<
>

Review: MLB The Show 22 aprimora elementos que já são destaque entre os jogos de esporte

play
Em entrevista, Bo Bichette fala de MLB The Show, Brasil e como se desenvolver no beisebol (8:38)

Veja entrevista especial de Antony Curti com o jogador do Toronto Blue Jays (8:38)

As novidades e os problemas da nova temporada de MLB The Show 22na visão de Antony Curti.


Mudanças são importantes em jogos com lançamentos anuais. A série de guerra Call of Duty, por exemplo, traz como pano de fundo diferentes conflitos na história para que seus jogos diferentes entre si. No caso dos esportes, não dá para mudar tanta coisa assim, mas a San Diego Studios, ao menos, é uma empresa que tenta - todas as mudanças foram para melhor no caso de MLB The Show 2022.

MLB The Show 22, o segundo da série para a atual geração de consoles, me lembra um jogo mais antigo. Quando criança, conheci International Superstar Soccer Deluxe sem saber que existia um antecessor. O segundo era um aprimoramento do primeiro há um paralelo com MLB The Show: narração e pequenos refinos em jogabilidade.

PRIMEIRO, ALGUNS PONTOS A MELHORAR

Mudança necessária na “narração” do jogo, dado que há muitos anos tínhamos as mesmas vozes no MLB The Show,a San Diego Studios optou por trazer Jon “Boog” Sciambi como a nova voz do game – substituindo o excelente Matt Vasgersian. A questão, como falei em minhas primeiras impressões na semana passada, é que trazer o mesmo narrador por anos, com as mesmas falas por anos… Passa uma impressão de que nada mudou - algo complicado para um jogo de videogame de lançamento anual.

É um acerto do San Diego Studio, portanto, trazer Sciambi – de quem sou muito fã, diga-se. Junto dele, temos Chris Singleton como comentarista. Nem tudo são flores, porém: o cartel de frases de ambos é consideravelmente menor do que tínhamos com Vasgersian no ano passado. Uma opção plausível para a Sony adotar no futuro é algo que a 2K já faz há algum tempo no NBA 2K: trazer convidados.

O beisebol, sei bem por estar semanalmente em transmissões dos canais esportivos da Disney, permite um ritmo conversativo um jogo na sua tv. Um jogo de beisebol na TV raramente se atém 100% ao jogo em si. Madden já faz isso um pouco também, falando sobre o panorama atual da NFL, por exemplo. A San Diego Studio está no caminho certo, mas o MLB The Show tem na equipe de narração um passo atrás dos demais games esportivos.

MOTOR GRÁFICO PRECISA DE AJUSTES

Embora, como dito acima, MLB The Show 22 seja um “deluxe” da versão 21, esperava um salto maior na qualidade das texturas (em especial da pele dos jogadores). Os estádios, a grama, o diamante de terra batida, está tudo lindo. A face dos atletas, porém, ainda parecem de PlayStation 3 (com uma textura 4K).

É muito, mas muito atrás do que a 2K tem no NBA e o que a EA tem no Madden/Fifa. The Show é um jogo muito forte em vários quesitos, mas estamos numa era em que os videogames estão tão realistas que qualquer coisa fora da curva pode quebrar a sensação de imersão. Sem sombra de dúvidas, as texturas que compõe o rosto dos jogadores são o que deixa a desejar, ainda.

FALANDO DE COISAS BOAS E DEMAIS NOVIDADES

Há refinos interessantes em três aspectos a se destacar. Vou listar em tópicos para facilitar.

Road to The Show de volta às origens: A San Diego Studio inovou no ano passado, construiu um arco de história no modo Carreira em que você podia fazer o que Shohei Ohtani faz… Mas eu não quero fazer, esse é o ponto. Muitos querem ser só rebatedor ou arremessador. Agora, você pode escolher de antemão um desses três caminhos: só uma das coisas ou híbrido como Ohtani.

O modo segue com os “arquétipos” e possibilidade de microtransações para fazer o caminho mais rápido das ligas menores até a MLB. Sem usá-los, subi da Double A para a Triple A em uma hora e meia de jogo como closer – a posição em que dá para fazer isso mais rápido possível. Ou seja: muitas e muitas horas de jogo, com aquele sentimento de “vou jogar só mais um” que me fez dormir 2 da manhã.

Franchise Mode com trocas mais realistas: Quer trocar por Jacob DeGrom? Esquece, não vai rolar. O sistema de trocas ficou tão realista quanto possível, impedindo que você possa encontrar ineficiências estranhas no mercado. Arremessadores abridores de topo de rotação são quase impossíveis de conseguir. Braços de bullpen são mais tranquilos. Ou seja, tal como a realidade. Outra novidade nessa toada é que o March to October virou um “Franchise Diet para quem quer, podendo ser jogado dessa forma em mais de uma temporada.

Mais realismo na jogabilidade: breaking balls no topo da zona são menos apelonas do que em anos anteriores, tal como a gente vê na realidade. Ninguém fica soltando um monte de bola de curva alta como era possível fazer até a edição 21. Além disso, a questão da mecânica de rebatida (contato/força/normal) foi refinada. Agora está mais difícil de ter um duelo infinito escolhendo só rebatida de contato com dois strikes na contagem. Por outro lado, se você não tiver timing e localizações excelentes ao escolher rebatida de força, um sonoro strikeout será seu caminho. Tal como na vida real.

Há outros pontos menores a se atentar, como a questão do arremesso perfeito quando no infield – até ano passado isso só era possível no campo externo. A impressão que passa, todavia, é que MLB The Show 22 é o que o The Show 21 deveria ter sido – mas que por inúmeros motivos, acabou (ainda) não sendo. Natural, dado que era o primeiro jogo do San Diego Studio na nova geração.

Com mais conforto e tendo cumprido a missão de entregar a melhor jogabilidade da história da série – falo isso com tranquilidade – talvez os produtores se arrisquem mais para a edição do ano que vem, especialmente a questão gráfica e mais riqueza na “transmissão.

VEREDITO

Você compraria International Superstar Deluxe na data de lançamento se já tinha a edição anterior? Duvido que sim, porque videogame era muito caro em 1995. Ainda é, mas com as lojas virtuais e todo o mais, a tendência é um valor menor com o passar do tempo. Edição melhorada – sem dúvidas – em relação ao ano passado, MLB The Show 22 tem ainda o plus de chegar ao Nintendo Switch neste ano.

De toda forma, nosso veredito é que você espere um pouco para comprar, porque a preço cheio o jogo teve boas novidades, mas que não justificam o valor. Como a temporada do beisebol é bastante longa, não é nenhum prejuízo esperar esse pouco a mais – pelo contrário, se você pensar em custo benefício.

Entre os jogos esportivos, o MLB The Show 22 tem a jogabilidade mais próxima da realidade do esporte que simula - mas ainda precisa de alguns refinos para o ano que vem. Se eles acontecerão ou não, o tempo dirá.