Após a Copa do Mundo feminina, um clima tenso paira a seleção da Argentina. Depois de ter feito história na França ao conquistar o primeiro ponto em um Campeonato Mundial, a equipe pode sofrer alguns problemas de elenco para os jogos Pan-Americanos de Lima, no Peru, que começa no dia 26 de julho.
Algumas jogadoras foram excluídas da convocação e publicaram mensagens em suas redes sociais expondo o que aconteceu.
O caso que mais chamou a atenção foi a de Estefania Banini. A camisa 10 e capitã da seleção disse que está fora por opção da comissão técnica.
“Eu sinto muito porque eu esperava que todas lutassem da mesma maneira, mas eu entendo que talvez elas tenham gostado da sensação de defender isto, mas talvez para crescer, nós tenhamos que renunciar”, dizia uma parte do texto publicado por Estefania.
Além da capitã, também publicaram mensagens em suas redes sociais Florencia Bonsegundo, autora de um gol na Copa do Mundo e Ruth Bravo.
Bonsegundo iniciou o texto dizendo que “enquanto 18 companheiras montam a mala para os jogos Pan-Americanos, decido me livrar desta lista”. Ela completa dizendo que tomou a decisão por não compartilhar das mesmas opiniões da comissão técnica e também cita que os problemas não são apenas dentro de campo, mas “a falta de soluções fora dele”.
“Precisamos de pessoas profissionais que deixem as diferenças de lado, apoiando o que um grupo precisa e não riscando referências para levantar suas vozes!”, escreveu, dizendo também que sente muito por não defender a Argentina num torneio e afirmando que acredita que todos devem dar um passo à frente para que a luta comece.
Ruth Bravo publicou: “A comissão técnica decidiu me deixar de fora”. Ela contou que as jogadoras falaram com toda a equipe que viajou para a Copa do Mundo sobre objetivos que queriam alcançar para crescerem, atingirem metas pessoais e elevarem o nível do futebol no país.
Nesta conversa, segundo Ruth, cada um exibiu seus pensamentos, concordando e discordando, mas que: “qualquer coisa que todos concordassem, a comissão técnica não estava de acordo com o que queríamos”.
Ela também afirmou que, mesmo estando fora do torneio, vai trabalhar para recuperar seu lugar e que sabe que não fez mais do que ser ‘uma das 23 vozes’.
Ela ainda fez uma analogia aos protestos de Megan Rapinoe: “Quanto precisamos para que todos possamos dizer que não vamos à Casa Branca e fazermos o que é dito? Words (palavras de Megan Rapinoe, capitão da equipe campeã mundial)”.
Sole Jaimes, recentemente anunciada pelo Santos FC, também não faz parte do elenco que vai jogar o Pan-Americano.
Vale lembrar que a Associação de Futebol da Argentina (AFA) anunciou a profissionalização do futebol feminino recentemente e uma das motivações para a luta foi a luta de Macarena Sanchez, ex-jogadora do UAI Urquiza e da seleção argentina, que processou a AFA por discriminação de gênero.
