<
>

Auto Chess, Teamfight Tactics ou Dota Underlords: Quem vence a guerra dos autobattlers?

Qual será o melhor autobattlers para você? Divulgação

Chegou assim de mansinho, como quem não quer nada. Um mod de Dota 2 começa fazer sucesso na comunidade, que chama atenção de jogadores profissionais e influenciadores. Em menos de cinco meses mais pessoas jogavam Auto Chess do que o próprio Dota 2. Surgia ali a evolução de um gênero, ou melhor dizendo, a revolução autobattler.

Autobattler, como o próprio nome sugere, é o gênero dos jogos que lutam sozinhos, porém significativamente diferente do que vemos nos tower defenses ou os idle games. Nesse tipo jogo você joga em um tabuleiro quadriculado (como o de xadrez) e disputa contra outros sete jogadores em um tabuleiro no qual o objetivo é montar uma equipe que possa resistir aos ataques de seus adversários. Vence o último que ficar em pé. Parece simples, mas existem diversas regras que colocam um tempero especial.

Em entrevista para o site Dota2.Ru, os criadores confessaram que a inspiração, no entanto, veio de um jogo mais antigo, Mahjong, que muitos podem ter jogado no Windows enquanto esperava pelo download do Steam. Qualquer que seja sua inspiração ou origem, o autobattler chegou para ficar, e agora, seis meses depois, Auto Chess já se tornou um jogo independente de Dota 2, ganhou dois novos concorrentes e já tem um campeonato milionário pela frente.

Neste momento, você tem esses três jogos de combates automáticos disponíveis: Auto Chess (o original), Dota Underlords, da própria Valve Software, e Teamfight Tactics, com a grife de League of Legends. Quem vence uma batalha mediada? Avaliando sistematicamente (e subjetivamente), estudei os três jogos ponderando seus pontos fortes e fracos para expô-los. Quem vence essa batalha mediada entre os autobattlers?

Auto Chess

Plataforma: Mobile (já disponível) e PC (no futuro)

O início da história de Auto Chess foi recheado de sucesso. Logo que o mod ganhou notoriedade, a Valve não perdeu tempo e buscou os desenvolvedores para negociar o desenvolvimento de uma versão independente. Porém, as duas partes não chegaram a um consenso e decidiram cada uma criar o seu próprio jogo, mas continuando a se apoiar.

Com isso, Auto Chess chegou aos dispositivos Android e Apple em versão beta no início de junho, usando personagens inéditos e deixando os conhecidos heróis de Dota 2 de lado. A seu favor, o Drodo Studio tem o crédito pela originalidade de criar o gênero e permitir que o jogador leve o progresso feito no mod para a versão independente.

O game conta apenas com a versão mobile e não requer um celular potente. Na verdade roda até em modelos mais simples do Android sem engasgos, o que ajuda na acessibilidade. Os visuais dos heróis lembram os originais de Dota 2, com um design um pouco mais cartunizado, mas ainda assim familiar o bastante para quem jogou o mod por meses a fio.

Jogando contra, a Drodo paga o preço por ser uma desenvolvedora pequena e que não possui a expertise de seus concorrentes. Sim, estou ciente de que Auto Chess está em fase beta, mas pelo fato de não possuir um tutorial, o aprendizado de quem nunca jogou acaba sendo dificultado. Inclusive, o próprio site oficial do jogo tem um “guia rápido” que, honestamente, não explica muita coisa.

O título da Drodo precisa de alguns ajustes no visual, pois algumas caixas de diálogo possuem textos muito pequenos para serem lidos em uma tela de smartphone. O tabuleiro não tem personalidade, parecendo literalmente um gramado quadriculado e nada mais. É melhor jogar com o telefone perto de uma tomada, já que as partidas podem chegar a 30 minutos e Auto Chess é bastante voraz com o gasto de energia.

Reforço o fato de Auto Chess ainda estar em desenvolvimento. A Drodo já se mostrou competente o suficiente para corrigir inúmeros bugs em poucas atualizações. Hoje, Auto Chess é um jogo muito mais estável do que quando chegou às lojas. Mas, no fim das contas, o título não esconde que é fruto de uma empresa menos experiente do que suas concorrentes.

