Nos últimos tempos temos acompanhado os momentos difíceis que passa o grupo do MIBR. Porém, com a chegada de Lucas Teles, o Lucas1, o time aparenta ter voltado a ter a sua chama acesa. Gritos de vitória e comemorações se tornaram uma das marcas do grupo, principalmente durante a Intel Extreme Masters, quando o time comemorava cada ponto conquistado.
O ESPN Esports Brasil teve a oportunidade de conversar com Lucas1 durante o evento e pudemos presenciar essa energia contagiante do jogador. “Eu sempre fui muito alegre, sempre gostei de jogar. É uma coisa que eu amo fazer”, disse ele.
“Eu jogo há 15 anos e comemoro cada jogada, comemoro muito porque essa é uma coisa que vem de dentro de mim. Eu também gosto de jogar com eles [o MIBR], são players excepcionais. Acho que essa alegria de jogar que tenho trouxe isso de volta pra eles”, conta o jogador.
Lucas conta que, mesmo tendo recebido a proposta para se juntar ao grupo anteriormente, foi agora que os astros se alinharam para aceitar a proposta “Eu já tinha recebido essa proposta algumas vezes, eu não tinha aceitado por causa do Henrique porque eu gosto muito dele também. Mas dessa vez chegaram em mim e perguntaram se eu queria entrar no time. Eu já estava pensando em sair da Luminosity, porque a gente estava perdendo muito e eu não gosto de perder – acho que ninguém gosta – o time não tava dando muito certo. Aí essa oportunidade chegou em uma hora boa. Chegaram em mim na França e me perguntaram se eu gostaria de jogar com eles”.
Ao aceitar a proposta, era necessário tomar uma atitude: deixar de jogar com seu irmão, Henrique: “Conversei com meu irmão porque isso era uma coisa difícil pra mim. Eu jogo com ele já faz 15 anos e nunca tinha jogado longe dele. Nós conversamos bastante e eu disse pra ele que a oportunidade era muito boa, que isso ia ser bom pra nós dois porque a gente estava sempre muito junto. Agora a gente vai conseguir mostrar mais coisa e sermos mais profissionais”.
Porém vale lembrar que o MIBR é uma das equipes da Immortals, organização na qual Lucas já defendeu em 2017. Quando ele se desligou da organização, foi em uma situação não muito agradável. Um ano e meio depois, ele volta para a casa e, segundo ele, sem ressentimentos de ambos os lados.
“A Immortals é uma organização que não tenho nada que falar contra. Sempre nos deu apoio total que faz tudo tudo certo: salário, despesas. É a melhor organização do mundo pra mim e estou muito feliz de jogar com eles”, conta.
Pergunto sobre o imbróglio que teve com a organização e ele conta que “Eu tive teve um desentendimento com a Immortals na época do KNG e do Henrique quando a gente meio que afrontou eles quando eles não deixaram o Kn jogar, eu junto com o Henrique dissemos que se ele não jogasse a gente também não ia jogar e foi por isso que eu saí do time. Mas agradeço muito a eles e agora estou de volta. É uma organização que eu respeito muito e a gente tem muito que dar certo”.
Insisto e pergunto se fizeram as pazes e Lucas diz rindo: “Eu nunca tive nada assim contra, mas tenho certeza de que eles gostam muito de mim. A gente tá de boa”.
SEGUINDO EM FRENTE
Ele já disse diversas vezes isso, mas talvez nem todos acompanhem o jogador nas redes sociais. Lucas concorda que jogar pelo MIBR coloca pressão sobre seus ombros, principalmente por ele ser bastante competitivo. “A pressão existe principalmente da minha parte, eu me sinto as vezes pressionado pelo fato de ser um time novo e muitos erros aparecem por causa disso e estamos tentando muito melhorar isso”.
Lucas conta que sabe que tem um temperamento forte, porém, está trabalhando para melhorar essa sua característica com acompanhamento psicológico. “Depois que eu perdi a final [do PGL Major] na Immortals comecei um tratamento psicológico para melhorar meu mindset, atitudes, etc... Isso tem me ajudado bastante. Agora que a MIBR tem um psicólogo também, acho que isso vai ajudar bastante nesse aspecto”.
Ainda assim, existe a pressão de usar a camisa do MIBR e também de estar jogando com aqueles que foram por diversas vezes, os melhores jogadores do mundo. “Por eu estar jogando em um time novo, com o fer, Fallen, Taco, isso diminuiu muito. Ainda me sinto um pouco pressionado, um pouco de nervosismo, mas acho que isso é normal. Me sinto muito bem jogando e acho que estou me encontrando aos poucos e vou treinar mais pra ficar cada vez melhor”.
Porém, sua chegada no MIBR não foi no melhor momento, pois logo após a ESL Cologne, coldzera comunicou ao time que estava de saída. Em seu lugar, foi necessário adaptar o técnico do time para disputar a Blast Pro Series e a IEM de Chicago e, logo mais, o Starladder Major Berlim.
Pergunto a Lucas como foi chegar já vendo o time ainda se adaptando com essa mudança e ele foi bastante honesto, afinal, Zews já vem se especializando como técnico há algum tempo. “Por mais que o Zews não jogue ´profissionalmente] há dois anos, Counter-Strike é um jogo de equipe, obviamente que atualmente ele não é um player foda, mas acredito que pelo fato do CS ser um jogo de time, temos muita sinergia. Tenho certeza de que a gente vai trabalhar bastante para melhorar até a gente encontrar o quinto player”.
CAMINHO PARA O MAJOR
Com o final da Intel Extreme Masters de Chicago, Lucas e MIBR sabem que têm um enorme desafio pela frente: o Major de Berlim. Muitos analistas dizem que se a equipe conseguir manter o status de Legends será um grande feito, porém Lucas diz que não joga para perder “Eu particularmente joguei três, quatro classificatórias para jogar um major e no primeiro major que eu joguei eu perdi na final e fui vice-campeão. Como sempre sou muito positivo e competitivo eu acho que vou ganhar todos os campeonatos que jogar. É pra isso que eu trabalho muito e treino bastante. A minha expectativa é ganhar o major, independente de quem está jogando comigo”.
“Se eu não acreditar [em mim] tenho certeza que muita gente também não vai acreditar. Eu sei que vai ser difícil, como sempre foi – particularmente pra mim sempre foi muito difícil. Eu acredito que a gente vai bem, que a gente não vai disputar apenas para ser Legends. A gente vai jogar pra ganhar o campeonato”, crava.
A entrevista vai chegando ao fim e percebo que ele não para de mexer no escudo do MIBR, quase como um amuleto. Questiono o que significa usar essa camisa e ele termina o papo dizendo “Todo jogador sonha de jogar na melhor equipe. É uma organização que todos os torcedores amam. As pessoas têm muito amor pela organização e pela tag. Estou muito feliz de estar vestindo essa camisa”.
* Jornalista viajou a convite da Intel
