu tivesse levado pro último game, a história seria outra”, continuou.

Ele comenta que talvez “tenha ido com muita sede de sangue” e “tentado definir rápido uma coisa que não funcionaria assim”. “Reajustar é uma parte difícil. Acho que, de modo geral, [a participação] foi boa porque eu consegui tapar outros buracos, e o que aconteceu hoje só mostra uma breve falha de consistência, não reflete meu nível de habilidade. Eu só tenho que realmente me manter focado o bastante para que meu máximo sempre saia o tempo todo”, afirmou.

Outro participante da EVO 2019, Keoma explicou que “trouxe uma certa análise de comportamento” do maior evento de jogos de luta, mas que ainda “não consegui colocá-lo em prática”. Segundo ele, isso tem relação com o modo mais ofensivo dos competidores brasileiros.

“Existe um lado bom desse jogo que sufoca, mas o lado ruim é que ele não te dá informação contra um jogador que isso não funciona, então eu ainda preciso jogar mais para colocar as coisas que eu aprendi em prática. Tenho uma certa bagagem que realmente precisaria explorar de uma maneira diferente, mas eu dependo da abordagem dos oponentes para isso. Mesmo que eu tenha adquirido conhecimento novo, eu tenho que saber com quem ele se aplica” detalhou.

Em relação ao futuro, Keoma está se preparando para dois próximos grandes desafios: o Never Give Up, no Chile, e o Treta Championship, em Curitiba. Ambos valem ponto para a Capcom Pro Tour. “Não tenho muito tempo pra pensar em hoje. Existe uma jornada à frente disso. Isso aqui, o TUC, ganhando ou perdendo tem que ficar pra trás. Independente do que aconteça, o que aconteceu agora fica pra trás – exceto, claro, pelo que eu posso aprender com isso. A jornada é tudo”, finaliza.

Já o vencedor Lexe diz que esta foi sua melhor temporada pelos pontos que conseguiu. “Ganhei três edições da TUQ, e antes eu não tinha ganhado nenhuma TUQ. Fui muito bem. Faltei em alguns torneios, mas consegui fechar em segundo”, explicou.

“E no Top 8 eu me superei bastante. Ganhei de adversários que ganharam de mim durante a semana, estudei bastante as lutas, vi bastante replay, e isso me fez ter um pouco mais de confiança no meu jogo e não perder a paciência. Acho que a chave foi eu sempre manter o controle e a paciência sobre a minha mente”, complementou.

Perguntado sobre o confronto surpresa com o Honda de MauMau, Lexe confessa ter se assustado por não conhecer bem o personagem e que foi a luta mais tensa da competição para ele. “Por ele ser novo, ainda nem comprei pra treinar, então eu não sabia como reagir. Eu estava tentando adaptar em cima do que estava acontecendo, mesmo assim não ia dar tempo. Eu tive que ir para o ataque, comecei a arriscar mais, comecei a não ficar parado, não deixar ele medir o espaço da ‘bundada’, e consegui, arriscando bastante, passar aos trancos e barrancos”, revelou.

Quanto aos planos para o futuro, Lexe disse que a meta é “continuar treinando no TUQ para chegar forte no Treta e tentar uma vaga na final LATAM da Capcom Pro Tour”. “Agora que eu consegui um patrocínio, me dá mais confiança de chegar no meu objetivo. Estou vendo o novo circuito regional como treino de técnica e nervosismo para a final LATAM”, crava.