Dota Underlords

Plataformas: PC e Mobile (já disponível)

Às vezes, a Valve nem parece a Valve. Depois de anos sem lançar um jogo, a desenvolvedora naufragou com Artifact, card game inspirado em Dota 2 e que em menos de um ano já está abandonado pela comunidade. Mostrando uma agilidade incomum, sua versão de Auto Chess já está disponível em testes beta tanto no PC quanto nos smartphones – o anúncio de Dota Underlords aconteceu dias depois ser revelado que a Valve não tinha chegado a um acordo com a Drodo.

Assim como Auto Chess, Dota Underlords apostou em um visual que lembra desenho animado e conta com um tutorial básico, sem se aprofundar muito em questões como economia. Além disso, também conta com partidas contra o computador, que não afeta seu ranking, mas que permite fazer experimentações antes de enfrentar outros jogadores.

A Valve se esforçou para trazer algumas diferenças para tentar dar uma personalidade própria ao seu jogo. Nele, você não combina itens, e os heróis têm apenas 1 slot de inventário, mas Underlord traz um sistema de vantagens globais que adiciona uma camada extra de estratégia e reduz a possibilidade de se criar unidades imortais.

Isto posto, Underlords não se distancia muito de Auto Chess, e na verdade parece uma versão com mais verba do que seu concorrente. Heróis, habilidades, classes, raças e tribos são praticamente os mesmos.

Ao que tudo indica, a Valve está dando prioridade no desenvolvimento mobile de Underlords. A interface no computador traz botões gigantes, e a interface como um todo é um pouco desengonçada para jogar com mouse e teclado. Mas, no celular tudo se encaixa perfeitamente.

Uma funcionalidade que é realmente interessante é poder migrar sua partida ativa entre o PC e o celular instantaneamente. Isso pode salvar aqueles que fazem um pedido de almoço e a entrega chega durante uma partida.

Teamfight Tactics

Plataforma: PC

A Riot Games também resolveu apostar na modalidade e trouxe seu olhar para o jogo. Se comparado com seus concorrentes, Team Fight Tactics é o que de longe possui a melhor interface no computador. A lista de compra de personagens fica exposta o tempo todo na parte inferior da tela, permitindo que você faça escolhas e até compras conforme as composições que enfrenta e em tempo real.

A estrutura base de TFT segue as raízes de Auto Chess, mas foi adaptada para os elementos de League of Legends. Alguns personagens como Lucian e Anivia, por exemplo, têm habilidades únicas, enquanto outros como Elise, Ashe e Aurelion Sol parecem cópias carbono de suas contrapartes de Auto Chess e Underlords.

Outro fator importante é que TFT tenta minimizar o impacto da aleatoriedade dando chances de reação para os jogadores que estão com menos pontos de vida. Em certos momentos, os jogadores entram em um carrossel no qual são apresentados a campeões que carregam itens. Quem está na última colocação tem a opção de escolher primeiro, enquanto os primeiros colocados ficam com o que sobrar – aumentando sua diversidade estratégica.

O TFT chega embarcado diretamente no client de League of Legends como um modo de jogo, aumentando o potencial de alcance da novidade para toda a comunidade global da Riot Games. Porém, de todos os autobattlers, TFT é o único que não tem uma versão mobile, e vai ficar assim por mais algum tempo.

Além disso, pelo que vimos no servidor de teste público, o TFT não tem um modo de tutorial, caindo no mesmo problema de Auto Chess. Para a divulgação desse conhecimento, a Riot vai depender dos criadores de conteúdo, como sempre fez com League of Legends.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ainda é cedo para eleger um vencedor dessa batalha. Porém, Team Fight Tactics tem uma vantagem por ser o jogo que estará disponível para todos os jogadores de League of Legends, sem a necessidade de baixar outro jogo ou client. Auto Chess está angariando os fãs que conheceram a modalidade quando ainda era um mod de Dota 2, e Underlords tem a versatilidade de ser o único jogo que pode ser apreciado tanto no PC quanto no Mobile. Uma coisa é certa: o gênero autobattler chegou para ficar e existem muitas formas de fazer esse estilo de jogo evoluir e se consolidar.